Apostila 27
A
CRIATURA
Nossa alquebrada e desiludida Mônada deixa o quarto degrau. Traz
em si profundas feridas que só o tempo, e o trabalho benemerente
pela coletividade, conseguirão cicatrizar, apagando, assim, as
marcas de um vergonhoso tempo.
Todavia, fazê-lo, por si mesma, neste início situada no
quinto degrau, é alguma coisa que não cabe em suas forças.
Sente-se mais desanimada do que encorajada. Preferiria, mil vezes, que
o cosmo a tragasse, e nele se dissolvesse, do que dar os primeiros passos
nessa jornada de reconstrução, que de imediato lhe parece
impossível.
O Governo Maior, porém, não descansa e nem descuida de
seus tutelados. Diante da indecisa viajora providenciam-lhe estímulos
adequados, pois o homem não está destinado à estagnação.

De início, para demovê-lo das acanhadas e medrosas
decisões, os estímulos podem ser comparados ao ferrão
do carreiro que, com as estocadas, faz o boi puxar a carroça.
(Figura 27A).
Mesmo que esta seja pesada, a dor que o ferrão provoca é
maior, não permitindo, por isso, que hajam dúvidas quanto
a seguir ou recuar.
O "carreiro" do destino cármico não arrefece
suas estocadas, e impõe ao "boi" que este cumpra seu
DEVER para com a coletividade de que faz parte. Mesmo que sob lágrimas.
E dizem os entendidos que os bois, como os homens, choram. Mas o destino
tem de ser cumprido, e nele vemos inserido o ex-poderoso e petulante
do quarto degrau.
Agora, sim, começa a compreender a real mecânica da vida.
Adaptando-se à nova modalidade, não sem algum trauma,
pois a circunstância de qualquer mudança causa apreensões,
vai o novato ingressando nesse quinto ciclo. E o faz através
das profissões que oferecem maior possibilidade de proximidade
fraterna com seus semelhantes.
Exemplos: cientistas voltados ao bem comum da sociedade; médicos(as)
e enfermeiros(as) que se desdobram humanitariamente; religiosos, não
importando de que seita, que anseiam pelo amparo aos menos favorecidos;
professores que não medem esforços para dotar a infância
e adolescência de recursos intelectuais enobrecedores, e artistas
de índole elevada que através da música, da pintura
e da literatura traduzem para o pensamento humano a sensibilidade sublime
do pensamento Divino.
Depois de longos estágios nas categorias enumeradas acima, com
as feridas da alma devidamente cicatrizadas, se tornam verdadeiros idealistas.
Os loucos de Amor ao próximo. Os incompreendidos deste mundo.
Não importa se os homens não os compreendem. Eles assim
o são, e o mundo muito deve a todos eles. Quem são ? São
aquelas pessoas movidas por incontidas forças de nobreza. Visam
apenas legar às almas que as seguem a liberdade universal da
qual todas são filhas.
São aquelas pessoas que andam de mãos dadas com seus
semelhantes. Os maiores exemplos nesta categoria vamos encontras nas
pessoas dos grandes reformadores: Krishina, Buda, Lao-Tsé, Zoroastro,
Confúcio, Jesus, Luthero, Kardec.
Também alguns filósofos que por suas humildades souberam
interpretar o pensamento cósmico, apequenando-O, sem contudo
deformá-lo, para que se fizesse ao alcance humano. Sócrates,
por exemplo.
Quando
a criatura atinge esse ápice, esse cume, candidata-se a ingressar
no campo, ou degrau, em que se encontram as Grandes Entidades zeladoras
dos mundos.
Nesse cume, não só o sabe é seu profundo desejo,
como também se tornou um doador, um distribuídos da sublime
Vontade do Pai.
Aprendeu que só saber por saber nada significa. A Lei das Atrações
a que todos estão sujeitos, leva o mestre de encontro aos discípulos,
e vice-versa.
Jesus, tão logo se sentiu pronto para iniciar sua tarefa messiânica,
como primeira providência saiu a convocar aqueles que viriam a
ser seus discípulos, os futuros continuadores de sua obra.
Em razão dessa disposição, a criatura encontra
a motivação pelo saber, qual seja: tornar-se seu divulgador.
Também uma conseqüência direta, pois o SABER não
pertence a ninguém, específico, ou foi feito para uma
só pessoa. Não. Pertence ao Cosmo, e é através
dele que a inteligência Suprema se exprime para com todas as Suas
Criaturas.
Mesmo os grandes Devas, os Arcangélicos condutores de mundos,
os Arquétipos ou os Logos, todos enfim, se inserem na listagem
de dependentes do Grande Todo. Aquinhoam, estes, uma parcela inconcebível
do conhecimento universal, todavia, não é todo o conhecimento
cósmico.
Portanto, a exemplo do trabalho multiplicador do bem efetuado por aquelas
nobres criaturas, também nós, que nos encontramos nos
níveis bem rudimentares da criação, somente somos
aquinhoados com parcelas crescentes do SABER quando nos armamos de coragem
e vontade de nos tornar seus divulgadores.
Assim feito, nossa Mônada, agora refeita das atitudes infelizes
cometidas no quarto degrau, compreende o novo caminho que tem pela frente.
