Apostila 22
______________________________Despertamento e Mediunidade
- III___
Analisando a instrutiva crônica elaborada por Holger Kalweit vamos
descobrindo este outra lado dos acontecimentos relacionados ao despertar
da consciência. Estamos vendo que a chamada faculdade mediúnica
também é um fato, dos mais importantes, para o ajuste
do EU em seu contexto de vida cósmica.
Esta outra face dos acontecimentos em estudo revela que no lado oculto
de todas as coisas existem inteligências interagindo com as nossas.
Como
exemplo ilustrativo temos a figura 22A. Nela temos seres em variadas
colorações representando as inimagináveis inteligências
existentes no cosmo, interagindo com o gênero humano da Terra.
Interação mútua, porque nossas emissões
mentais são registradas por elas. Esse intercâmbio, a todo
instante está acontecendo, embora não seja claramente
perceptível a todas as pessoas.
Pois bem, de todos os depoimentos colhidos nas mais variadas regiões
do globo, pois Kalweit relata casos de xamãs - médiuns
- da Sibéria, Filipinas, Hawai, Austrália, Peru, Coréia,
África, etc, todos os envolvidos só se livraram dos tormentosos
períodos de adaptação quando completaram o ciclo
preparatório e se tornaram xamã, conforme o termo empregado.
Para nós, acostumados com esses transcursos, e de experiência
própria conforme relatamos nas duas apostilas precedentes, sabemos
bem que isso significa a preparação do desenvolvimento
mediúnico.
Repetimos que tão logo o médium se encontre devidamente
desenvolvido, ou adaptado, seu conjunto físio-psíquico
volta a estabilizar-se, contudo, dentro de um novo padrão perceptivo,
mais destacado que o anterior. Ou seja, passa a perceber o sentido e
os por quês das coisas. (Na série Mediunidade,
damos amplas informações sobre todo esse transcurso preparatório,
ou como é comumente chamado, desenvolvimento mediúnico).
Portanto, os textos de Kalweit revelam outra maneira possível
de ocorrer um despertamento.
Mas, da apostila anterior, ficou uma pergunta a ser respondida, e ela
veio em razão de que Kalweit conta que todos os despertar de
consciência eram precedidos de traumáticos estados de desarranjos,
comumente confundidos como doença.
A pergunta é formulada pelo próprio autor dos relatos,
como também, aguçou nosso interesse nesta questão,
e aqui vamos tratar dela.
"Por que temos de adoecer antes de podermos
aceitar essa nova maneira de perceber ? Por que a entrada num nível
mais amplo de experiência é marcada (...) por uma doença,
ou, podemos dizer, por um processo de limpeza ?"
Realmente um fato curioso, e que arrasta tanta gente a dúvidas
atrozes. Por que não conseguimos entrar no nível superior
de percepções psíquicas sem que antes passemos
por uma lavagem geral ? Esse é o teor da pergunta registrada
acima.
Vejamos
como poderemos responder a essa pergunta. A série completa de
nossos estudos vem mostrando a ampla jornada de vida pela qual a centelha
espiritual de cada Ser tem viajado. Desde as formas mais rudimentares
até ao homem, muitos têm sido os corpos que a consciência
vestiu. Figura 22B.
Nessa troca de formas exteriores, conforme a razão nos esclarece,
ocorreram deslizes comprometedores que fixaram o indivíduo, estacionadamente,
em seu passado. Não obstante esses interregnos, nenhuma das criaturas,
porém, está destinada à estagnação.
Por causa disso, num dado momento da existência ela é concitada
a prosseguir.
Suas roupas, verifica-se, não estão adequadas à
nova escala de viagem que irá empreender. Estão, digamos,
sujas. Será preciso limpá-las. E´ quando, então,
no seu trajeto de vida surge a operação limpeza. Transformação,
para sermos mais exatos, pois não estamos falando em banhar os
corpos, ou o corpo. Estamos falando em transformação psíquica.
Enquanto se situava em corpos dos reinos inferiores, "Mineral
ao Elemental", essas transformações foram feitas
por força de automatismos e dirigidas por Seres que disso cuidavam.
