Apostila 26
A
CRIATURA
Nossa Mônada viajora, agora excursionando pelo reino Humano, começou
a enveredar-se pelo rumo do ilusório. Na condição
de indivíduo deixou-se contrariar pela situação
de menor destaque que ocupa na sociedade, revoltando-se com o que ele
chama de "sua sorte".
Não compreende que em tudo se inicia pelo simples, passando,
mais tarde ao complexo. Não imagina assim, e se deixa arrastar
pela frustração revoltosa. Impotente diante dessa ordem
evolutiva que o coloca, temporariamente, naquela fase, isto é,
na extremidade inicial da condição humana, prefere sucumbir
ao esquecimento de que é um espírito, e mergulha na atração
do corpo. Afundado em vícios espúrios, é como se
encontra quando vai passar ao terceiro degrau.
O PERSEGUIDOR DE RIQUEZAS
Devido
aos agravos acumulados quando esteve no segundo degrau, agora, no início
desta fase, o indivíduo esbarra com as primeiras dificuldades.
Embora já possa ocupar esse terceiro posto, impulsionado, porém,
pelo jugo das ilusões não possui ainda um corpo Mental
à altura. Seu intelecto pouco oferece diante dos novos desafios.
Constata que administrar, econômica e independentemente, a própria
vida, tal qual desejou, é tarefa das mais difíceis. Todavia,
não há como retroagir. Os inexoráveis impulsos
ilusórios acumulados em si, o espicaçam na direção
de ilusões maiores.
Assim vai, e com um pouco de bom-senso, mas sentindo a incapacidade
para adaptar-se ao novo mundo de empresário, começa pelos
pequenos negócios.
Com os recursos financeiros que acumulou instala-se num pequeno estabelecimento
comercial. Um bar, um bazar, uma mercearia. Estas são as opções
ao seu alcance.
Comercializando objetos de pequeno valor vai exercitando o raciocínio
sobre o funcionamento do intercâmbio comercial. Aprende da matemática
dos lucros e haveres. Esta, aguça-lhe a ambição,
e cada vez mais quer aplicar a fórmula lucrativa do entregar
menor porção de mercadoria recebendo maior valor em dinheiro.
Até lhe parece uma mágica de resultados ilimitados. Do
raciocínio calculista inicial passa à esperteza. Cria
artifícios relacionados à qualidade do que vende para
auferir maiores lucros. De consciencioso passa a inescrupuloso. Seus
olhos se deliciam na volúpia de conferir o montante arrecadado
a cada dia.
De alguma forma prospera. Os pequenos negócios deixam de lhe
interessar. Suas metas, agora, são de empreendimentos maiores.
Sua nova onda de perseguição.
Com o passar do tempo, e ainda vinculado ao terceiro degrau, vamos
encontrar aquele incipiente comerciante, agora, um exímio homem
de negócios. Empreendedor, empresário, executivo. Um homem
que só enxerga números e só existe em função
de lucros, não importando se para obtê-los tenha que surrupiar
e corromper.
E tanto isso é verdade que toda a riqueza do mundo está
nas mãos dos negociadores, ou melhor, dos especuladores. Estes,
mesmo não produzindo nada, controlam a movimentação
mercadológica em todo o globo, fazendo o jogo das aplicações
em Bolsas de Valores. Uma espécie de cassino, onde as apostas
são feitas sobre as Ações, (papeis), que representam
o capital das empresas. Empresas crescem, ou vão à falência,
dependendo dos resultados e interesses dos especuladores que, num simples
digitar de senhas, fazem valorizações fantasmas para atrair
os incautos. Depois, sem nenhum escrúpulo, retiram o dinheiro
criando uma desvalorização, levando a empresa à
falência.
Para estes, não importa que seus atos façam milhares
de famílias perderem seus sustentos. Sem sair de seus escritórios,
fazem o dinheiro circular pelo mundo, buscando quem oferece mais por
ele.
Se lhes é incontido o desejo de ganância, essa força,
entretanto, já que instalado está na sociedade humana,
é também aproveitada pelo Governo Oculto. Da seguinte
forma: Os que se encontram no ápice do controle econômico
terão que arcar com a incumbência e inquietude de conduzir
os que para eles trabalham.
