Apostila 24
A
CRIATURA
A descrição dessa intrigante viagem de nossa Mônada
viajora, aquela tímida e inexpressiva figurinha quando em seus
passos iniciais no plano Monádico, atingiu o ponto culminante
na apostila anterior. Nossa Mônada chegava ao nível evolutivo
máximo possível nesta Terra densa, dentro do atual ciclo.
Antes de prosseguirmos com os comentários, re-analisando o período
de sua trajetória humana neste planeta, apreciação
que não podemos dispensar, pois que ela nos dará a visão
global dessa transmutação, apresentaremos a figura a seguir
na qual veremos toda a viagem evolutiva empreendida por essa aventureira.
A consciência de cada um.
Olhar essa figura é como olhar uma coletânea de fotografias
próprias. Daquelas que existem em todas as famílias quando
os pais, entusiásticos, vão colecionando as fotos dos
filhos à medida em que eles crescem.
Na figura está todo o passado da criatura vivente na Terra.
Olhando-o, e reflexionando em suas experiências, podemos muito
bem imaginar quão venturoso será o futuro.
Já evoluiu-se tanto. E nessa expansão constante, as dimensões
universais que hoje ainda parecem intransponíveis, se tornarão
vielas que a criatura cruzará num piscar de olhos.
Mas não serão as dimensões a encolher, e sim o
indivíduo a crescer. Daí, os passos, miudinhos de início,
se agigantarão. Com os pés sobre um planeta dará
as mãos a outro seu igual postado em outra esfera. O universo
ficaria pequeno. E´ por isso que ele também expande, já
diz a ciência, por que senão, como iria comportar tantos
e tantos gigantes.
Só mais uma informação antes de olharmos nosso
passado. Em 1979 tivemos a felicidade de conhecer o livro A Grande
Síntese, obra inspirativa canalizada por Pietro Ubaldi. Estudá-lo
foi a porta que se nos abriu, descortinando o ilimitado horizonte da
metafísica. O primeiro degrau. Foi a partir dele que, também
por inspiração, demos início ao estudo que ora
se faz, bem como a idealização desta figura. Vamos a ela.

Ponto "A"
na figura, foi o momento da partida, o despontar da centelha de vida;
ponto "B", chegada e
vivenciamento no reino mineral da Terra, (apostila 12);
ponto "C", regresso ao
plano Astral onde fortalece o protótipo de seu corpo Astral;
ponto "D", retorna à
Terra física, agora ao reino Vegetal, (apostila 12);
ponto "E", tendo passado
por toda a escala de espécies vegetais, retorna ao plano Astral,
consolidando ainda mais o protótipo do corpo Astral. Agora contendo
amostra das sensações;
ponto "F", outra vez
volta à Terra física para, no reino Animal e passando
por todas as espécies, dirigir organismos mais complexos, (apostila
13);
ponto "G", o grande momento,
quando, despertando no plano Mental Superior, atinge a condição
de Individualidade;
ponto "H", naquele plano
dá início à formação do que será
o seu corpo Causal, condição para dar seguimento à
extensa viagem, (apostila 14);
ponto "I", desce ao Mental
Inferior dando partida à formação do corpo Mental,
(apostila 15);
ponto "J", segue ao Astral
ativando ainda mais o protótipo do corpo Astral, dando ao mesmo
o princípio da forma humana;
ponto "K", retorna ao
Mental Superior e consolida ainda mais o corpo Causal com vistas ao
novo tipo de jornada a ser empreendida;
ponto "L", segue ao Mental
Inferior e ativa um pouco mais o corpo Mental, pois agora suas ações
estão sendo feitas no reino Elemental, (apostilas 17 e 18);
ponto "M", por reflexo
das providências acima, também o corpo Astral mais se anima;
ponto "N", vencendo o
tempo no reino Elemental retorna ao plano Mental para novos preparativos
e dinamizações do corpo Mental;
ponto "O", assim constituído,
o corpo Astral também já possui em definitivo as características
humanas o que permitirá o passo seguinte;
ponto "P", inicia a fase
humana e nesta, durante longérrimos milênios, fortificará
os corpos Mental e Astral, (apostila 19):
ponto "Q", encerra a
fase humana recolhe-se ao plano Mental.
Agora passa a outro grande momento de sua vida. Com o corpo Mental
bem definido e desenvolvido, não necessitará mais dos
retornos à vida física. O ciclo agora estará entre
o plano Mental e o Astral;
ponto "R", descerá
apenas até ao plano Astral, e deste, vencendo a necessidade de
permanências nos planos da fase Evolutiva Humana, alçará
vôos maiores, "subindo" aos planos da fase Evolutiva
Super-Humana, (apostila 15), que na figura representamos com a seta
se dirigindo à origem "A".
