Apostila 19
A
CRIATURA
Na apostila 18, descrevendo o reino Elemental, chegamos ao momento em
que a Mônada, naquele exercitando-se, vai se transmutar ao reino
Humano. Sobre aquele período de transformação,
cremos que os comentários contidos nas três últimas
apostilas são suficientes para dar uma idéia robusta daquelas
criaturas. Inclusive para destituir superstições que envolvam
a compreensão do reino Elemental.
A propósito, lembramos que este nosso estudo já preveniu
contra as imaginações fantasiosas, e as mistificações
comerciais de dois aspectos que rendem, na atualidade, muito dinheiro
aos vendedores de livros e quinquilharias chamadas esotéricas.
Primeiro na apostila 08 estudando os Devas, também chamados de
Anjos, e agora, nestas três últimas, falando de Elementais.
Dois temas exploradíssimos na comercialização
aos incautos. Isso acontece porque o povo anda à cata de soluções
fáceis para suas idiossincrasias sociais. A qualquer aceno com
possibilidades de uma fé comprada, logo se juntam os interessados,
iludidos, em torno do oferecedor. Algum tempo depois vem a frustração,
pois a ineficácia da solução proposta e comercializada
logo se revela.
Mas é assim mesmo. Como dizia o bispo Sinésio, "o
que o povo mais gosta é ser enganado." (Vide apostila 07)
Voltemos, entretanto, às motivações destas apostilas,
pois não estamos aqui para fazer críticas, mesmo que justas,
e sim para esclarecer.
- - - o 0 o - - -
Naquele
momento da vida de nossa Mônada viajora ela vai cruzar a grande
fronteira: está deixando o reino Elemental, que podemos classifica-lo
de reino da razão fragmentária, e adentra o reino Humano,
ou o reino da razão completa e da responsabilidade. A figura
a seguir, 19A, esquematiza o resumo dessa longa jornada. Ali são
vistas, em blocos, as várias etapas do percurso.
Já na figura 19B representamos essa viagem com mais clareza,
desde sua inicial origem, no Todo, até chegar à condição
humana.
Comentando
essa viagem, André Luiz, espírito, pela psicografia
de Francisco Cândido Xavier, em seu livro E a Vida Continua,
editado pela Federação Espírita Brasileira, nas
páginas 69 e 70, faz belíssima descrição
onde, poeticamente, diz que a origem de todas as criaturas é
pelo efeito da Coagulação da Luz Divina. (Vide figura
02A na apostila 02, representando esse efeito transformador das energias).
Ou seja, a quintessenciada energia inicial, em sua origem divina, vai
se coagulando, num adensamento contínuo, até chegar ao
ponto em que dela nos servimos aqui no plano Físico.
A figura 19B mostra "gotas" de energia primordial "caindo"
do grande TODO e se coagulando, gradativamente, em cada plano
que é utilizada.
Como a reforçar essa afirmativa, o mesmo André Luiz,
agora em seu outro livro, Evolução em Dois Mundos,
também pela generosa psicografia do inimitável Francisco
Cândido Xavier, editado pela Federação Espírita
Brasileira, página 23, ensina que "na
essência toda matéria é energia tornada visível".
E outro grande instrutor espiritual, Emmanuel, no livro Roteiro,
psicografado por Francisco Cândido Xavier, editado pela Federação
Espírita Brasileira, à página 27, comentando esse
mesmo transformismo assim diz: "Em seus
múltiplos estados, a matéria é força coagulada
(...)"
Portanto, como ficou demonstrado nas apostilas precedentes, o que hoje
somos, e o corpo que usamos, não é fruto de uma única
amoldagem direta na forma completa como nos encontramos.
Nossa capacidade psíquica, e a forma humana que utilizamos,
é a soma de incontáveis esforços que promoveram
a gradual transformação do Ser e de seus veículos
de manifestação. Foi desse somar de esforços que
atingimos e nos tornamos do gênero Humano.
Esta
outra figura, 19C, no seu todo, descreve o percurso feito até
aqui. Vejamos o que ela nos conta.
Do ponto "A" ao ponto
"J", temos a respectiva
descrição na apostila 16. Prosseguindo dali, temos que
inúmeras foram as experiências vividas pela Mônada
enquanto no Reino Elemental. Naturalmente tendo esse período
consumido alguns milhares de milhares de anos terrestres.
.
"K" - Complementada essa
fase na qual em seu final o indivíduo já possui um bem
elaborado corpo Astral, e um corpo Mental de razoável constituição,
conforme ficou demonstrado na figura 18A da apostila 18, retorna a excursionista
a nova hibernação, onde aguardará as providência
que a encaminharão aos novos planos de ações.
"L" - Vencido esse período
de renovação, no qual, como acontecera na mudança
do reino Animal ao Elemental em que lhe foram aplicadas complexas operações
transformativas, nossa Mônada reativa seu corpo Mental.
"M" - Por reflexo desse
fluxo reativador também o corpo Astral como que desperta. Algum
tempo se transcorre, tempo em que se tomam providências acessórias
para consubstanciar ainda mais estes dois corpos, importantíssimos
à fase seguinte.
