Apostila 17
A
CRIATURA
A apostila 16 começou a nos descrever o "solo geográfico"
onde transcorre a evolução da centelha divina, quando
ela se encontra manifestando-se no intervalo entre o reino animal e
o reino do Homem. Isto é, quando ela transita pelo reino Elemental.
Generosamente o mestre André Luiz, espírito, pelas transcrições
se seus textos naquela apostila, abriu luzes sobre a questão,
porém, apoiemo-nos também em Allan Kardec. No livro O
Livro dos Espíritos, questões 607 e 607-a, temos:
607 - Ficou dito que a alma do homem, em suas
origens, assemelha-se ao estado de infância da vida corpórea,
que sua inteligência apenas desponta, e que ela ensaia para a
vida. (Vide questão 190) Onde
cumpre o Espírito essa primeira fase ?
- Numa série de existências que
precedem o período que chamais de humanidade.
Essa resposta dada a Allan Kardec pelos Espíritos inspiradores
suscita duas interpretações: Uma, de que estão
se referindo a todos os seres e a todas as fases que antecedem o ciclo
do homem. Desde o reino mineral até este. A outra interpretação
dá a entender que, embora sem explicitarem, se referem unicamente
ao degrau imediatamente anterior ao homem, que para nós é
o reino Elemental. Esta segunda hipótese interpretativa é
a que nos parece mais plausível, e que mais nos agrada.
Para dar apoio à nossa escolha consultemos a questão
607-a, e vejamos o que ela diz:
607a - Parece, assim, que a alma teria sido
o princípio inteligente dos seres inferiores da criação
?
- Não dissemos que tudo se encadeia
na Natureza e tende à unidade ? E´ nesses seres, que estais
longe de conhecer inteiramente, que o princípio inteligente se
elabora, se individualiza pouco a pouco.
Convenhamos que tanto a formulação da pergunta quanto
a respectiva resposta são um tanto vagas. Falam, mas não
explicam. Todavia, comparando os textos acima com a vasta literatura,
principalmente Teosófica, citada na bibliografia, temos quase
a certeza de que Kardec queria se referir à existência
de um degrau evolutivo entre o animal e o homem. Porque não foi
mais explícito, apesar de ter sido tão meticuloso, não
sabemos.
Talvez, imaginamos, as pressões culturais e religiosas da época
desencorajaram-no de ir mais a fundo, neste detalhamento. Não
obstante, tal degrau tem toda a característica do que chamamos
reino Elemental.
E´, portanto, ocupando atividades num reino ainda pouco compreendido
pelos estudiosos, preconceituosos, que a Mônada se prepara para
vir a ocupar, um dia, um lugar na escala da humanidade.
Desse reino, que chamamos de Elemental, mediante as anotações
da apostila 16 e desta, destacamos cinco pontos:
1 - A preparação e adestramento evolutivo dos indivíduos
situados nessa fase se dá nos planos espirituais adjacentes ao
plano Físico, e neste interferindo;
2 - Psiquicamente estão situados acima dos animais, de qualquer
espécie, e abaixo do selvícola humano;
3 - São simples, e afeiçoam-se a qualquer entidade espiritual
que os atraia, acontecendo da mesma forma para com os encarnados;
4 - Para impulsionar o desenvolvimento desses indivíduos, eles
são utilizados nos serviços da natureza, distribuídos
segundo os Arquétipos de cada estágio. (vide apostila
06, folhas 1 e 2);
5 - Os reinos nos quais estagiam são: reino da terra, ou mineral;
das plantas ou vegetal; dos animais; o seu próprio ou Elemental,
e o reino humano.
Os destaques apontados dão, em linhas gerais, o espaço
psicológico e físico onde tais indivíduos são
situados. Obviamente, como ficou dito, tanto no plano Astral quanto
no plano Físico.
Quanto a identificá-los, podemos dizer que eles recebem dos
estudiosos nomes variados, segundo cada atividade que os ocupe dentro
dos quatro elementos naturais do planeta. Isto é, no elemento
terra, são os gnomos; no elemento água, são as
ondinas; no elemento ar, os silfos e no elemento fogo, as salamandras.
Neste conjunto dos elementos, e funcionando como uma espécie
de supervisores para todos os subgrupos citados acima, temos os duendes
e as fadas. Esses são os nomes universalmente conhecidos e aceitos.
Existem outros, principalmente oriundos da linguagem popular religiosa
brasileira, tais como Pererê, Boi-Tatá, etc. Todavia, é
apenas uma forma regionalizada de identificação das mesmas
criaturas.