(Vide a série A Criatura). Entretanto, estando o Eu Maior
dirigindo corpos no reino Humano, implica que agora se tornou um Indivíduo,
isto é, possui vontade própria. E nem sempre a vontade
espontânea, própria do indivíduo, aceita sua transformação
psíquica.
Mas nem por isso ela deixará de acontecer, pois faz parte dos
Planos Maiores de vida que essa transformação, evolução,
aconteça. E para tanto, o expurgo de determinados registros do
passado, do indivíduo em questão, que incidem sobre o
momento presente, deverão ser eliminados.
Num
dado momento, então, soa o alarme do relógio cósmico
que controla nossas vidas, dizendo-nos dos chamados para as transformações.
Não importa o que sejamos na vida social. Soado o alarme ( figura
22C ) nada mais detém o processo de transformação,
e inicia-se a série de acontecimentos relativos à limpeza
psíquica.
Como o expurgo psíquico incide sobre o físico, dada a
interpenetração de um sobre o outro, isto é, do
corpo Astral sobre o corpo Físico, neste a operação
limpeza toma a feição de doença. Não é,
propriamente uma doença. São desarranjos orgânicos
provocados pela fluidez das novas energias que passaram a interagir
com aquela pessoa, com o fito de provocar o expurgo.
De princípio, entretanto, e a lógica assim nos diz, não
seria preciso adoecer para atingir os níveis superiores de
percepção. Isto é, adoecer não é
um quesito obrigatoriamente a ser atendido. Todavia, repetimos, em razão
dos desvirtuamentos perpetrados em existências findas, nesta,
impulsionado pela lei do progresso, vive o indivíduo o expurgo
corretivo de seu passado, na forma de aparente doença.
Se observarmos os sistemas religiosos existentes na Terra, veremos
que nas mais variadas tradições, de todos os povos, encontram-se
cerimônias de iniciação, cujo sentido é o
da purificação, no intento de permitir acesso a algo que
seja superior. Exemplos: batismo nas igrejas Católica e Protestantes;
rito de iniciação na Maçonaria; lavagem da cabeça
dos médiuns na Umbanda, etc, e o mais popular de todos, que é
o jejum de alimentos.
Este último seria para aliviar o corpo das tensões digestivas,
uma espécie de mortificação, e permitir mais liberdade
ao espírito do praticante, pois, como é sabido, a ausência
de alimentos enfraquece o corpo. Este enfraquecido afrouxa os liames
que o prendem ao corpo Astral. A partir daí, a pessoa começa
a ter alucinações, acusando que está tendo visões,
ouvindo vozes estranhas e outras percepções que, em sendo
novato no processo, acaba por se encher de temores.
Pois bem, todos os cerimoniais de iniciação são
uma "permissão", ou seja, uma aceitação
do indivíduo naquele meio, com o fito de alcançar um nível
mais elevado de espiritualização. "Um
salto do humano para o sobre-humano", diz Kalweit. Exatamente
o que consta da série A Criatura, quando falamos de evolução
humana e super-humana.
Assim, pois, a suposta doença que acomete a todos no estágio
de despertamento é, exatamente, a operação de limpeza,
a concessão da "permissão", para que
o indivíduo possa ter acesso a significações maiores
da vida, coisa que antes dessa limpeza seu confuso passado impedia.
Não sendo, porém, como dissemos acima, um quesito obrigatório
a ser cumprido por culpados e inocentes. Obviamente, a esmagadora totalidade
da humanidade passa por ele em razão de suas culpas.
Com
a figura 22D estamos ilustrando as duas situações em que
se situam as fases pré, e pós, "a doença do
xamã". Na fase que antecede a doença iniciatória,
a aura do indivíduo se mostra conturbada devido sua bagagem cármica
e as pressões que estas exercem sobre ele. As pressões
são as forças de expurgo com o efeito de limpeza. Obviamente,
que nessa fase as percepções psíquicas estão
situadas apenas no nível da dimensão física.
