Apostila 05
A CONSCIÊNCIA E A ENERGIA
2ª Parte
Vimos na apostila 04 que o aumento do fluxo "descendente"
de energia consciencial provoca calor, às vezes frio e até
formigamento. Sensações essas registradas pelos sensitivos
em geral, durante os trabalhos mediúnicos, e que alarmam tanto
os iniciantes.
Vimos ainda que essa alteração da energia consciencial
provocaria, segundo princípios da lei da Termodinâmica,
o fenômeno da entropia. Isto é, provocaria desarranjo na
cadeia celular do organismo do sensitivo. Entretanto, tal não
acontece porque, oculto por detrás de toda essa ocorrência
se encontra o grande maestro da vida individual de cada pessoa: seu
EU verdadeiro. Mas para que esse maestro não perca o controle
sobre todos os "músicos da orquestra", isto é,
sobre cada órgão de per-si, e sobre todo o conjunto, é
preciso estar atento aos limites a que suporta o trabalho mediúnico.
Esse limite de trabalho que não venha a extrapolar o equilíbrio
funcional da cadeia celular do organismo ao qual o EU se acha ligado,
é variável de pessoa a pessoa. Umas possuem maior resistência
orgânica que outras. Entretanto, é preciso ressaltar que
o próprio tempo se encarrega de provocar desgastes no organismo
e, com isso, enfraquecer a coesão da cadeia celular e facilitar
a desagregação da mesma.
Logo, o limite de resistência para o trabalho mediúnico
considerado na etapa da juventude, não será o mesmo quando
o médium estiver idoso, porque o princípio da entropia
é inevitável em todos os seres. A chamada e conhecida
luta contra o tempo, luta essa que todas as pessoas empreendem ao longo
de suas vidas. Sendo assim, inevitavelmente assim, será de bom
alvitre que o médium se cerque de cuidados adicionais com o fito
de garantir uma continuidade mais estável em seu equilíbrio
psíquico e orgânico.
Como exemplo da inevitabilidade da entropia agindo em nossas vidas,
lembramos que mesmo as pessoas dotadas de bons princípios organizacionais
passam a vida corrigindo suas arrumações: casa, escritório,
fábrica, oficina, etc, pois que a tendência natural dos
acontecimentos é provocar desarrumações.
O exemplo mais marcante de uma usual entropia é encontrado nas
tarefas de uma dona de casa. Pela manhã ela limpa e arruma toda
a casa, pondo-a em ordem. Depois, prepara a refeição do
almoço, colocando-a sobre a mesa numa disposição
convidativa ao apetite. (Pelo menos, até algum tempo atrás,
era o cotidiano dos lares. Na atualidade, onde a mulher, necessariamente,
também vai em busca do sustento, esse cotidiano mudou em muito).
A seguir, os filhos chegam da escola e o marido do trabalho. Estes,
para o nosso exemplo, são os agentes da entropia doméstica.
Minutos após a chegada deles a casa já apresenta os primeiros
sinais de desordem. Mochilas escolares jogadas aos cantos, agasalhos
sobre cadeiras, jornais espalhados, e a mesa do almoço... bem,
é melhor nem falar. E num trabalho organizacional, repetitivamente,
lá vai a senhora dona da casa pôr tudo em ordem novamente...
Pois bem, à vida inteira mantemos essa luta conosco mesmos,
pois esta, diríamos, é uma Lei natural que leva o indivíduo
à evolução dos costumes e métodos de vida.
Na própria natureza tudo isso também acontece.
De um lado, irremediavelmente, a natureza depaupera-se com o passar
do tempo. Diríamos, se transforma. Por exemplo: a semente deteriora-se
e morre para que seu rebento, um broto de nova vida possa despontar
da terra. Nesse broto que desponta vemos o esforço desse transformismo,
ainda não totalmente compreendido, que luta por restabelecer
e manter a ordem. Justamente esse transformismo é o que nos interessa
analisar neste estudo da faculdade mediúnica.
Vejamos: no final da apostila 04 dissemos que no exercício de
canalização há um acréscimo de energia e
uma transformação desta, e que isso deveria provocar uma
entropia, ou desordem, no organismo do indivíduo que vivencia
a faculdade mediúnica.
A nosso ver três fatores contribuem para que tal não aconteça.
1º - No médium cônscio da gravidade que incide
sobre a prática de sua faculdade, pelos cuidados que toma, instala-se
um acréscimo na sua capacidade de auto-regular o funcionamento
do organismo, superando, desta forma, a tendência de ocorrências
entrópicas durante a prática dos seus trabalhos.
2º - O EU verdadeiro, o verdadeiro maestro da vida de uma
pessoa, é o regente que, inconscientemente para quando ela mesma
está no estado de vigília, dispara as instruções
de auto-regulação para que os dispositivos situados no
corpo humano entrem em ação neutralizadora dos desarranjos,
em concomitância com os cuidados que, conscientemente, a pessoa
toma.
3º - Mas para que os dispositivos auto-reguladores funcionem
bem é necessário que os canais de interligação
entre o EU maior e seus corpos estejam desobstruídos.
Evidentemente que os três fatores acima comentados se referem
às situações em que o médium, conscientemente,
aceita e pratica, disciplinadamente, a sua faculdade paranormal.
Entretanto, muitos são os indivíduos que não se
apercebem serem possuidores dessa faculdade. Estes agem, ou vivem, em
consideráveis desarranjos emocionais, imaginando que o que fazem
são atitudes próprias, quando, na verdade, são
induções de entidades provocadoras.