Há um dado interessante a se destacar. E´ a propósito
dos ambientes onde os Elementais vivem, por exemplo, os gnomos, que
habitam não só a face externa do planeta como também
o interior de sua massa rochosa. Algum curioso que ainda não
atinou com o fato poderá perguntar:
- Mas como pode ser isso, habitar o interior de um corpo rochoso ?
A resposta é simples. Os Elementais co-habitam conosco o ambiente
terrestre utilizando-se unicamente de seus corpos Astrais, e estes,
compostos de matéria só do plano Astral, podem, perfeitamente,
transitar por qualquer ambiente e substância do plano Físico,
sem que esta lhe oponha qualquer resistência. Acontece com eles
igual, e da mesma forma, ao livre trânsito de que desfrutam, no
ambiente físico, os demais espíritos desencarnados. Por
essa razão são eles empregados na ação direta
sobre toda a Natureza, já que podem interpenetra-la e aciona-la
no mais íntimo de seus organismos. Daí, nesse estágio,
e integrados às atividades várias conforme enumeradas,
podemos entender sua estrutura psíquica como a figura 17A descreve.
O
corpo Causal define que ali está um indivíduo. Embrionário,
não resta dúvida, mas um indivíduo, pois começa
seu viver na faixa da razão e da responsabilidade. Como são
seus primeiros tempos na faixa da razão, seu pensamento ainda
é fragmentário, inconstante e saltitante, comparativamente
ao procedimento de uma criança em relação ao adulto.
O adulto objetiva e segue uma linha de raciocínio, já
a criança, a todo momento, muda a direção dos interesses,
não sentindo por isso nenhum constrangimento ao deixar incompleto
alguma coisa que antes fazia.
No Elemental, o que caracteriza essa inconstância é a
forma ainda indefinida de seu corpo Mental, já que este é
que faculta a existência do pensamento contínuo. Nesse
estágio seu corpo Mental é apenas uma quase sombra. Não
possui nenhuma consistência.
Todavia, como a figura mostra, seu corpo Astral, neste mesmo tempo,
possui contorno definidos, o que permite à Mônada expressar-se
com relativa liberdade naquele plano. E´ ele, o corpo Astral,
que dá condições aos Elementais de participarem
de atividades várias, principalmente as ligadas aos fenômenos
transformativos que operam na Natureza.
Porém,
como já se disse antes, não agem por contra própria.
São agentes que colaboram com a feitura dos fenômenos,
mas estes ficam inteiramente sob o controle local de um dirigente, que
por sua vez está sob a orientação de um Deva Regional.
Vejam isso na figura 17B. Há um Deva local para cada categoria
de elemento natural a ser ativado. Um para o elemento terra, etc. Os
Elementais sob a tutela de dirigentes locais atuam sobre os elementos
terra, água, ar e fogo. Todos eles, os Devas locais e os Elementais,
estão sob a regência de um Deva que, naquela região,
administra os acontecimentos gerais. E´ o Deva Regional.
Dois esclarecimentos se fazem necessários.
Na figura representamos um Deva Local para uma figura de um elemental.
Isso não quer dizer que o sistema funcione com um Deva Local
para um só Elemental. Não. E´ um Deva Local para
um número variado de Elementais em ações semelhantes.
O outro esclarecimento é que embora atuando nas tarefas mais
rudimentares da Natureza, são contudo, indispensavelmente úteis
ao conjunto da vida. Sobre isso já citamos informações
prestadas por Allan Kardec e Helena Petrovna Blavatsky na apostila 08.
Além daquelas referências, relataremos outras na próxima
apostila.
Bibliografia
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Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Áureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - páginas 59
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Edgar Armond - Mediunidade - página 14 - Editora Aliança
Elza Baker - Cartas de um Morto Vivo - páginas 37, 85, 86, 93
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Emmanuel/Francisco C. Xavier - A Caminho da Luz - Federação
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71 e 72 - Edição Particular
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume I págs:
105-118-145-146-177-260-266-268-306-308 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - volume II - páginas
56 e 198 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume V - páginas
69 e 90 - Editora Pensamento
Itzhak Bentov - Á Espreita do Pêndulo Cósmico -
Editora Cultrix/Pensamento
J. B. Roustaing - Os Quatro Evangelhos - Federação Espírita
Brasileira
Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas
Bastos
Zulma Reyo - Alquimia Interior - páginas 254, 255, 312 e 313
- Editora Ground
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Setembro de 2005
Distribuição Gratuita de toda a série - Copiar
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