Apostila 22
A
CRIATURA
Depois de evos que se contam em milhões de anos terrestres, depois
de não poucas encarnações junto às sociedades
que denominamos de primitivas, nossa Mônada juntou recursos que
lhe proporcionaram uma consistência mais sólida do corpo
Astral.
As experiências vivenciadas despertaram-lhe a atenção,
a criatividade e apuraram-lhe as sensações. Enfim, o fenômeno
da inteligência humana começava a se fazer visível
no ambiente terrestre. A hostilidade do mundo primitivo ia sendo dominada.
Com toda essa transformação, que de resto acontecia com
a sociedade de modo geral, levava à mudança dos costumes.
O relacionamento entre os indivíduos se tornava mais estável
e tomava outras características. Não é mais aquele
bruto.
A figura 22A mostra um indivíduo que podemos classifica-lo de
o homem da era moderna.
Como
vimos na apostila 21, também aqui fazemos uma representação
em três etapas:
1 - Ativo e organizando-se na vida
física;
2 - Com o corpo físico já
devolvido à terra, devido a morte;
3 - No plano Astral.
Em tudo, muito diferente daquele indivíduo visto na apostila
21. Agora, seus interesses são outros. Além disso, alargou-se,
desmesuradamente, seus horizontes imaginativos. Sua fonte de pensamento
agora gera um fluxo contínuo e enriquecido pelo raciocínio
analítico.
O que veio proporcionar isso foi o concomitante desenvolvimento do
corpo Mental, ocasionado por reflexo direto ao desenvolvimento do corpo
Astral. Referência que fizemos na apostila 21, quando comentamos
trecho de autoria de Emmanuel contido no livro Roteiro. Assim, pois,
o homem da era moderna está municiado com o mais poderoso instrumento
transformador do mundo: o pensamento crítico e inventivo.
De posse desse manancial inesgotável, mesmo que sendo mal usado,
desenvolve atividades sociais e técnicas das mais variadas formas.
Tornou-se, por isso, um inquieto e insaciável, sempre em busca
de novidades.
Podemos dizer que seu conjunto formado pelos corpos Físico,
Astral e Mental, está permanentemente eletrizado por intenso
fluxo mental, daí o aumento de atividades. Exatamente o oposto
do que acontecia ao homem primitivo.
Esse fator de contínuo despertamento e interesses faz com que,
mesmo estando no plano Astral, suas atividades não cessem. E´
o que vemos na figura 22A, etapa 3.
Com o desencarne e a transferência definitiva ao plano Astral,
lá ele continua dedicando-se às atrações
que lhe são adequadas. E como sabemos que o mundo Astral é
vasto em possibilidades, logo, não lhe faltará o quê
fazer. Com isso, mais expansão adquire seu raciocínio
e maior adestramento nas habilidades.
Nesta nova fase um outro acontecimento merece destaque. Trata-se do
seguinte: Na fase anterior, a primitiva, como os interesses do indivíduo
só estavam centrados no acanhado mundo da selva em que vivia,
ao desencarnar, seu corpo Astral permanecia fixado à colônia
de seu povo. Em razão disso, a atração por nova
vida física o trazia de volta a esta, com pequeno intervalo entre
uma encarnação e outra. Isto é, o tempo de permanência
no plano Astral, entre uma encarnação e outra, era curtíssimo.
Talvez, uns poucos meses.
Nesta nova modalidade de viver, com a dilatação dos interesses,
e descobrindo que tanto na vida Física quanto na Astral há
muito que aprender e fazer, os intervalos entre encarnações
se tornaram mais prolongados.
Obviamente a duração desses intervalos não segue
uma regra genérica. Ela é específica a cada indivíduo,
tendo-se em conta os acontecimentos que envolvem as motivações
de sua encarnação.
O fato, porém, de intervalos entre encarnações
durarem algumas dezenas, ou centenas, de anos terrestres, não
significa perda de tempo. Em todo esse período, por mais prolongado
que seja, estará utilizando-o em atividades que proporcionarão
o seguimento de sua evolução. Isso, naturalmente, considerando-se
o Ser interessado nessa elevação, pois, como também
é sabido, aqui e lá existem os desinteressados de tudo.
Aqueles que não sentem atração por saber mais e
produzir melhor, em termos espirituais.