Após o transcurso do processo de limpeza, ou da "doença
do xamã", em que toda a conturbação se aquieta,
a aura da pessoa se mostra harmonizada e a percepção de
outras dimensões se mostra clara. A pessoa está de posse
da "permissão" que lhe dá acesso aos outros
níveis de vida.
Considerando essas informações, e reforçando a
resposta à pergunta, Kalweit assim descreve esse período
de "obtenção da permissão", ou a fase
da Aura Conturbada, na figura 22D.
"Os estágios importantes da vida
da pessoa têm vínculos com períodos de purificação
interior, de modo que o indivíduo, (...) livre dos processos
de pensamento e lembranças costumeiras, possa progredir, chegando
a uma existência nova e sem sobrecargas."
Livre de processos de pensamento e lembranças costumeiras, significa
livre das pressões psíquicas que seu passado acarreta.
Livre delas, estará em condições de progredir espiritualmente.
Mas o autor prossegue detalhando: "Essa
purificação pode assumir muitas formas: manifestações
puramente físicas, como o vômito, a transpiração,
o jejum, a dor, a febre e a limpeza do corpo com a água, ou o
intenso isolamento psíquico, (...) a exaustão extrema
(...) e a doença real, que traz à tona obstáculos
e impurezas interiores e que, na verdade, os expulsa, produzindo assim
uma sensibilidade aumentada (...)"
Esse elenco de efeitos é, exatamente, o mesmo que acontece com
os médiuns em desenvolvimento, por isso nossa comparação
quando falamos que a transformação do indivíduo
em xamã, conforme a clássica informação
dada por Kalweit, é a mesma com relação ao que
em nossa sociedade chamamos de mediunidade. E´ a purificação,
ou expulsão de impurezas interiores, para que, livre desses estorvos,
a pessoa tenha sua sensibilidade aumentada.
E é esse aumento de "sensibilidade
que permite ao xamã (...) o diagnóstico e a cura das enfermidades
alheias." Em nossa sociedade denominamos de médiuns
de cura.
Como vemos, tudo tem sua razão de ser, e no caso específico
da transmutação perceptiva, o processo que a isso leva
se faz de forma ordeira, seqüencial e objetiva. Mesmo em que pese
o desconforto de período. Jamais qualquer médium, ou xamã
de cura, poderia ser assim aproveitado por seus pares espirituais, ou
mentores, se em si ainda contivesse impurezas comprometedoras da higidez
das outras pessoas. Seria um contra-senso utilizar-se um médium
doente, física ou psiquicamente, ou, como também, possuidor
de um caráter corrupto, para exercer trabalhos de cura. Suas
energias envenenariam os pacientes.
"Freqüentemente, o xamã penetra
a tal ponto no estado do paciente que termina por ter uma experiência
direta dos sintomas e dores da enfermidade, e, assim, adquire um conhecimento
especial da sua causa."
Informação preciosa esta. Nós, os médiuns,
só conseguimos identificar as razões de um determinado
acontecimento que envolva uma pessoa quando, em nós, sentimos
o que ela sente. Há, pois, uma transposição de
energia do paciente ao médium, e este, devido a isso, "lê"
- interpreta - o significado contido naquelas energias.
Não é, portanto, uma interpretação teórica
de algo que se estudou. Não, é sentir a reverberação
das energias do paciente, com toda sua carga contundente. E´ esse
canal que a sensibilidade desenvolvida abre no xamã, ou médium.
Sem o instrumento dessa sensibilidade não lhe seria possível
realizar o trabalho.
A
figura 22E demonstra esse acontecimento que faz parte do trabalho assistencial
que o médium de cura presta. No primeiro quadro, o médium
envia energias corretivas ao paciente. Este, ainda com a aura tomada
por energias nocivas, transfere-as ao médium que se comporta
como canal de exaustão das mesmas. No segundo quadro, final do
passe, a aura do paciente já está composta só por
energias benéficas, recebidas pela intercessão do médium.
Entre os dois, então, reverberam só energias agradáveis.
