Apostila 20
A
CRIATURA
Interrompemos a apostila anterior comentando que nas primeiras encarnações
no reino Humano, a individualidade nascente vivencia uma pressão
intensa de duas forças oponentes. (Vide figura 19D, apostila
19). De um lado a força das tendências instintivas pressionando
para que o indivíduo retorne às práticas, agora
impróprias, dos costumes que vivenciou nos reinos anteriores.
Do outro lado o irresistível fluxo de vida, impulsionando na
direção do progresso. Neste início de vida individualizada
a principal faculdade que atua nesse ciclo evolutivo de vida é
o sentimento de Egoísmo. Nessa etapa ele é indispensável.
E vejamos porque.
Annie Besant, a ilustre e competente sucessora de Helena Petrovna
Blavatsky na condução dos destinos da Sociedade Teosófica,
portanto uma respeitável autoridade no assunto, em seu livro
O PODER DO PENSAMENTO, editado pela Editora Pensamento, fazendo
referência à imposição que melhor caracteriza
o Ser, diz que, para a Consciência se tornar a Conhecedora das
indescritíveis experiências que vivenciará, terá,
antes, que convencionar um sistema que defina a posição
entre ela e os corpos que usará. Isto é, definir quem
é quem. (Página 51 do citado livro). Vejam isso numa figura.
A
figura 20A nos descreve que a Consciência é o verdadeiro
Eu, sendo, portanto, o único Conhecedor. Os corpos usados nos
diferentes reinos são apenas elementos de contato com ditos ambientes.
Ou seja, são instrumentos que tornam possível à
consciência fazer-se conhecida e conhecer dali. Comentário
a respeito foi feito na apostila 10.
Além disso, a figura também demonstra que a consciência
estimula os seus corpos lançando sobre eles seu raio de vida,
ao mesmo tempo em que é por estes estimulada. Portanto, uma via
de duas mãos de trânsito onde, ao final, todos os extremos
são beneficiados.
A Consciência evolui com as experiências colhidas através
de seus corpos, enquanto que as matérias que formam estes dão
também um passo à frente, pois que na pequenez de seus
átomos exercitam-se consciências iniciantes. (Falaremos
disso detalhadamente na apostila 24).
Isso significa que entre a Consciência e o corpo de que no momento
se utiliza em algum plano de manifestação, há um
entrelaçamento lógico e inseparável para que ocorra
a duração da vida deste. Conclusão - se houvesse
alguma dúvida - : a Consciência é o ente supremo,
formador e conservador desse conjunto de que aqui se trata.
Embora, definitivamente convencionado quem é quem, como demonstra
a figura 20A, achamos, porém, que os comentários que se
seguiram não são suficientes para esclarecer a questão
no todo. Por isso seguiremos nas informações.
A consciência, ou a Mônada, ao iniciar suas experiências
no reino Humano ainda se encontra misturada a tantas outras, igualmente
sem definição própria de rumos a tomar.
Para solucionar a questão é preciso dota-la de instrumento
que lhe permita tomar decisões frente a cada situação
nova que as experiências, daqui para frente, exigirão,
pois que dela, doravante, se cobrará responsabilidades.
Para essa providência entra em cena a força aglutinante
chamada Egoísmo.
Esta
outra figura, 20B, ajudará na compreensão da razão
que justifica ser o sentimento de Egoísmo necessário e
indispensável nessa etapa.
No quadro "A" da figura
temos o que se poderia chamar de indivíduos iniciais. Os Elementais
que estudamos nas apostilas 16 à 18. Destes, ainda não
se pode cobrar responsabilidades pois pensam e agem em grupos sob tutela
de um Deva diretor.
No quadro "B" aparecem
os indivíduos, agora, "separados" uns dos outros. Ao
redor de cada um, forças aglutinantes formam um campo gravitacional,
respectivo e exclusivo.
Essas forças aglutinantes são o que estamos chamando
de sentimento de Egoísmo, e o campo gravitacional, - estamos
usando esse nome apenas para nossa conveniência de estudo - ,
se torna uma espécie de "invólucro" que vem
de "separar" um indivíduo do outro.
As palavras "invólucro" e "separar" as colocamos
entre aspas porque denominam uma subjetividade. Isto é, em realidade
esse invólucro não existe e a idéia de separatividade
entre os seres é a mais ilusória das ilusões. (Desculpem
a redundância, mas é proposital). Todavia, apesar da subjetividade,
são indispensáveis por um longo período da existência
inicial no reino Humano.
