Apostila 2
DESENVOLVIMENTO, COISA MUITO PESSOAL
( 2ª Parte )
Da apostila anterior ficou o comentário sobre treinamento em
grupo, quando fizemos menção que este não dispensa
o exercício individual, pois que todo desenvolvimento psíquico
é assunto particularizado.
Particularizado porque, em análise mais profunda, trata-se de
um encontro do SER consigo mesmo. A razão disso é
simples. O SER, no mais íntimo de sua alma, em vidas passadas,
arquitetou os planos dos quais geraram-se as causas cujos efeitos hoje
o atinge. Estamos falando do Carma, ou da Lei de Retorno. Devido
a isso, só existe uma solução definitiva para harmonizar-se
com a evolução para a qual se sente impulsionado: encontrar-se
consigo mesmo e rearranjar aquela programação anterior.
Em outras palavras, reprogramar sua situação cármica.
Mas pode-se reprogramar uma vida após ela ter se iniciado na
Terra ?, perguntará alguém. Pode ! Neste nosso estudo,
porém, não cabem as informações concernentes
a tal tema, dadas suas extensas proporções, o que desviaria
muito do assunto central deste estudo. Entretanto, nas séries
A Criatura e Reconstrução discorremos
longamente sobre a questão Carma, analisando-a tão profundamente
quanto nos foi possível.
Voltando ao nosso estudo, dizíamos que em vista do confronto
do SER consigo mesmo, que é a fase do despertamento de suas faculdades
mediúnicas, às vezes, o indivíduo se vê a
debater com incômodos relacionados a alterações
emocionais e orgânicas.
Trazendo mais informações a respeito dos motivos vários
pertinentes a essa fase tão crítica do desenvolvimento,
podemos lembrar que o ato mediúnico implica que na outra dimensão
estejam entidades em correspondência de sintonia com o indivíduo
aqui da Terra. Uma ressalva: algumas escolas não utilizam as
terminologias "entidades" ou "espíritos"
para designar os seres viventes nas outras dimensões. Essas escolas,
geralmente, utilizam a palavra "energia" para essa designação.
Como a palavra energia é muito genérica, e nosso estudo
trata de dar definições as mais precisas possíveis,
optamos por usar as palavras "entidade" e "espírito"
como forma de identificação inequívoca.
Prosseguindo, a circunstância necessária para ocorrer
um contato mediúnico é a de que, na outra dimensão,
estejam entidades em sintonia com o indivíduo aqui na Terra.
Isso não oferece dificuldade alguma pois as outras dimensões
estão habitadas por uma população numericamente
superior à população de nosso planeta.
Assim sendo, a probabilidade de acontecer uma correspondência
de sintonia é inteiramente certa em quase todos os momentos.
Isto se dá pelo fato de que da mesma forma que nós, os
encarnados, nos sentimos desejosos de nos comunicar com aqueles que
lá existem, eles também são tomados da mesma vontade.
A motivação é simples: todos os aqui viventes
já estiveram lá, e os que lá estão já
estiveram aqui. Naturalmente, pois, que haja um interesse comum em comunicar-se.
Observem
a figura 02A. Nela, de forma simplificada, representamos a divisão
dos planos existenciais. O plano Astral, que é o mais "próximo",
vibracionalmente falando, da crosta terrestre, o desenhamos com seus
sub-planos para descrever uma importante informação. Neste
plano, em seu sub-plano mais ao nível da crosta planetária,
(sub-plano 3-G), na maioria de sua população estão
os espíritos emocionalmente atormentados. Considerando essa peculiaridade,
os médiuns em sua fase inicial de desenvolvimento, comunicam-se
mais facilmente com entidades dessa categoria, pois a característica
dos fluidos do sub-plano 3-G é muito semelhante à dos
fluidos do plano Físico.