Como a figura também esclarece, durante esse processo assistencial,
a aura do médium se expande e envolve o paciente. Desta forma,
faculta ao médium "ler" - interpretar - o que
se passa com o paciente. Como disse Kalweit, o "xamã
penetra a tal ponto no estado do paciente"... A expansão
da aura do médium é o que Kalweit chama de penetrar no
estado do paciente. Essa interação, quando muito acentuada,
provoca no médium as mesmas sensações que incomodavam
o paciente. Daí, em muitos casos onde o comprometimento do paciente
é grave, o médium sentir-se nauseado e mesmo enfraquecido
em suas energias.
Isto, porém, embora possa alarmar a algumas pessoas, não
quer dizer que o médium tenha, obrigatoriamente, que passar
pela mesma sensação de incômodo que o paciente vivencia.
Todavia, dada sua excepcional sensibilidade, lhe é inevitável
não registrar, em si, o sintoma do paciente. Até por uma
questão de coerência, sua função xamânica,
ou mediúnica, existe em razão do despertar de sua percepção
além dos cinco sentidos comuns a todas as pessoas.
Assim, pois, caminha o médium, em sua estrada de despertamento.
A faculdade mediúnica lhe vem porque, como ser espiritual que
é, chegou sua hora de transladar-se a significados mais profundos
sobre a vida. Vivenciar, embora na Terra, tanto seu lado físico
quanto sua estrutura espiritual, e isso faz dele um ser incomum.
Se no início do processo transformativo muitas são as
aparentes incongruências a envolver-lhe, com o passar do tempo,
e com a aceitação das tarefas a si destinadas, readquire
a normalidade, e tudo se torna compreensível.
Não é, pois, sem motivo que os ensinos propalados pela
Doutrina Espírita, e que já somam vastíssima literatura,
batem e rebatem na mesma tese da evolução e do reencontro
espiritual, exatamente para levar aos que delas necessitam, as luzes
tranqüilizadoras da razão.
Portanto, e apesar de todas as aparentes incongruências que um
despertar causa, na verdade, ali está, somente, um Ser reencontrando
seu caminho de espiritualização. E isso, repetimos, é
inevitável para todas as pessoas, indistintamente,
pois todas estão destinadas ao progresso. Mais cedo, ou mais
tarde, numa encarnação ou noutra, entretanto, sua vez
também chegará.
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As anotações de Holger Kalweit mostraram um outro aspecto
do despertar. Aquele onde, visivelmente, predomina a influência
de seres desencarnados sobre o encarnado em questão, desaguando
na chamada faculdade mediúnica. Portanto, abrem o horizonte dos
fatos que se desencadeiam num despertar. E se nos aprofundássemos
um pouco mais, veríamos que além das influências
de seres sobre seres, existem, também, as influências inumeráveis
do cosmo sobre o Ser, e vice-versa, como nos referimos na apostila 21.
Mas falar sobre isso, detalhadamente, fica para outra oportunidade.
Desta forma, concluímos que o processo de despertamento espiritual
não se confunde com ritualismo religioso. E´ por isso que
nestas anotações estamos usando informações
que se originaram no campo científico, para demonstrar que são
fatos que chamam a atenção de todos, e não só
da facção mística. O despertar, na verdade, é
o reencontro do Ser com o cosmo de sua Alma.
Esse reencontro com a alma é o que iremos ver na próxima
apostila.
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Nota: Os trechos de Kalweit citados nesta apostila se encontram às
páginas 99 a 113 do livro Emergência Espiritual.
Bibliografia:
Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - - Livraria Allan Kardec
Editora
Jayme Cerviño - Além do Inconsciente - Federação
Espírita Brasileira
Léon Denis - O Problema do Ser, do Destino e da Dor - Federação
Espírita Brasileira
Leopoldo Balduíno - Psiquiatria e Mediunismo - Federação
Espírita brasileira
Michaelus - Magnetismo Espiritual - Federação Espírita
Brasileira
Stanislav Grof e Christina Grof - Emergência Espiritual - Editora
Cultrix
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Setembro de 1997
Revisão em Maio de 2006
Distribuição gratuita citando a fonte