Apostila 08
A CONSCIÊNCIA E A ENERGIA
5ª Parte
Após analisarmos na apostila 07 fatores da mediunidade provocadores
da idiossincrasia energética provinda da associação
com entidades de qualidade inferior, e que têm por exclusivo intuito
auferir ganhos financeiros, circunstância essa totalmente contrária
aos princípios da ética de solidariedade para a qual,
entendemos nós, é a motivação principal
da existência desse recurso psíquico, veremos nesta apostila
algumas outras implicações resultantes do mau uso dessa
faculdade.
Antes de nos reportarmos à temática desta apostila queremos
esclarecer que nos países europeus e norte-americanos é
comum o exercício da atividade mediúnica, ou canalizadora
como chamam por lá, mediante uma espécie de comercialização
da faculdade.
Os médiuns daqueles países instalam-se em consultórios,
como são os consultórios de terapias alternativas existentes
nas cidades de nosso país, e têm valores de honorários
a serem cobrados conforme a consulta que uma pessoa vá até
eles fazer.
Esta é a forma que por lá entendem a utilização
dessa faculdade, pois é assim a cultura daqueles povos. Em nosso
país, entretanto, pelo sincretismo que aqui se instalou, onde,
tal qual aconteceu com as raças que se miscigenaram para formar
nosso povo, também todas as formas de culto e práticas
de ocultismo se mesclaram. Neste novo caldo de cultura mística,
que em nosso país se formou, prevaleceu o sentido de uma intrínseca
norma de solidariedade para com o semelhante. Não é uma
norma rígida, e, melhor dizendo, nem é uma norma. E´
um senso comum que parte do interior das pessoas buscando, espontaneamente,
solidarizar-se com os infortúnios de seus semelhantes.
Por essa razão em nosso país não é comum
vermos consultórios onde médiuns atendem consultas. Vemos,
sim, algumas exceções, mas, quase sempre, essas exceções
se revelam em embuste. O grosso do trabalho mediúnico sério
repousa nos ombros de dedicadas pessoas que sem auferir qualquer ganho
pessoal, entregam algumas de suas horas de folga para levar alívio
aos que sofrem.
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Depois deste esclarecimento, sigamos no tema. Os mestres da espiritualidade
ensinam que existe o macrocosmo e o microcosmo. O macrocosmo é
a formação estelar/planetária que contemplamos
nas noites claras. O Universo com suas intermináveis galáxias,
dentro de uma das quais está nosso sistema solar e este nosso
mundico, chamado Terra. O microcosmo é cada um de nós,
os seres humanos desta mesma Terra. Explicando: cada SER E´
um microcosmo.
Estamos falando isso para dizer que, da mesma forma que cada corpo
celeste possui um envoltório magnético próprio,
embora coexistindo num mesmo universo, isto é, no macrocosmo,
também cada pessoa da Terra possui seu envoltório magnético
próprio, apesar de coexistir num mesmo planeta. A este envoltório
magnético da Terra, de forma popular, chamamos de atmosfera,
embora sabendo que o vocábulo atmosfera designa a camada gasosa
que envolve o planeta. Na verdade, o correto é dizer-se que o
envoltório magnético da Terra é o espaço
gravitacional que se propaga além da superfície.
Estamos usando essa figuração para dizer que cada pessoa
se situa num envoltório, ou numa atmosfera psíquica, inteiramente
particularizada. Esse particularismo de seu universo individual vem
de corresponder ao inafastável encargo de cada pessoa ser a responsável
por manter seu equilíbrio de vida. Ou seja, cada um responderá,
intransferivelmente, por seus atos.
A fonte de onde se origina a energia que forma o envoltório
psíquico de cada pessoa é a sua própria mente.
Não é o Cérebro. Ao falar em mente estamos nos
referindo ao oculto corpo Mental Superior, que ainda será objeto
de estudo a partir da apostila 10. Obviamente que a fonte suprema é
o Espírito, todavia, para o nível evolutivo humano, o
corpo Mental Superior é o regente regional.
Portanto, as variações passíveis de ocorrerem
nessa atmosfera psíquica de cada pessoa transcorrem na razão
direta das variações emocionais de cada uma. Como também
o inverso é igualmente válido. Isto é, ocorrendo
variação na atmosfera psíquica por força
da aproximação de influências externas, também
variarão as emoções.
