Apostila 10
MEDIUNIDADE - TEORIA E PRÁTICA
1ª Parte
"Qualquer trabalho espiritualista implica acesso a, e manipulação
de, energias potencialmente perigosas. O manuseio destas, de forma irreverente,
quase sempre se converte em complicações irreversíveis
aos que assim procedem."
Com as anotações acima damos início à descrição
prática da Mediunidade. Faculdade peculiar e natural a toda criatura
humana, não obstante, ainda cercada de incompreensões,
crendices e mistérios. Nas apostilas 01 à 09 fizemos referências
a algumas particularidades inerentes à essa faculdade, também
chamada de paranormal. A partir desta apostila, porém, nos deteremos
em análises mais completas, abrigando teoria e prática.
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O Médium e seus Corpos
Para
que se possa entender o mecanismo que propicia o funcionamento da faculdade
mediúnica é necessário que antes se conheça
a constituição integral do SER. Para facilitar essa compreensão
elaboramos a figura ao lado, na qual expomos os corpos que compõem
o SER Integral, e os planos onde cada corpo se situa, respectivamente.
Fazendo referência aos planos de existência, temos:
Planos - 2 - Monádico, dimensão onde se situa e permanece
o espírito, que é também chamado de centelha divina,
ou mônada.
3 - Átmico ou Atmam.
4 - Búddhico ou Buddhi
5 - Mental Superior
Os planos Átmico, Búddhico e Mental Superior são
regiões nas quais se dá a evolução do SER
sob critérios Super Humanos.
5 - Mental Inferior
6 - Astral
7 - Físico
Os planos 5 inferior, 6 e 7 se situam nas dimensões chamadas
de evolução Humana. Etapa evolutiva na qual se encontram
os viventes na Terra. Somente quando vencidas as etapas correspondentes
aos planos 7, 6 e 5, nessa ordem ascensional, é que o SER tem
acesso ao plano 4. O que a figura nos descreve é o que podemos
chamar de O Homem Integral. O SER inteligente, vivente na Terra,
em todos os seus componentes.
Entretanto, para facilitar o estudo da Mediunidade, e apenas para facilitar
o estudo, faremos uso da figura ao lado para descrever esse mesmo SER
de forma mais simplificada. Nela vemos:
1
- Plano Consciencial, no qual estamos resumindo todos os planos
situados "acima" do plano Mental . Será, para este
estudo, a dimensão do Espírito, ou consciência.
2 - Plano Mental, onde, no desenho, englobamos o Mental Superior
e o Mental Inferior. Neste plano o espírito manifesta-se fazendo
uso do corpo Mental, sede do pensamento.
3 - Plano Astral, dimensão onde o Espírito se
manifesta fazendo uso do corpo Astral. Allan Kardec, fundador
da Doutrina dos Espíritos, ou Doutrina Espírita, deu ao
corpo Astral o nome de perispírito. E´ também conhecido
pelos nomes de psicossoma, sede dos desejos e das sensações.
4 - Plano Físico, onde estamos nesta atual existência
como seres encarnados. Neste plano o espírito faz uso do corpo
denominado de humano, também chamado de soma, ou corpo das ações.
Acoplado ao corpo humano e fazendo parte deste, temos o corpo por nome
Duplo-Etérico. Esse nome deriva do fato de esse invólucro
ser a cópia fiel, em matéria rarefeita, ou energética,
do corpo humano.
Esses corpos não se acham desligados uns dos outros. Podemos
dizer que estão separados por força do aspecto dimensional
da matéria de que são compostos, porém, interligados
por tenuíssimos filetes de energia, distribuídos em cada
célula do corpo, quando estes se acham acoplados durante o estado
de vigília.