Todavia, para aquele indivíduo que já se inteirou dos
objetivos da vida, o intervalo entre vidas Físicas se torna de
um aproveitamento mais completo. Como resultado disso, seu psiquismo
se torna mais dinâmico, seus corpos Astral e Mental mais consistentes,
belos e ágeis.
A esse estado de desenvolvimento, aqui na Terra, chamamos de homem
intelectualizado. Aquele que sabe fazer uso de seu pensamento para criar
e transformar todas as coisas. Os mistérios vão desaparecendo
ante sua pertinácia na busca de definições. Mesmo
que, no auge dessa busca não saiba fazer uso humanitário
e fraterno de todas as suas descobertas.
Contudo, nenhum desses avanços deve ser desprezado, pois até
do mecanismo dos encontros bélicos, das guerras, a sabedoria
Universal sabe tirar proveito. Um deles, por exemplo, o ensejo de aproximação
dos povos, miscigenando-os. Não que a guerra seja desejável.
Longe disso, porém, como tem sido inevitável em conseqüência
da incúria humana, uma vez que acontece, procura-se, dela, extrair
algo de útil em caráter de universalidade. E disso tudo
resulta a gradual cessação dos preconceitos separatistas,
que é o objetivo final para se atingir o igualitarismo na Terra.
Essa é a razão de a Terra, nessa era de mundo moderno
e apesar de tantos povos, estar se transformando numa aldeia global.
Os povos estão mais próximos. Só faltam cair as
barreiras das fronteiras políticas, pois as geográficas
vão sendo, imperceptivelmente, anuladas pela movimentação
das gentes e dos interesses comerciais. E, observa-se, para chegar a
essa aproximação consensual total entre os povos falta
muito pouco.
Esse
processo transformativo, embora imperceptível, dado que ele é
lento e a vida humana na Terra é, proporcionalmente, curta, pode
ser melhor comentado usando-se a figura 22B.
Na etapa "A" vemos as
forças aglutinantes, comandadas pelo sentimento de Egoísmo,
em sua ação de consolidação do indivíduo.
Isso foi visto na apostila 20. Entretanto, como lá dissemos,
esse processo de consolidação do indivíduo não
prossegue indefinidamente. Num dado momento de sua existência
cósmica ele cessa. Pára. Mas surge outro impulso de sentido
e direção contrários.
Está em ação o irresistível fluxo ascendente
de vida, e sua potencialidade faz inverter a polaridade das forças
que atuam sobre o indivíduo. Entra ele na etapa "B",
representada na figura. As forças que agora interagem são
de tendência expansiva. Partem do indivíduo direcionando-se
ao, e buscando o semelhante.
O nome desta nova tendência é sentimento de Fraternidade.
Por força deste vai esmaecendo a tendência de pensar só
em si, e cresce a vontade de estar junto aos outros. Com eles conviver
e, pacificamente, seguirem na senda da evolução.
Referindo-se a esse transformismo, Pietro Ubaldi, no livro A Grande
Síntese, capítulo 89, fala do que ele chama de "Evolução
do Egoísmo".
A citação de Pietro é basilar e merece ser reproduzida.
Diz ele: "Assim como no direito, a força
evolve para a justiça, também o egoísmo evolve
para o altruísmo. (...) A evolução opera então
a demolição progressiva do egoísmo. (...)"
(Grifos do original) (página 357) (Livro editado pela Livraria
Allan Kardec Editora).
Indo mais além, Ubaldi demonstra que a fraternidade é
uma força não só oponente ao egoísmo, mas
o resultado direto da transformação natural deste. Faz
essa demonstração numa frase em tudo curiosa, ao mesmo
tempo em que insofismável, dizendo:
"O Altruísmo nada mais é
do que um egoísmo mais amplo" (página
359) - Calma, não se espantem, ele vai explicar o porquê
disso.
Segundo ele, o altruísmo é um ato de "Reunir
em torno de si, como seus semelhantes, um número cada vez maior
de seres (...)" (página 359 de A Grande Síntese)
- Realmente, numa análise mais profunda, tal qual se viu Ubaldi
inserido, temos de admitir que está correta a forma como ele
define a transformação do egoísmo em altruísmo.
A razão é simples, por ter transformado o egoísmo
em altruísmo, o indivíduo quer sentir junto a si um número
cada vez maior de semelhantes. Esse desejo vem do compreender que a
separatividade entre os Seres, que na fase do egoísmo, ilusoriamente,
ele sentia, não existe.