Exemplifiquemos: A atmosfera da Terra, em tempos que já vão
longe, era composta só de ar puro. Hoje, a chamada civilização
comprometeu a pureza dessa camada gasosa, por estar lançando
nela todos os tipos de gazes tóxicos produzidos pelas máquinas
operacionais, sejam nas indústrias, sejam nos meios de locomoção
e nas práticas de lazer, onde, nestas, o lixo é deixado
putrefando e, com isso, exalando gazes nocivos.
Conclusão, a atmosfera terrestre se acha doente. Da mesma forma
acontece com a atmosfera psíquica das pessoas. Essa atmosfera
deveria ser límpida. Só o seria, evidentemente, se a pessoa
vivesse sempre emocionalmente equilibrada. Mas, essa mesma civilização
que compromete o ar que respiramos, também provoca o comprometimento
das emoções pessoais.
Esse comprometimento vem da insaciabilidade com que a civilização
terrestre persegue novas idéias de conforto e comodidade. Trocando
em miúdos: o ser humano nunca se sente satisfeito com o que já
possui. Sempre quer mais, e sempre mais do que pode, comodamente, pagar.
Daí, a inquietação da competitividade que leva
ao martírio emocional, na consecução de um círculo
vicioso formado por influências externas comprometendo o campo
psíquico; o campo psíquico comprometido provoca influências
sobre outras pessoas que, por suas vezes, revidam com novas influenciações...
E assim, esse giro prossegue infindável, e todos se martirizando.
Tudo isso, numa dedução lógica, é produto
de nossas mentes. Seja a mente consciente ou seja a mente inconsciente.
Quando uma pessoa vive assim, por longo tempo, ela se perde no descontrole
de seu querer, e, por conseguinte, nas suas emoções. Podemos
dizer que tal hábito é uma maneira imprópria do
uso da mente que irá provocar a descaracterização
da uniformidade de seus corpos Astral e Mental. (Vide figura 04A na
apostila 04).
Emoção
é energia e a incontrolabilidade dessas energias, ou, simplesmente
dizendo, o mau uso dessas ener-gias acarreta:
1º - literalmente causa explosões que rompem a aura, deixando-a
danificada e conturbada. Uma aura poluída, digamos assim. Veja
o exemplo na figura 08A.
Comparativamente, podemos dizer: a aura harmonizada seria a atmosfera
da Terra nos tempos em que o ar era puro, e a aura conturbada é
a atual atmosfera poluída que respiramos. Uma aura nas circunstâncias
da aura conturbada é uma porta aberta à invasão
de qualquer energia doentia, e, por conseqüência, comprometerá
a estabilidade emocional do canalizador, ou de qualquer outra pessoa.
2º - Da mesma forma, o corpo espiritual ou, detalhando, os corpos
Astral e Mental, serão atingidos e danificados. Uma vez isso
acontecendo, de imediato os reflexos se farão visíveis
no corpo Físico, na forma de inquietação, de irritabilidade,
ou doenças não diagnosticáveis pela medicina.
A
figura ao lado demonstra os dois estados. Aura harmonizada, corpo Astral
harmonizado. Aura conturbada, corpo Astral danificado. Essa é
uma relação direta porque quando um tal estado de degeneração
da aura se instala no indivíduo formam-se coágulos de
energias doentias em seus meridianos.
Explicando: Assim como se formam coágulos nas veias e artérias,
isto é, porções do sangue que se solidificam causando
obstruções à corrente sangüínea, nos
meridianos, ou rede de distribuição das energias no conjunto
dos corpos, também se formam esses coágulos energéticos
que impedem à mesma a livre circulação. Impedidas
de circular as energias vão se acumulando e deteriorando, literalmente,
e formam as pústulas miasmáticas onde bactérias
astrais desenvolvem suas colônias. Algo semelhante às inflamações
no corpo humano.
Nesta situação, como dissemos acima, literalmente se
alastra por todo o indivíduo uma espécie de inflamação,
uma contaminação, que vai lhe corroendo todos os tecidos
de seus corpos Astral e Mental.
Quando o agravamento se torna mais severo, acontece a chamada somatização
dos efeitos e aquele mal, que se achava limitado ao campo psíquico,
passa a dar sinais também no corpo Físico. Tudo tendo
se originado na mente.