Compreende que tudo no cosmo tem seu utilitarismo voltado, exclusivamente,
para o coletivo.
Qualquer tentativa de se apossar de uma mínima parcela que seja
desse Todo, visando interesse pessoal único, como irreverentemente
o fez quando esteve nos degraus terceiro e quarto, arroja a alma em
profundo e infernal abismo psíquico, cuja repercussão
no mundo físico é a clausura em corpos deficientes, em
reencarnações no futuro.
Todavia, a bondade Suprema sempre maior que o desplante da viandante
descuidada, concede-lhe infinitas vidas com as quais possa reencontrar
seu verdadeiro destino. Assim acontecendo, e transformada, deixa-se
mobilizar por essa diamantina Luz, não mais faltando ao DEVER
de corresponder ao que a ela é devido. Multiplicar junto aos
que lhe vêm depois a propagação dessa mesma Luz.
Lá está, portanto, satisfeitíssima a viajora cósmica,
coroada pela luz da fraternidade. Doravante a simbiose mais gratificante
que possa aspirar é estar ao lado das Grandes Entidades. E´
um longo passo a ser dado, e mesmo que, para nós, nos pareça
impossível realizar tão sublime ascensão, na verdade,
nunca faltam meios de encetar a marcha.
Até mesmo no simples labor de cada dia, quando feito com respeito
e amor à causa que se abraça, isso já é
o efeito de estar juntando pedrinhas para com elas construir o alicerce
que nos dará acesso aos próximos degraus.
De quantas pedrinhas precisaremos ? Não sei responder. Mas,
naturalmente, serão tantas quantas forem necessárias.
Nem mais e nem menos, proporcionalmente ao esforço do DEVER bem
cumprido em cada existência.
A posição no quinto degrau implica naquela parábola
do servo vigilante onde Jesus assim diz: "E,
a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que
muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá." (Lucas
12:48)
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Completamos, com as anotações acima, os comentários
dessa escalada na face da Terra. Esclarecemos que apesar de ter usado
a simbologia dos degraus para situar as diversas categorias dos seres,
isso não significa que aquele que ocupa o quinto degrau seja
superior ao situado no segundo degrau, por exemplo.
Na escala cósmica das categorias não existe superior
ou inferior, pois cada criatura vivente no planeta, como ficou dito
em boletim precedente, em toda e determinada etapa do tempo ocupa EXATAMENTE
a posição que lhe é própria, considerando-se
o agregado das Leis de Reencarnação, Carma e Dever.
Isto é, por maior ou menor essa criatura posas nos parecer perante
a sociedade humana, frente à engrenagem da vida ela é,
entretanto, igualmente importante a todas as demais. Os preconceitos
da vivência terrestre é que nos induzem à ilusão
de que o nascido em palácio seja mais importante que o nascido
em casebre.
Porém, assim não o é, e a Reencarnação
vem nos provar que hoje podemos ocupar palácios e amanhã
poderemos viver em casebres. Tudo absolutamente vinculado à Reencarnação,
ao Carma e ao Dever. Reis ou mendigos, somos todos iguais perante às
Leis da Criação.
Nesse contexto encontramos no livro MEMÓRIAS DE UM SUICIDA,
autoria de Yvonne A. Pereira, páginas 478 e 479, editado pela
Federação Espírita Brasileira, algo que expressa
muito bem esta nossa análise. O trecho em questão conta
que na personalidade daqueles que estiveram como escravos no Brasil,
à época da colonização, muitos eram reencarnações
de importantes autoridades que assim o foram ao tempo do império
Romano. O império dos Césares. Arrependidos, voltaram
como Seres considerados de escória para poderem pesar os desmandos
de seus tempos de autoridades.
E´ importante pensar nisso por que, perguntamos, quem está
por detrás da personalidade humano de hoje, conosco convivendo
?
Um segundo conceito que deve fazer parte de nossas reflexões
é o relacionado à figura 25A, apostila 25. Vemos em degraus
seqüentes as diferentes categorias humanas. Aparentemente um grande
caos. Mas só aparentemente, pois o evoluir do próprio
planeta, circunstância natural no cosmo, fará com que pela
Lei das afinidades, ou atrações, os degraus tendam a se
nivelar.
Mas esse nivelamento tão desejado, pois intuímos que
só nele encontraremos a paz e a harmonia sonhadas, será
fruto de um trabalho conjunto, desde as forças que chamamos naturais
e interiores do planeta, até às nossas, pessoais e conscientes.
E´ bom não nos iludirmos. A ação compete
a todos.
Todavia, o DEVER nenhuma apreensão deve nos causar. Fazendo
um pouco a cada dia, no atento cuidado de não esmorecer, estaremos
trilhando a rota certa.
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E a Mônada, essa importante transeunte do Cosmo, completou sua
viagem ? Com a descrição dos degraus evolutivos humanos
na Terra, podemos considerar que ela atingiu o máximo de evolução
a que a criatura está destinada ?, se é que haja um máximo
?
Não ! A viagem não terminou, e uma outra síntese
veremos na apostila seguinte, para que possamos visualizar os ciclos
percorridos e os a percorrer, dentro deste sistema Solar.
Bibliografia:
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- Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito
e Alma - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Psí Quântico - Editora
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Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas
Bastos
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Agosto de 1996
Revisão Outubro de 2005
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