A grande viagem está recapitulada.
Uma vez que através da figura 24A pudemos recapitular a trajetória
da consciência nesse largo espaço de tempo que tem passado
neste planeta, sigamos agora à análise conceitual de cada
uma das fases percorridas como personalidade humana.
Apesar de nas apostilas 21 a 23 ter sido feito comentários dessa
fase, torna-se, porém, necessário repassar um pouco mais
demoradamente aqueles períodos para se compreender com total
clareza porque a consciência vem de habitar, via veículos
de manifestação, ambientes como o deste planeta.
Começamos lembrando, como se comentou na apostila 10, que a
Mônada tem uma duplicidade de vida. Uma no plano Monádico,
do qual não se ausenta nunca, e ali gozando da total integridade
de seus poderes, e a outra, alternativamente em algum plano inferior
aquele, onde, temporariamente, se manifesta através de um corpo
apropriado.
Outro ponto a ficar bem claro é o da necessidade dela "descer"
a esses planos de manifestação, como condição
insubstituível para evoluir. Portanto, dois pontos que não
devem ser esquecidos para se compreender as razões dessa viagem.
O histórico é o seguinte: O plano geral da obra da criação,
na parte direcionada à evolução da criatura, ao
que nos é dado saber, diz que as centelhas de consciência,
em suas condições primárias, início de despertamento,
recebem agregados de partículas de matéria em seus raios
de vida. (Vide apostilas 10 e 11).
Essa junção resulta no que podemos chamar de agregado
dual, ou seja, formado por duas partes distinta; o espírito e
a matéria.
Nesse início tudo é muito simples e de pequena expressão
volumétrica. Porém, na medida que se transforma evoluindo,
a consciência, ao invés de permanecer "perdida"
no meio de muitas, e animando só uma partícula, passa
a ter um corpo inteiro só para si.
Com outras palavras isso significa o seguinte: no começo de
suas experiências na Terra, no reino Mineral, a consciência
é agregada a uma única partícula de rocha, por
exemplo. Não precisa mais do que isso porque todo o transcurso
daquela fase é feito sob inteiro controle de um Deva Grupal.
A Alma Grupal.
Transpondo esse reino e passando aos outros, vai se especializando
no comando de não mais uma única partícula, aquela
que ela animava, mas de várias ao mesmo tempo. Isto é,
já é capaz de tomar conta de um pequeno grupo de consciências,
inferiores à ela, e que estão animando cada partícula
do conjunto geral do qual ela também faz parte. Todavia, ainda
sob a tutela de um Anjo Grupal. Até que num belo dia, e toda
história tem seu belo dia, nossa amiguinha toma sob seu exclusivo
cuidado a direção de um corpo inteiro.
Como se vê, já é alguma coisa mais importante.
Mas, raciocinemos, o que é um corpo ? Não é o aglomerado
de muitas partículas que chamamos moléculas ? E essas
partículas são alguma coisa amorfa, sem vida ? Não
! Cada partícula, por mais ínfima que seja, e não
importa a que reino pertença, tem em si uma conscienciazinha
ali trabalhando.
Pietro Ubaldi, em A Grande Síntese, à página
95, editado pela Livraria Allan Kardec Editora, cita que
"Cada individualidade resulta composta de individualidades menores
(...)".
André Luiz, espírito, pela psicografia de Francisco Cândido
Xavier, em seu livro Missionários da Luz, página
223, editado pela Federação Espírita brasileira,
conta que "O homem do futuro compreenderá
que as suas células não representam apenas segmentos de
carne, mas companheiras de evolução, (...)".
Annie Besant, em seu livro Um Estudo sobre a Consciência,
página 119, editado pela Editora Pensamento, assim relata: "Cada
célula no corpo é composta de miríades de diminutas
vidas, cada uma delas com a sua consciência germinal."
Retornando a Pietro Ubaldi no seu monumental A Grande Síntese,
agora à página 243, acrescenta que "Cada
célula tem, para isso, a sua pequena consciência, que preside
ao seu recâmbio em todos os tecidos, em todos os órgãos."
Manoel Philomeno de Miranda, espírito, pela psicografia de Divaldo
Pereira Franco, em seu livro Painéis da Obsessão,
página 7, editado pela Livraria Espírita Alvorada Editora,
assim se expressa quanto ao mesmo tema: "São
bilhões de seres microscópicos, individualizados, trabalhando
sob o comando da mente, (...)".