A ganância os fez acumular, agora arcam com o peso de, dando
emprego, redistribuir o que ganharam. Estão ricos ? Ilusoriamente,
sim. Porém, não podem ter um só momento de paz,
já que a cada minuto vivem o pânico de que um possível
concorrente possa lhes tomar a posição.
Nesse círculo vicioso caem no desespero do ter mais e, ainda
assim, se sentir impelido em ter que distribuir mais, mesmo a contra-gosto.
Ao tentar romper esse círculo vicioso, apelando para um plano
de reter mais e distribuir menos, infelicitando aqueles que dele, economicamente,
depende, inicia-se seu fracasso, pois descamba para a desqualificação
do produto em troca de menor mão de obra.
E mesmo que adote máquinas operatrizes em substituição
ao trabalho humano, o desastre não será menor, pois, e
esta é a tendência atual no mundo, faltará ao homem
da rua, seus ex-operários, recursos para consumir sua produção.
Resultado final: Falência do sistema.
Podemos até dizer que o desespero que o trabalho causa é
devido à constante dubiedade do estado de consciência do
indivíduo involuído. Isto é, as lembranças
do passado demonstrando que os esforços de ontem foram bem menores
que os de hoje. Claro, tudo era mais simples. A competitividade era
menor. A ambição era menor. Então, constata que
os esforços de hoje, embora ponham mais lucros em suas mãos,
não lhe dão, porém, a paz sonhada.
Mas, como se disse acima, não há como, pacificamente,
voltar atrás. O círculo social da ilusão fisgou-o
no todo. E´ subir, no conceito bajulador dos homens, ou ser por
eles esquecido. Uma escolha difícil e terrível. Que preço
altíssimo vai pagar para continuar ocupando a posição
"conquistada".
"Assim, o trabalho tornou-se profundamente
degradado; do ponto de vista do trabalhador, seu único objetivo
é ganhar a vida, enquanto a finalidade exclusiva do empregador
é aumentar os lucros".
Quem nos fala assim é o grande analista e pensador da atualidade
Fritjof Capra, e o trecho reproduzido consta do livro de sua
autoria O Ponto de Mutação, página 223,
editado pela Editora Cultrix.
Aqui o citamos porque expressa bem o modo deturpado de pensar no trabalho
em que a sociedade enveredou. O trabalho como forma de adestramento
espiritual, na Terra, perdeu todo seu sentido. Por isso, perdida nas
teias da ilusão, nossa Mônada se deixa carregar de lauréis
humanos.
Um triste e frustrante DEVER construiu para si. Alimentar as bocas,
das quais, gananciosamente, arrancou os alimentos. Cumpri-lo, porém,
vai ficar para outra fase dessa viagem. Por enquanto, submergida no
fausto, o que deseja é mais poder. Nesse impulso assoma ao quarto
degrau.
O AMBICIOSO DE PODER
Este
degrau, espiritualmente falando, é o degrau dos grandes riscos.
Nele, quase sempre o indivíduo resvala para profundo abismo cármico.
Melhor seria que do terceiro se transpusesse ao quinto degrau. Porém,
devido os comprometimentos contraídos naquele, ser-lhe-á
inevitável transitar pelo quarto estágio.
Somente uma forte dose de renúncia ajudar-lhe-ia transpor o
espaço de agora sem que maiores danos lhe acontecesse. Circunstância
dificílima de ser vivida.
Para esta classificação de O Ambicioso do Poder, os elementos
que nela mais se enquadram são os que ocupam postos militares,
chefes de estado, parlamentares e funcionários públicos
graduados.
O único desejo que os estimula na vida é o exercício
do poder. Oriundos do terceiro degrau, mas cansados de correr atrás
da riqueza, trazem, agora, o sonho do mando. A nova posição
que perseguirão, não importa a que custo. Alimenta-lhes
muito mais a vaidade de galgarem a hierarquia administrativa do que
qualquer outra alternativa, mesmo que mais insinuante.