Lembrem-se do fluxo "descendente" de energia consciencial
que ficou referido na apostila 04. Embora puro em sua origem cósmica,
esse fluxo vai se degenerando ao se transformar em forças desagregadoras
que assim se torna ao passar pela mente doentia do indivíduo,
pois pensamento é energia. Com ele construímos os mais
belos ideais, ou forjamos as mais lúgubres destruições.
Dentro, pois, dessa individualidade peculiar da mente, ou seja, seu
potencial de construir ou de destruir, deve-se levar em conta a capacidade
mental de cada pessoa. Uma pessoa de reduzidos recursos intelectuais,
naturalmente terá uma mente de pouco alcance para idealizar planos
destrutivos. Poderá ser abrutalhada mas não possuirá
requintes de perversidades.
Por outro lado, uma pessoa de poderes intelectuais bem desenvolvidos,
isto é, uma pessoa inteligente, perspicaz, engenhosa e sagaz,
poderá desenvolver inescrupulosos planos destrutivos, sem limites
de resultados, pois que a ambição lhe é irrefreável.
Quando essa pessoa é médium, tanto maiores serão
os efeitos nefastos por ela produzidos, pois, associados à sua
mente estarão outras inteligências com pensamentos iguais,
reforçando os seus.
Daí para frente não respeitará nenhuma ética
e sua queda se torna inevitável. As conseqüências
danosas dessa fixação de pensamentos, como veremos na
apostila 09, seguem sua progressão, transformando-se em moldes
vivos chamados de formas-pensamento. Enquanto durar aquela energização
negativa tais formas-pensamento se mantém incrustadas na aura,
semelhantemente a tumores no corpo Físico. Resulta daí
a sensação de pegajosidade de certas auras percebidas
pelos médiuns passistas ao atenderem pacientes portadores de
processos obsessivos de grande monta.
Esses processos obsessivos, por sua longa duração, produzem
acúmulos energéticos negativos, de tal forma que se não
forem tratados a tempo causam a degeneração psíquica
total do indivíduo, levando-o ao estado de demência irreversível.
Forma-se, no indivíduo, uma espécie de estratificação
consciencial, em razão de sua continuada e repetitiva forma mental
de pensar.
Reverter essa situação no intuito de promover a cura
do indivíduo, ou de pelo menos lhe proporcionar alívio
dos males de sua criação, é tarefa prolongada.
Às vezes, essa degenerescência, profundamente enraizada,
para ser devidamente transmutada tornando o indivíduo, outra
vez, apto a vivências harmoniosas, precisará de várias
outras encarnações, até que ele consiga, por sua
exclusiva vontade, retificar sua conduta no todo. Nesta circunstância,
como de resto em todas as circunstâncias da vida, ficará
marcante o livre-arbítrio. (Este assunto será mais vastamente
visto nas apostilas da série por título RECONSTRUÇÃO).
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Estas anotações, nas quais se incluem também as
apostilas 04 à 07, trazem informações iniciais
aos candidatos a médiuns. Classificamos como sendo necessárias
porque o ser humano está tão habituado ao trato displicente
com a vida na matéria que, inadvertidamente, trata as questões
ligadas ao mundo dos Espíritos da mesma forma, aviltando, por
isso, sua faculdade paranormal. Essa faculdade, ou faculdade mediúnica,
é um recurso psíquico cujo interesse maior é o
da evolução cósmica do SER. Não se pode
esquecer que o corpo Físico de um médium é a porta
de comunicação entre os dois mundos. Dependerá
de suas preferências, e maneiras de vida, o quê, ou quem,
transitará por ela.
Bibliografia:
Autor - Livro - Editora
Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - Livraria Allan Kardec Editora
Aureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - Federação
Espírita Brasileira
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier - O Consolador - Federação
Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Nos Domínios
da Mediunidade - Federação Espírita Brasileira
Miramez/João Nunes Maia - Segurança Mediúnica -
Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Miramez/João Nunes Maia - Horizontes da Mente - Editora Espírita
Cristã Fonte Viva
Miramez/João Nunes Maia - Médiuns - Editora. Espírita
Cristã Fonte Viva
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Maio de 1995
Revisão em Outubro de 2005