Para essas circunstâncias, parece-nos que o afluxo de energia
consciencial provocou uma entropia. Se o desarranjo não foi no
corpo Físico, por exemplo, no cérebro, imaginamos que
tenha sido ao nível do corpo Astral ou do corpo Mental.
Para preservar os sensitivos das surpresas desagradáveis que
qualquer desarranjo produz se instituem centros de estudos das faculdades
psíquicas e, principalmente, estudos ligados aos fenômenos
da mediunidade, como é o caso dessas apostilas.
Esses estudos, compulsando a vasta literatura científica e filosófica
que trata do assunto, procura orientar os iniciantes para que eles não
se deixem arrastar pelos sugestionamentos, inevitáveis, quando
do despontar da faculdade. Afinal, ele, o médium, vai estar intermediando
os dois mundos, como ficou citado nas apostilas 01 e 02, e, por isso,
estará sujeito aos sugestionamentos que se transcorrerão
de ambos os lados da vida.
Os grandes mestres que muito antes de nós tiveram oportunidade
de pesquisar, estudar e orientar organizações espiritualistas
tais como Allan Kardec, Léon Denis, Waldo Vieira, Hernani Guimarães
Andrade, Helena Petrovna Blavatsky, Annie Besant, Roberto Assagioli,
para só citar estes, descrevem em suas obras as normas e cuidados
a serem observadas pelos sensitivos, com o fito de, num modo geral,
se protegerem desses sugestionamentos e de outras ocorrências.
Falam do natural cansaço físico que acontece quando de
qualquer tarefa em nosso mundo e, quando se trata das funções
ligadas à atividade mediúnica, esse cansaço, além
do físico, também atinge as faculdades psíquicas
do indivíduo. Portanto, a prática dessa faculdade deve
ser moderada, de acordo com a resistência pessoal de quem a executa.
Podemos lembrar que as pesquisas na área da paranormalidade indicam
que a vivência do sensitivo deve ser cercada de atos conscientes,
moderados e disciplinados. Dentro desta específica circunstância
temos a seguinte orientação que a prática nos confirmou:
O instrumento de trabalho do sensitivo é seu cérebro.
Melhor dizendo, seu conjunto psíquico. E´ esse instrumental
que ele empresta às entidades para que elas possam comunicar-se
com o nosso mundo. Mas é seu conjunto psíquico que também
controla todo seu organismo. Ora, se este conjunto, o conjunto psíquico,
for mal usado, evidentemente que ele, o sensitivo, em seu organismo,
se sentirá mal. Portanto, deduzimos que a atividade mediúnica
não pode ser exercida só por entusiasmo, mas, sim, cercada
de cuidados, tal qual, analogamente, os cuidados assépticos dispensados
pelos cirurgiões às suas salas de cirurgia. Isto é,
mantendo-se uma boa higidez. (Higidez = parte da medicina que trata
da conservação da saúde - Dicionário LEP
1962) (Casos de abuso = situações em que mesmo ciente
de sua faculdade mediúnica o indivíduo propositalmente
não se modera, deixando-se levar pelas sugestões do momento).
Desta forma, quem essa faculdade sente despontada em sua vida, deve
estar sempre atento ao que faz. Mesmo que aventando a possibilidade
de que seus mecanismos auto-reguladores do organismo possam preservá-lo
dos efeitos da entropia, não concordamos com a desatenção.
Embora que ainda não tenhamos os cabedais necessários
para uma afirmação completa, somos, todavia, simpáticos
à idéia de que o vivenciar indiscriminadamente a faculdade
mediúnica acaba por levar a algum nível de entropia. Isto
porque, imaginamos nós, os abusos superariam a capacidade auto-reguladora
do organismo de neutralizar o efeito dos desarranjos.
Portanto, se avaliarmos com ponderação todas as citações
contidas nesta apostila vamos concluir que em razão da inevitável
entropia, como ocorrência natural de nosso Universo, deve o sensitivo
adaptar-se a um regime moderado de vida. Esta moderação
criará a harmonia interior. A harmonia interior manterá
desobstruídos os canais de contato com o EU maior. O EU maior,
a partir daí, poderá comandar os mecanismos auto-reguladores
como forma de compensar os esforços do organismo.
Sem essa observância, e mesmo a despeito de seu sistema auto-regulador,
ocorrerá desgaste físico comprometedor. Essas circunstâncias
de comprometimento pessoal poderão levar a outros nefastos acontecimentos,
pois o indivíduo estará fadado ao fracasso pessoal, e
com isso, provocar desarmonia no Grupo de trabalho espiritualista a
que pertença.
Concluindo, o exercício da mediunidade deve ser acompanhado
de concomitante harmonia interior. Esta harmonia é derivada da
busca do Saber e do Sentimento de Solidariedade. É nestes dois
pilares que se tem a sustentação da oculta força
que luta dentro do indivíduo para restabelecer e mantê-lo
em ordem.
Continuaremos na apostila 06
Bibliografia
Autor Livro Editora
Hernani Guimarães Andrade Morte, Renascimento, Evolução
- pág 33 Editora Pensamento
Waldo Vieira Projeciologia - capítulos 208 e 246
Edição do Autor
Arthur C. Guyton Fisiologia Humana - págs. 3 e 4
Editora Interamericana
R.A.Raniere O Prisioneiro de Cristo - pág 29 Livraria
Allan Kardec Editora
Velho Testamento Bíblico Gênesis e Levíticos
Imprensa Bíblica Brasileira
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Abril de 1995
Revisão - Outubro 2005