Quando
os corpos se desacoplam, por motivos vários a que nos referiremos
mais à frente, os tenuíssimos filetes de energia se concentram
num só centro, formando um cordão. Dessa formação
temos o cordão de Ouro, representado na figura acima pelo segmento
"A", interligando o corpo Mental ao corpo Astral, e o cordão
de Prata, segmento "B", interligando o corpo Astral ao corpo
Físico. Os estudos do Cordão de Prata e Cordão
de Ouro serão vistos na apostila 12.
Desacoplamento dos corpos
Alguns fatores que provocam o desacoplamento dos corpos, referente
a Corpo Astral do corpo Físico são - o ato
de dormir; o exercício da mediunidade incorporativa; o estado
de desdobramento psíquico, onde a pessoa tem o corpo físico
num determinado local e, ao mesmo tempo, é vista em seu corpo
Astral em outro lugar; a faculdade de transporte, na qual o médium
transfere de um outro local, ou de uma outra dimensão, objetos
que lá se encontravam; a clarividência viajora, circunstância
em que o médium deixa seu corpo físico em repouso, em
estado sonambúlico, e vai com seu corpo Astral ao local do qual
enviará informações a respeito do que está
vendo; a chamada projeção astral, ou projeção
da consciência, mais comumente conhecida como viagem astral, em
que o projetor, conscientemente deixando o corpo Físico, "viaja"
até o local, ou dimensão, à qual é atraído,
e, por último, a morte do corpo Físico.
Neste último caso, isto é, a morte do corpo Físico,
implica no rompimento do cordão de Prata. Nos demais casos ele
se distende, elastece-se a distâncias inimagináveis sem
que ocorra sua ruptura, permitindo, assim, ao corpo Astral, inteira
liberdade de ação no plano correspondente ao qual se encontrar.
Desacoplamento Corpo Mental do corpo Astral - o ato, no plano
Astral, semelhante ao ato humano de dormir; a mediunidade a nível
mais profundo quando o médium na Terra desdobra-se ao plano Astral
e deste, em etapa sucessiva, penetra no plano Mental, acontecimento
comum na prática da meditação. Neste caso, além
da distensão do cordão de Prata ocorre também a
distensão do cordão de Ouro. E por último, o desacoplamento
entre o corpo Mental e o corpo Astral que se dá pelo fenômeno
chamado de segunda morte. Isto acontece quando, por evolução,
o SER deixa, em definitivo, o corpo Astral, passando a viver só
com o corpo Mental. Nesta circunstância rompe-se o cordão
de Ouro.
Agora, analisemos por partes.
Corpo Humano - E´ o veículo
de manifestação do espírito na face da Terra. Nesta
dimensão os átomos de energia se condensaram na condição
máxima conhecida por nós, e passaram a ser chamados de
matéria. Portanto, matéria nada mais é que energia
condensada, ou Luz Coagulada, no dizer de um autor espiritual, fato
esse largamente conhecido da ciência nuclear.
Os átomos se aglomeram por atração simpática
criando cadeias químicas que dão origem às substâncias.
Estas, por sua vez, mutuamente se atraindo, formam os componentes orgânicos
e inorgânicos. Os componentes orgânicos permitem a formação
dos diferentes órgãos, e estes, em seu conjunto, formam
os diferentes corpos animais que temos na Terra, inclusive o do homem.
Magnífica e complexa escala de acontecimentos e transformações
em cujo cimo se acha o espírito individual de cada SER, regendo,
controlando e determinando a formação, desenvolvimento,
envelhecimento e morte de seu equipamento.
Duplo-Etérico - E´
a parte invisível do corpo humano. E´ composto de matéria
pertencente à dimensão física mas situada na escala
das energias. Esse invólucro energético ultrapassa as
linhas externas do corpo humano em mais ou menos um centímetro.
O Duplo-Etérico é também conhecido como o veículo
vitalizador de todo o conjunto físico.
E´ ele que absorve a energia cósmica distribuindo-a por
toda a parte densa do corpo. Essa energia cósmica é o
chamado "Fluido Cósmico Universal", assim denominado
por Allan Kardec (O Livro dos Espíritos, questão 135-A).