Desta forma, com mais facilidade, os espíritos ali situados
se ligam psiquicamente aos encarnados. E´ por este motivo que
os médiuns em formação quase sempre apresentam
distúrbios emocionais ou até orgânicos, como ficou
citado na apostila 01, pois os fluidos que canalizam nessa fase inicial
causam tais desarranjos. Além disso, ocorrem, também,
manifestações pouco confiáveis e até grosseiras,
pois o médium não sabendo identificar o comunicante deixa-se
impressionar pelos primeiros contatos, achando que é correta
a transmissão que recebe. A inabilidade do aprendiz não
lhe permite, ainda, fazer uma censura segura quanto à qualidade
do comunicante. Todavia, é bom que se esclareça, tal circunstância
é perfeitamente normal na fase inicial.
Podemos dizer que essa fase inicial é o período de reconhecimento.
Tanto o intérprete terrestre, isto é, o médium,
como os espíritos que o assistem estão vivendo momentos
de adaptação. Devido à imperícia daquele
e à sua maneira de vida, que por enquanto continua a mesma de
antes, (os mesmos costumes e os mesmos interesses), quase sempre estará
sujeito a contato com espíritos pouco esclarecidos. A continuação
dos exercícios irá capacitá-lo aos recursos de
censura e identificação do comunicante.
Num sentido de orientação lembramos que o ato de comunicar-se
mediunicamente, ou canalização, é um ato de contato
com o desconhecido. Para nós, os encarnados, tudo do lado de
lá nos é desconhecido. Devido a isso, recomenda o bom
senso que quando lidamos com o desconhecido devemos fazê-lo com
cautela. Esta recomendação é tanto quanto mais
válida para o ato mediúnico. Desta maneira, o iniciante
deve comportar-se com seriedade, disciplina e organização.
Esse hábito mantido ininterrupto, com o passar do tempo de treinamento,
afastará os espíritos brincalhões e perturbadores
de seu âmbito pessoal.
Esta é a maneira segura para o aprendiz tranqüilizar-se
e certificar-se da seriedade dos comunicantes. Uma espécie de
vigilância que não deve ser menosprezada, pois, como dissemos
acima, na fase inicial o médium ainda não distingue dos
seus os pensamentos alheios. Além do que, desde o início,
aplicando-se com senso de doação forçará
os espíritos interesseiros a se afastarem. Situação
que não acontece com os praticantes que se utilizam o intercâmbio
para atender interesses de ganho fácil.
Os bons resultados desta recomendação têm sido
provados na prática por um sem número de pessoas que lidam
no campo da mediunidade, como, também, é a recomendação
básica contida em toda literatura pertinente ao campo dos estudos
psíquicos.
Entretanto, há sempre uma curiosidade rondando o iniciante que
invariavelmente pergunta: Quanto tempo dura esse período preparatório
?
- A resposta é: Não existe um tempo regulamentar e uniforme
para todos aqueles indivíduos que se vêm nesse despertamento.
Como especifica o título desta apostila, e o sub-título
da anterior, o período de desenvolvimento é "COISA
MUITO PESSOAL". Até por experiência própria
podemos dizer que, na verdade, por toda a vida permanecemos numa espécie
de fase de desenvolvimento. São tão surpreendentes os
acontecimentos aos quais os médiuns estão sujeitos que
eles nunca poderão dizer que já estão inteiramente
desenvolvidos e seguros de suas faculdades. Poderão dizer que
possuem boa bagagem de experiências, o que os capacita a exercerem
a tarefa mediúnica com uma certa desenvoltura, mas nunca com
uma TOTAL desenvoltura.
Por que assim acontece ?
Porque o mundo Astral não se submete à vontade do médium,
e nem este tem acesso completo de visão e percepção
do que acontece do lado de lá no momento do contato.
Lembrem-se que o médium é apenas um instrumento. Como
a própria palavra que o designa diz: é um canal intermediador
por onde fluem as energias mentais de outras dimensões em direção
ao plano Físico terrestre. Isto é, ele apenas empresta
seu veículo físico para que outra inteligência,
ou entidade, o utilize para comunicar-se. E, evidentemente, o comunicante
não irá apresentar-se como o médium possa querer,
mas como ele, o comunicante, possa fazê-lo.
Por isso dissemos que apesar de toda a experiência que o médium
possa ter, ainda assim, está sujeito a surpreender-se.
Mas, e depois de passar a chamada fase inicial de desenvolvimento,
como fica aquele iniciante ?