Prossigamos. Desse desenvolver formou-se a conceituação
que a ciência psicológica rotulou de Egocentrismos. Pela
ação irradiante de tal campo, os corpos que dita consciência,
também chamada de EGO, vier a possuir, serão de exclusivo
uso dela.
A
figura 20C nos mostra que tudo que aos corpos influir convergirá
à única dona, a Consciência Individualizada. Os
efeitos de tudo que se originar exteriormente e vier a tocar nos corpos
se centrará naquele EGO.
Sem esse magnetismo que é o concentrador da Consciência
em si mesma, ela só poderia continuar a vivência cósmica
desde que fosse junto a reinos grupais. Jamais viria a ser um Indivíduo
tal qual nós nos conhecemos.
Como toda a descrição acima apela, sobremaneira, para
a imaginação, para facilitar o entendimento vejamos a
seguir um exemplo comparativo numa outra figura.
A figura 20D é uma tentativa para descrever porque nessa fase
de formação definitiva do indivíduo o sentimento
chamado egoísmo é necessário e até benéfico.
O
quadro "A" mostra a metade
de uma laranja. A forma de representar a laranja é para tornar
visível o que desejamos mostrar: o conjunto dos gomos da fruta.
A laranja inteira representa o TODO de um sistema qualquer, no
qual se acham encerrados incontáveis indivíduos. Além
disso, a palavra sistema faz subentender que há um limite. No
exemplo, o limite do sistema é a casca da fruta.
Só para ficar bem claro, repetimos que dentro da casca, ou do
sistema, se encerra um número incontável de indivíduos.
O quadro "B", mostra
uma parte daquele TODO, ou uma parte do Sistema. E´ um gomo da
laranja. Também o representamos partido, no qual se vê
inúmeras gotículas do sumo da fruta. Essa parte da figura
significa: as gotículas representam os indivíduos pertencentes
àquela divisão do Sistema, e a membrana que os envolve,
dando forma ao gomo, representa, justamente, a "separatividade"
entre as partes do Sistema. Isto é, a membrana separa os indivíduos
situados numa partição do Sistema, dos demais situados
nas outras partições.
Expliquemos: Num sistema os indivíduos estão separados
por classes, ou tipos, conforme os planos nos quais se encontram. Exemplo:
os do plano Físico estão separados daqueles outros contidos
no plano Astral. Não obstante, embora subjetivamente assim "separados",
o Sistema é um só.
Também, por outro exemplo, podemos ver a membrana como divisória
de regiões geográficas aqui no plano Físico. Indivíduos
que habitam uma cidade e outros que residem noutra cidade. Cada cidade,
em si, seria o invólucro que a membrana do gomo da laranja quer
expressar. Apesar dos indivíduos de uma cidade estarem, fisicamente,
separados dos indivíduos da outra cidade, todos, porém,
habitam o mesmo planeta, num dos planos existenciais de um mesmo Sistema.
O quadro "C", mostra,
isoladamente, uma gotícula do sumo da fruta. Este é o
indivíduo. Embora a seiva contida numa gotícula
seja exatamente igual à seiva de todas as demais gotículas
da mesma laranja, para não se misturarem e se diluírem
entre si, cada gotícula está encerrada numa embalagem
cujo invólucro é uma delicada película.
E aqui vai a comparação que se deseja fazer com a descrição
feita no início desta apostila: Sendo a gotícula a representação
do indivíduo num Sistema, a delicada película que o isola
dos demais, representa o sentimento de Egoísmo. Em razão
dessa somatória de envoltórios que se superpõem,
representados que foram pela casca da laranja e da membrana do gomo,
o resultado é a consolidação total do Ser.
Para melhorar ainda mais nosso raciocínio refaçamos a
descrição acima usando de outras palavras. O sumo da fruta,
usada como exemplo figurativo, é o nosso EU, a consciência
ou EGO. A delicada película que envolve a gotícula é
o sentimento chamado de Egoísmo.
Nesse início de individualização esse sentimento
se torna necessário, como dissemos linhas atrás, para,
por seu mecanismo e ação psíquica, fixar naquele
Ser o senso de individualidade.
Lembrem-se que ele está recém chegado dos reinos onde
as criaturas lá viventes não possuem individualidade,
mas, ao contrário, misturam-se anonimamente, desaparecendo no
conjunto. Exatamente o oposto do que agora lhe acontece, onde se destaca
dos demais por força de sua exclusiva vontade.