Helena Petrovna Blavatsky também faz referência à
essa energia que preenche todo o Cosmo, chamando-a de Fohat, da linguagem
sânscrita, (A Doutrina Secreta, vol. 1, págs. 158,159,160
e 161). Em outras escolas do pensamento é chamada de Prana, e
outras a denominam de Chi ( Ki ).
Para melhor compreender essa função vitalizadora exercida
pelo Duplo-Etérico, façamos uma comparação.
A vida do corpo humano depende de três modalidades de vitalização,
ou alimentação, quais sejam:
a) - Alimento sólido ou refeições;
b) - Oxigênio do ar ou respiração;
c) - Energia cósmica absorvida através dos chacras.
Os alimentos sólidos são ingeridos e transformados pelo
sistema intestinal do organismo. O oxigênio do ar é absorvido
via pulmões. A energia cósmica é absorvida pelos
chacras, metabolizada e difundida pelo Duplo-Etérico. Portanto,
dentro do processo vitalizador do corpo, o Duplo-Etérico é
de capital importância. Sobre a descrição dos chacras
iremos fazê-lo mais à frente.
Outra curiosidade a respeito do Duplo-Etérico, é que
apesar de sua forma ser idêntica à forma do corpo humano,
não se presta, porém, como veículo independente
para a manifestação da consciência, tal como ocorre
com os corpos Físico, Astral e Mental. Ele é apenas o
componente etérico do corpo humano, daí seu nome ser "Duplo-Etérico",
ou, "Cópia etérica do corpo Físico".
Um composto resultante da associação entre os elementos
do ambiente físico, quais sejam, do sistema nervoso do indivíduo,
e, do ambiente astral, o psiquismo do mesmo.
Dessa constatação ressalta sua importância no fenômeno
da mediunidade que reclama cuidados a serem tomados na forma de disciplina,
como comentamos em apostilas precedentes, para se evitar desequilíbrios
de todo o sistema, que, em acontecendo, se traduzirão nos processos
de descontroles emocionais e esquizofrênicos, como são
chamados na linguagem da psiquiatria.
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Devido a extensão do tema, na próxima apostila daremos
prosseguimento à análise do Duplo-Etérico.
Bibliografia:
Autor - Livro - Editora
André Luiz/Francisco C. Xavier - Entre a Terra e o Céu,
pág. 78 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade,
pgs.99,123, 260 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Missionários da Luz,
capítulo 3 e pág. 323 - Federação Espírita
Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Libertação, págs.
24, 62, 85 e 115 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Desobsessão, capítulo
2 e pág 25 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Evolução em dois
Mundos, págs. 107 e 129 - Federação Espírita
Brasileira
Emmanuel/Francisco C. Xavier - O Consolador, pergunta 151 - Federação
Espírita Brasileira
Hermínio Corrêa de Miranda - Diálogo com as Sombras,
pág 55 - Federação Espírita Brasileira
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito
e Alma, págs. 66, 70, 149, 159, 192 e cap 7 - Editora Pensamento
Waldo Vieira - Projeciologia, capítulos 90 ao 93 - Editado pelo
autor
Albert de Rochas - Exteriorização da Sensibilidade notas
"E" e "L" - Editora Cultural Espírita
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta, vol. I, págs.
158, 159, 160, 161 e 282 - Editora Pensamento
Annie Besant - A Vida do Homem em Tres Mundos - Editora Pensamento
Annie Besant - O Homem e seus Corpos - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - A Mônada - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - O Plano Astral - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Duplo Etérico - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Lawrence Bendit e Phoebe Bendit - O Corpo Etérico do Homem -
Editora Pensamento
Elza Baker - Cartas de Um Morto Vivo - pág 108 - Livraria Allan
Kardec Editora
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Maio de 1995
Revisão em Outubro de 2005