Quando o canalizador atinge essa fase seu ambiente psíquico
dá mostras de melhoria. Ele se apresenta emocionalmente mais
equilibrado e seu organismo não tem mais as variações
de funcionamento. Readquire a normalidade, até em estágio
melhor do que antes. Quanto ao que concerne à mediunidade, ele
consegue distinguir os emissores dos pensamentos com os quais sintoniza,
as suas intenções e caráter. O desinteresse material
do médium e a doação junto aos mentores espirituais,
transformam-se numa característica de universalidade, expandindo-se
em todas as direções.
Por essa época é que se inicia, verdadeiramente, o trabalho
associativo com os Mestres. A partir daí o médium pode
dizer que desfruta de uma assistência espiritual elevada. Tem
aquilo que se chama de "seus protetores", "seus guias",
e com eles passa a desenvolver as atividades que deles são próprias.
Todavia, lembrem-se, essa formação não é
instantânea, pois vivemos cercados das mais diversas influências
deste nosso mundo e do outro. Assim, até que conseguimos traçar
uma diretriz de atividade mediúnica, e à ela passamos
a nos dedicar, levamos um bom tempo nesse esforço de conciliar
nosso EU antigo com a nova vida.
Por essa razão recomendamos a perseverança nos treinamentos
e nos estudos.
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A seguir apresentamos algumas sugestões para o treinamento individual.
Treinamento
1 - Designar um local onde possa fazer o treinamento.
2 - Determinar um período. Exemplo, 15 minutos. Inicialmente
o treinamento não deve ser prolongado.
3 - Escolher a hora mais adequada.
4 - Se possível, o treinamento deve ser feito diariamente.
5 - Na hora escolhida, e durante o período determinado, realizar
o treinamento.
Conteúdo do Treinamento
Agir de forma o mais natural possível. Sem cerimonial religioso.
Agir como se estivesse recepcionando uma amizade comum e agradável.
O importante é a seriedade.
Escolha um tema para leitura e faça-a em voz alta. A leitura
em voz alta desenvolve a dicção e fortalece a confiança.
Além disso, ajuda a desenvolver a intuição. Outra
razão para a leitura ser feita em voz alta é porque alguns
espíritos em fase de tratamento, estando na proximidade do médium,
ainda não conseguem registrar emissão de onda mental,
e, para entenderem o que se passa precisam das expressões verbais.
Após a leitura, se quiser, e será bom se o fizer, faça
um comentário, ou converse sobre o natural de seus sentimentos.
Lembre-se, o invisível está povoado de amigos que o rodeiam.
Após tudo isso, se for de seu interesse, convide os amigos invisíveis
para uma prece, ou mentalização. Após ela encerre
o treinamento.
Inicialmente nada além do que acima ficou recomendado deve ser
feito. Com o tempo, cada um descobrirá recursos complementares
com os quais se sentirá melhor e a modalidade do treinamento
irá se alterando e se prolongando. Contudo, não esqueçam,
mantenham cerrada vigilância sobre si mesmos para detectarem,
logo de início, qualquer mudança emocional ou orgânica
que ocorra.
Procedendo dessa forma, organizadamente, ao treinamento comparecerão
os espíritos instrutores que se farão acompanhar dos demais,
para tratamento.
Bibliografia
Autor (s) Título Editora
Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - Federação
Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C.Xavier - Nos Domínios da Mediunidade
- Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C.Xavier - Mecanismos da Mediunidade - Federação
Espírita Brasileira
Emmanuel/Francisco C.Xavier - Emmanuel - Federação Espírita
Brasileira
Edgard Armond - Mediunidade - Editora Aliança
Léon Denis - No Invisível - Federação Espírita
Brasileira
Miramez/João Nunes Maia - Segurança Mediúnica -
Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Annie Besant - Annie Besant - Editora Pensamento
Annie Besant - A vida do homem em três mundos - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Duplo Etérico - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Astral - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Mental - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Joana de Angelis/Divaldo P. Franco - O Homem Integral - Livraria Espírita
Alvorada Editora
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Abril de 1995
Revisão - Outubro 2005