Isso fica evidente na simples comparação de remunerações
salariais. Um general tem o valor de seu soldo inferior ao de um proprietário
de magazine. Um presidente da república é muito menos
remunerado que um industrial.
Entretanto, nem o proprietário de um magazine e nem o industrial
enfeixam em suas mãos poder tão grande quanto aos de um
general ou de um presidente da nação. Se o ganho financeiro
não lhes é tão sedutor, o poder, todavia, cega-lhes
os sentidos. Inelutavelmente entregam-se aos braços desse tirano,
no onírico desejo de comando.
Para comprovar o que estamos citando, observem dois acontecimentos
que são nítidas demonstrações da volúpia
do poder.
Primeiro, Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos da América,
discursando em provocação à União Soviética,
hoje extinta, dizia que "Apenas um dos
nossos submarinos Poseidon (...) transporta um número de ogivas
nucleares suficientes para destruir todas as cidades grandes e médias
da União Soviética. Nosso poder de coibição
é esmagador." Esta citação está
na página 232 do livro O Ponto de Mutação de autoria
de Fritjof Capra, editado pela Editora Cultrix.
Segundo, o último conflito armado no Oriente Médio, mais
precisamente no Iraque. Até então, nenhum homem havia
possuído em suas mãos tal soma de poder como o que esteve,
e tem estado, ( 2005 ) com George W. Bush, também presidente
dos Estados Unidos da América. Em sua vontade estava, e está,
a autoridade, e dela dependia, e depende, matar, ou não, quantos
queira.
Os dois mandatários acima citados, só não perpetraram
seus mandos até as últimas conseqüências porque
as "forças da Vida", que podemos chamar de energias
equilibrantes, não lhes permitiram consumar a loucura representada
pela prepotência humana.
Como vimos nos exemplos citados, o jogo do poder é sedutor,
e de seu domínio poucos escapam. Mas como o Ser não está
destinado à volúpia, apesar do fausto, das mordomias,
das prerrogativas e da bajulação que se vê cercado,
chega-lhe o dia do enfado.
Percebe que apesar de toda a roda de "amigos" que o cerca,
tudo não passa de hipocrisia, e que para mantê-la, alimentando
seu crescente desejo de mando, terá que ir aos extremos da corrupção.
E´ o momento em que alguma coisa, misteriosamente oculta, lhe
diz que a vida não é só o que ele toca com as mãos.
Há, também, o invisível, e que esse invisível
possui forças maiores que o maior de seus poderes terrenos. Além
disso, forças mais harmônicas que toda a paz que ele consiga
construir.
Decepcionado, olha-se por dentro, e pergunta: "Quem sou eu ?"
Vê-se tão grande entre os homens, porém, no íntimo,
se sente pequeno e desprotegido. Enojado com a falsidade com que é
cercado. Não sabe, ele, que aquele círculo de falsos amigos
era outro dos recursos de que se serve a Lei do Progresso para levá-lo
de volta à casa Paterna.
Desanimado e desiludido com os homens, vencida sua prepotência
de mando, curva-se à evidência de que não é
nada daquilo que seu espelho refletia. No imo da alma começa
a abandonar o desejo de poder. Seus anseios, antes exclusivamente terrenos,
voltam-se para os estímulos do invisível.
Depois de cumprida essa árdua, e decepcionante, etapa de alimentar
as bocas às quais fez passar fome, volta-se ao DEVER de reeducar
a todos que, ao longo de seus mandos, desvirtuou.
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Se, ao que nos lê, é difícil acreditar no comentário
acima, basta uma vista de olhos nas biografias de um Getúlio
Vargas, ou de um Juscelino Kubtschek de Oliveira. Dois dos nossos grandes
presidentes, dois dos nossos grandes abandonados...
O poder é sedutor, dissemos, todavia, efêmero. O saber
é laborioso, mas eterno. Nesse passo, nossa viandante Mônada,
alquebrada, e de muletas morais, se prepara no departamento de "fisioterapia"
cósmica, para voltar à Terra e ingressar, regenerada,
no degrau do Amor.
Bibliografia:
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Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas
Bastos
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Agosto de 1996
Revisão Outubro de 2005
Distribuição Gratuita de toda a série - Copiar
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