Esse senso de individualidade irá, gradativamente, força-lo
a substituir os automatismos instintivos pelas tomadas de iniciativas
que obrigatoriamente virão, devido ao necessário uso da
observação e comparação sobre as experiências
que de agora em diante passará.
E´ o despertamento, no indivíduo, a partir do nível
físico, daqueles aspectos que se lhe fixaram na etapa de descenso,
quando passou pelos planos Átma, Búdhico, Mental Superior,
Mental Inferior e Astral. Quais sejam, os aspectos Vontade, Sabedoria,
Atividade, Pensamento e Sensação. Nas experiências
que agora vai vivendo tem, e terá, as necessárias oportunidades
de provar daqueles temperos.
Sem esta alavanca do Egoísmo o indivíduo permaneceria
como, e apenas, animal pensante. Seria uma coletividade de anônimos.
Jamais individualizados, verdadeiramente. Tal qual se sucede com os
gomos da laranja que é espremida. Todo seu caldo, dantes separado
em pequenas gotículas, volta a ser um só volume a encher
um copo. Naquele volume não se distingue os "indivíduos"
que há bem pouco eram gotículas.
Nesse passo progressivo que irresistivelmente o arrasta na direção
da evolução, obscurece-se o animal que foi, e desperta
o HOMEM !
Outro grande benefício de tudo isso é que, por ser o
sentimento de Egoísmo uma força centrípeta, seus
impulsos levam a individualidade nascente a solidificar-se em si mesma.
Sem ele, como já se disse, ocorreria a possibilidade de, diante
dos desafios da vida humana, o indivíduo acovardado preferir
"diluir-se" no conjunto para nele desaparecer. Aliás,
essa é a impulsão que leva um indivíduo ao suicídio.
Ilusória tentativa de fuga e desaparecimento, quando se sente
impotente diante dos desafios.
Todavia, depois de definitivamente formada a individualidade, inicia-se
no Ser outro processo desenvolvimentista. Desta vez para corrigir as
anomalias causadas pelo excesso de centralização do Ser
em si mesmo, pois, neste caso, aí sim, este estado de centralização
pode torna-lo perigoso para seus semelhantes. Como se trata de assunto
de inquestionável importância, ele será tratado
ao longo das apostilas 21, 22 e 23.
- - - o 0 o - - -
Será que agora, após toda essa descrição
e exemplos figurativos, deu para entender ? Passemos, então,
a um esclarecimento adicional, e também indispensável.
A forma conceitual que na atualidade se atribui ao sentimento de egoísmo,
nada se compara com a motivação justa que levou à
sua criação. O sentimento condenável não
é o mecanismo do Egoísmo de cuja conseqüência
tem-se o indivíduo, e que acima ficou esclarecido.
O que se condena é a modalidade de procedimento do homem que,
embora intelectualmente desenvolvido, teimosamente se comporta numa
continuada exteriorização dos reflexos de suas últimas
experiências nos reinos Animal e Elemental.
E essa forma hodierna se torna condenável porque quando se juntam
os reflexos do instinto animal somados ao raciocínio analítico
que agora possui, temos, como resultado, uma criatura artificiosa no
mal. Ou, um criminoso deliberado. Não importa em que instância
atue com sua maldade e covardia. Sejam nos crimes da chamada marginalização
popular, ou nos que se apresenta como pessoa de bem, engravatado quando
homem, ou em estilo socialite quando mulher.
São os executivos(as) das grandes empresas, os(as) políticos(as),
os(as) governantes(as), os(as) legisladores(as). E´, de fato,
um (uma) criminoso(a) deliberado(a). E´ o requinte da inteligência
sendo usado nos planejamentos de ordem negativa. Mas essa questão
veremos, com maiores particularidades, quando nosso estudo atingir a
análise do homem moderno, nas apostilas que se seguirão.
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105-118-145-146-177-257-258-260-266-268-306-308 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - volume II - páginas
56 e 198 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume V - páginas
69 e 90 - Editora Pensamento
Itzhak Bentov - Á Espreita do Pêndulo Cósmico -
Editora Cultrix/Pensamento
J. B. Roustaing - Os Quatro Evangelhos - Federação Espírita
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Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas
Bastos
Zulma Reyo - Alquimia Interior - páginas 254, 255, 312 e 313
- Editora Ground
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Outubro de 2005
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