Os trechos acima, vindos de autores renomados e de autêntica
credibilidade, explicitam sobre o lado oculto das partículas
que compõem os corpos, revelando que cada uma delas, aos bilhões
em cada corpo, é uma consciência em despertamento, comandadas
por uma consciência maior, aquela que anima todo aquele corpo.
Assim sendo, a Mônada atingindo o portentoso nível da
chamada condição humana de vida, toma o comando geral
de um corpo só para si. O que, dentro da visão metafísica,
ela está assumindo o controle de incontáveis outras consciências
em estado inicial de despertamento, que, por isso mesmo, estão
primitivamente agregadas às partículas que formam aquele
corpo que lhe serve.
E´ complicado compreender o que acima ficou comentado ? Nem tanto
assim. Pode haver alguma dificuldade para a compreensão, entretanto,
estamos falando apenas sobre o encadeamento que a vida, como um todo,
impõe a todas as criaturas. A interdependência de uns pelos
outros.
Os grandes são formados pelos pequenos, que, por sua vez, são
amontoados dos pequenininhos, e os pequenininhos ........ e a escala
segue cada vez menor. Até quanto, não sabemos. Mas é
assim que nos ensinam os inspiradores de A Grande Síntese, à
página 95, citada acima.
Nesse encadear de ações, a consciência não
só progride, como também impulsiona, com sua influência,
o progresso daquele enorme contingente microscópico que lhe estrutura
o corpo que usa. Mesmo porque, em tempos idos, essa Mônada condutora
de hoje, já foi uma conscienciazinha conduzida, igual às
tantas que agora conduz. Isso tudo faz parte da Lei das Atrações,
que determina que embora distintas, consciência e matéria,
terão, todavia, que se aproximar. "São
distintos, mas é necessário a união do espírito
e da matéria para dar inteligência a esta."
(Pergunta 25 de O Livro dos Espíritos).
Daí, portanto, se constitui a irresistível necessidade
que a consciência "sente" de "descer" à
matéria. Ou seja, sua evolução depende do sucesso
que obtiver nas vivências em contato com a matéria. Do
domínio que sobre esta estabelecer, pois em si a matéria
é composta de moléculas contendo miríades de consciência
evoluindo por força da atração que a consciência
evoluída exerce sobre elas.
Por isso, no início da viagem evolutiva precisam das Almas Grupais.
Mais tarde, possuidoras dos recursos que a inteligência proporciona,
já podem, por si mesmas, se autoconduzirem. Além disso,
essa necessidade irrecusável de "descer" aos planos
inferiores, é o irresistível fluxo de vida que a todos
arrasta em direção ascensional.
Mas, e toda história também sempre tem um mas, aí
começa a tragédia. Uma vez na matéria de nosso
plano, e usando dos atributos de uma individualidade, quais sejam, inteligência
e livre escolha, não apura de início sua vista. Isto é,
o discernimento. Com a "vista descuidadamente turva", não
faz distinção entre o que é real do que é
ilusório, deixando-se arrastar pelas aparências. Dá
mais valor ao ilusório que ao realístico.
Em virtude desse desvirtuamento medidas corretivas são tomadas
para reverter os rumos que seguiam numa direção perigosa.
Tais medidas tomam os nomes de dor, enfermidade, infelicidade, desilusão.
São estes instrumentos de que se servem os Administradores Cósmicos
para chamarem os discípulos de "volta à casa do Pai",
o ponto "A" da figura 24A. Entretanto, esclareçamos:
estes instrumentos são de aplicação automática,
feita pela própria consciência sobre si mesma. Não
se tratam de aplicações penais, tipo tribunal, julgamento
e sentença. Não.
A
figura que representamos aqui ao lado demonstra o indivíduo caminhando
por suas próprias pernas sempre na direção ascensional.
Todavia, dado aos desviamentos, em certo momento do trajeto terá
de defrontar-se com o portão do Carma e do Dever, em reencarnações
sucessivas, e nestas acertar-se consigo mesmo.
Ao fundo da figura, simbolicamente, a fonte de irresistível
atração, e, como vemos, não há nenhum outro
caminho que permita atingi-la, a não ser passando pelo "pórtico"
seletor.