"N" - Com o corpo Mental
apenas razoavelmente definido em seu contorno, porém energeticamente
funcionando bem, considerando-se os padrões necessários
aquele momento iniciático, providencia-se a preparação
final do corpo Astral.
"O" - O corpo Astral
adquire a forma humana definitiva. Não é ainda o excelente
veículo de um homem que já passou por centenas de vidas
humanas, todavia, oferece facilidades acima das encontradas no reino
Elemental e, naturalmente, suficientes à primeira "descida"
num corpo Humano.
"P" - Inicia sua fase
humana. Até que enfim entra na primeira encarnação
usando um corpo de homem ou de mulher. Isso depende das tendências
predominantes que possui herdada de suas últimas vivências
no reino Elemental. Portanto, na figura, estampa-se a grande viagem
já percorrida por nós, os humanos desta era atual.
Todavia, essa e algumas outras encarnações a seguir serão
estágios preparatórios. Nelas o trabalho principal é
fixar o indivíduo em si mesmo, pois doravante passará
por incontáveis vivências usando diferentes personalidades,
e para que não se perca nesse labirinto, necessário se
faz dar-lhe uma âncora para fazê-lo seguro em si mesmo.
Isto é, agora fazendo uso da razão conduzir-se-á
sozinho pela vida, que o compromete com a responsabilidade. Por isso,
não seria justo permitir-lhe, inicialmente, perder-se no emaranhado
dos fatos novos que a vida humana, mais complexa em seu relacionamento
entre os indivíduos, exige de cada um.
E´ que, a partir de agora, assume, na acepção do
termo, o caráter de individualidade. Intelectualmente está
separado de todos os demais. Isso é um grande risco. Para ele
não naufragar nesse início, precisa de cuidados adicionais,
além dos já recebidos, pois é ainda uma "criança"
se comparado ao espírito que já passou por muitas encarnações
humanas. Vejamos esses cuidados.
Inicia-se
nele o processo de fixação dessa individualidade. Acompanhe
pela figura 19D.
Esse processo tem um lento transcurso, pois durante seu andamento dois
sistemas de forças estarão interagindo nele.
De um lado as poderosas fixações dos instintos trazidos
dos reinos anteriores, pressionando para que as atitudes do presente
sejam as mesmas que foram efetuadas no passado.
Vemos, na figura, a seta "Instinto"
forçando o indivíduo para sua linha de passado. Isto é,
instigando-o às práticas de atendimento apenas aos imperativos
da fome, da procriação e da defesa.
De outro lado, confrontando-se com a primeira, atua a irresistível
impulsão evolutiva, a seta do "Egoísmo"
pressionando-o para a marcha do progresso.
Como seu corpo mental é ainda pouco consistente, não
lhe oferece condições de percepções mais
profundas sobre os acontecimentos. Por isso, fica só ao sabor
dos automatismos contidos no corpo Astral, já razoavelmente desenvolvido.
Para arranca-lo dessa fixação vamos encontrar a principal
alavanca: o sentimento de EGOÍSMO.
Na figura, como indicado acima, o Egoísmo empurra-o na direção
do futuro, enquanto que o instinto impele a repetir o passado.
- - - o 0 o - - -
Como essa questão é ampla e intrigante, e para não
alongar esta apostila, continuaremos seu comentário na próxima.
Nesta, a seguir, faremos apenas uma digressão, visando despertar
uma reflexão sobre o tema.
E´ o seguinte: A vivência individualizada traz a necessária
oportunidade de despertar no Ser o interesse pela tomada de decisões.
Coisa que nunca o fez até então.
Porém, se a experiência proporciona o doce
sabor da liberdade de decisões,
traz, também, o amargo paladar
da responsabilidade, pois, este
mundo novo, para acordar no indivíduo o acerto nas decisões,
atua como uma armadilha.
Daí, os desarranjos e dificuldades se instalam sobre os menos
cuidadosos, pois estes se deixam deslumbrar pelo amplo mundo novo que
se lhes descortina. De fato é um mundo belo, mas perigoso.
Assim, nosso viajor somente muito ao futuro veria que a liberdade é
uma decorrência da responsabilidade, concluindo que, quanto mais
responsável for, mas livre também o será.
Mas essa é uma questão para ser compreendida ao longo
da descrição das próximas apostilas. Nossa citação
foi apenas para motivar uma reflexão sobre como começou
todo o desarranjo do que chamamos de infelicitações na
vida humana.
Bibliografia
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105-118-145-146-177-257-258-260-266-268-306-308 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - volume II - páginas
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Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume V - páginas
69 e 90 - Editora Pensamento
Itzhak Bentov - Á Espreita do Pêndulo Cósmico -
Editora Cultrix/Pensamento
J. B. Roustaing - Os Quatro Evangelhos - Federação Espírita
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Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas
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Zulma Reyo - Alquimia Interior - páginas 254, 255, 312 e 313
- Editora Ground
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Outubro de 2005
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