Compreende que como todos os demais, ele é, também, só
uma partícula do grande e único corpo Cósmico,
e que se houvesse a separatividade entre as partículas, que se
elas pudessem se isolar umas das outras, como nós os humanos
fazemos até nossos vizinhos de rua, então esse corpo se
desintegraria, e desapareceria no... NADA.
Como o NADA não existe, então, mesmo contrariadamente
a início, o indivíduo passa a sentir a Unidade formada
por todos os Seres. Sente-a. Desaparece-lhe a ilusão da separatividade.
Tomado de boa vontade, volta-se aos seus semelhantes. Volta-se à
sua condição de partícula sadia do único
corpo cooperando com a vitalidade do mesmo. Recuperou-se, não
é mais a partícula cancerígena.
Sobre essa ilusória idéia da separatividade até
a ciência já deu as mãos aos ensinamentos das vetustas
religiões orientais, que a tal circunstância dão
o nome de Maya.
Numa espetacular descoberta científica o físico francês
Alain Aspect, e sua equipe, recentemente, mais precisamente no ano de
1982, constataram que as partículas, como os elétrons,
estão capacitadas de se comunicarem umas com as outras, de forma
instantânea, mesmo que se encontrem separadas por bilhões
de quilômetros. Diz o grande físico:
"De alguma maneira uma partícula sempre sabe o que a outra
está fazendo".
Ora, uma descoberta dessa nada mais é do que a derrubada do
que se imaginava existir, que seria a separatividade entre seres. Não
existindo a separatividade entre as partículas, mesmo que grandes
distâncias as separem, não pode existir a separatividade
entre os indivíduos, pois que seus corpos são constituídos
por partículas.
Tem mais; cada partícula sabendo o que as outras estão
vivenciando, e, por que não dizer, influenciando-se, significa
que cada Ser "sente", subliminarmente, o que os outros vivenciam,
e mutuamente se influenciam.
Por isso os místicos já nos ensinaram que enquanto houver,
mesmo que seja uma só pessoa na Terra que esteja a sofrer,
todas as demais não se sentirão felizes. E toda a Natureza
sofrerá. E reagirá a essa dor. - Pensem, então,
porque na atualidade, 2005, vemos a sociedade humana tão conturbada,
e a Natureza revidando em esforços por ensinar a esta mesma sociedade
os meios de correção.
Como podem ver, há muito mistério e muitos desvios, até
em nossos sentimentos. O que nos parece tão banal, ou natural,
porque são expressões que nascem em nosso íntimo,
quando, porém, se exteriorizam, podem fazê-lo de forma
mascarada. Difícil dizer, portanto, onde está a autenticidade
relacionada ao altruísmo.
Mas isso é questão de fôro íntimo de cada
pessoa. E´ ela que gera o sentimento, será ela que dará
conta aos registros cármicos. Não nos cabe, portanto,
qualquer julgamento, e nem pretendemos uma tal atitude.
Quanto à exposição de nosso tema, egoísmo
e fraternidade, muito mais poderia ser citado dessa magnífica
obra, A Grande Síntese, contudo, não nos alongaremos tanto.
Até porque, ao leitor consciente de sua busca será proveitoso
consultar o próprio livro, tirando, por si, as próprias
conclusões.
Consideramos que o que foi citado dá para compreender que tudo
ao entorno da criatura é o efeito da Lei do Progresso que em
seu bojo a vai levando ao encontro de outra sistemática de vida.
Sua adaptação a novo passo na existência.
Entretanto, é preciso deixar claro que nossa análise
se restringiu, unicamente, ao fenômeno transformativo do Ser,
dando ênfase à definição de formas e uso
dos corpos que a Mônada utiliza nestes três planos inferiores.
Não fizemos nenhuma abordagem mais profunda quanto ao modo de
vida de nossa sociedade, conseqüência direta dessa transformação,
pois isso será mais bem comentado nas próximas apostilas.
No momento nos competia apenas demonstrar essa modificação
que sempre é no sentido positivo, mesmo que, durante seu transcurso
ocorram fatos que aos olhos humanos sejam classificados de desagradáveis
e repugnantes.
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Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Agosto de 2005
Distribuição Gratuita de toda a série - Copiar
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