Para o Cosmo, não importa o tempo que o indivíduo consumirá
para percorrer esse trajeto, até porque, para o Cosmo, tudo é
um eterno Presente. Ao indivíduo, sim, competirá decidir
a velocidade de seus passos, que serão progressivamente mais
rápidos na medida em que se sentir cansado das ilusões
da matéria.
Uma ilusão que a própria ciência terrestre já
começa a dar seus sinais de que, realmente, tudo o que tocamos
e vemos é produto da incapacidade dos nossos sentidos de registrar
o REAL acontecimento.
Exemplo
seguindo a figura 24B: o que aos nossos sentidos se parece sólido
é, na verdade, um aglomerado de átomos movimentando-se
vertiginosamente. Nesse vertiginoso movimento ocupam espaços
sucessivos, provocando a ilusão do sólido.
O exemplo continua: por sua vez o átomo não é
uma esfera sólida. O vemos ampliado no segundo quadro da figura.
Ele é composto por um núcleo e elétrons que giram
em torno desse núcleo.
O núcleo também não é um sólido.
Ampliado no terceiro quadro da figura, vemos que ele é composto
por prótons e nêutrons. E assim, prossegue a escala de
componentes cada vez tendendo ao infinitamente pequeno.
Tudo isso já é do conhecimento de qualquer adolescente
cursando as noções de ciências básicas. Agora,
quanto à ciência acadêmica, esta, também dá
sua contribuição afirmando que o Universo que habitamos,
na forma que o vemos e sentimos, é resultado da incapacidade
dos nossos sentidos. Daí o nome ilusão que, desde as mais
antigas instruções metafísicas vindas das religiões
orientais é chamada de Maya.
Quanto à citação da ciência acadêmica
para essa questão, fazemos referência a Alain Aspect, francês,
e David Bohm, inglês. O primeiro fez a constatação
de que as partículas subatômicas, digamos o elétron,
comunicam-se instantaneamente uma com outra, mesmo que estejam separadas
por astronômicas distâncias. Diz Alain: "Mesmo
que a distância que as separa seja de bilhões de quilômetros,
de alguma maneira uma partícula sempre sabe o que a outra está
fazendo."
Em conseqüência da descoberta de Alain, David Bohm concluiu
que, como já diziam as ciências do Oculto das religiões
orientas, "o universo não é
o sólido que pensávamos".
Não iremos detalhar, aqui, as temáticas de Alain Aspect
e David Bohm. São complexas, como não poderiam deixar
de ser, e foge ao propósito deste trabalho. Entretanto, a literatura
mais atualizada das ciências quânticas traz todas essas
informações. Aos que se interessarem...
Voltemos, então, à viagem de nossa Mônada, ingressada
nesta, aparente, complexidade existencial. Contudo, a seqüência
dessa descrição a faremos nas próximas apostilas,
quando a encontraremos na condição de personalidade humana.
Veremos as forças que na primeira metade da fase do ciclo humano
a prendem à matéria, e as outras que na segunda metade,
desse mesmo ciclo, vai libertando-a do jugo da ilusão. Como diria
Lao-Tsé: o jugo dos desejos humanos.
Nossa descrição abrangerá desde o raiar junto
às civilizações primitivas, indo até ao
ápice da compreensão da verdadeira função
da vida na Terra: Atingir a Unidade que, neste planeta toma as feições
de fraternidade. A grande recomendação messiânica
de Jesus: "Amai-vos uns aos outros".
Bibliografia:
Autor Título Editora
Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - questões 166 a
196 - 536 a 540 - 614 a 957 - Livraria Allan Kardec Editora
Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo 5
e capítulo 8 item 5/7 - Livraria Allan Kardec Editora
André Luiz/Francisco C. Xavier - Missionários da Luz -
páginas 223 - Federação Espírita Brasileira
Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - página
62 - Editora Pensamento
Annie Besant - Um Estudo sobre a Consciência - página 119
- Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Áureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - Federação
Espírita Brasileira
Bot Toben e Fred Alan Wolf - Espaço-Tempo e Além - páginas
16, 41 e 107 - Editora Cultrix
Charles W. Leadbeater - Compêndio de Teosofia - páginas
13 e 19 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volumes I - II e V
- Editora Pensamento
Manoel P Miranda/Divaldo Franco - Painéis da Obsessão
- página 7 - Livraria Espírita Alvorada Editora
Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Página 72, 95 e 243
- Livraria Allan Kardec Editora
Revista Veja - Edição 1915 - 27 de Julho de 2005 - página
103 - Editora Abril
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Agosto de 1996
Revisão Outubro de 2005
Distribuição Gratuita de toda a série - Copiar
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