Apostila 09
A CONSCIÊNCIA E A ENERGIA
6ª Parte
Desde a apostila 04 estamos analisando as implicações
da energia consciencial relacionadas ao trabalho mediúnico. Vimos
que em suas manifestações mais simples ela causa as sensações
de calor, frio ou formigamento, principalmente nas mãos e nos
pés. Vimos, ainda, que a diferença de potencial energético
do médium, comparando-se este nas duas condições,
em trabalho e fora do trabalho mediúnico, tende a provocar-lhe
o fenômeno da entropia, que seria, este, o princípio de
um desarranjo orgânico ou emocional. Esta circunstância,
porém, não se concretiza em vista dos dispositivos auto-reguladores
existentes no organismo.
Outro aspecto analisado dentro deste mesmo tema foi a questão
da descompensação energética, comum de acontecer
durante os passes e nas incorporações. Naquelas análises
tornaram-se salientes algumas situações, como por exemplo,
a do envolvimento áurico da gestante com o pequeno filho que
carrega em si.
Noutra seção, e demonstrando a quanto vai a responsabilidade
de um médium, e, por conseguinte, o que de seu trabalho pode
ser atraído para o círculo astral que o rodeia, falamos
do trabalho remunerado. Esse tópico teve por fito esclarecer
essa delicada questão, já que na sociedade as pessoas
são livres para exercerem o uso de seus talentos da forma que
melhor entenderem.
Por último, vimos a quanto podem se degenerar os corpos Físico,
Astral e Mental, daqueles que, em exclusivo proveito, abusam da prática
desses poderes psíquicos.
A conclusão sobre a temática exposta nas cinco apostilas
precedentes só pode ser uma: A faculdade mediúnica embora
sendo uma faculdade inerente, portanto natural, ao ser humano, não
deve, sob nenhuma hipótese, ser utilizada como recurso ou propriedade
particular. Utilizá-la com esse intento provoca atrações
energéticas negativas, pois serão só estas as respostas
possíveis ao ato do inequívoco egoísmo ainda residente
na alma de quem assim o faz.
Todavia, para complementar essa série de comentários
iniciais, daremos algumas outras informações dentro das
quais procuraremos atingir os pontos onde são mais comuns as
dúvidas de todos os que estão começando na atividade
mediúnica.
1 - Privilégios - E´ comum os iniciantes
imaginarem que, por se verem desenvolvendo para a mediunidade, têm
direito a algum privilégio junto aos seus mentores espirituais.
E´ comum esperarem que tudo lhes venha pronto. Que não
precisam mais se esforçar, seja para as obrigações
comuns da vida, seja para darem prosseguimento à sua evolução
pessoal. Consideram que seus mentores espirituais lhes providenciarão
tudo. Que basta, apenas, sentarem, servirem à ação
mediúnica e que o tudo, para suas vidas, virá a seguir.
Este é um engano que leva muitos iniciantes à decepção
com a própria faculdade. Com o passar do tempo constatam que
não têm direitos a nenhum privilégio. Constatam
que seus mentores espirituais se tornam até exigentes, cobrando
de seus pupilos a execução de deveres que eles julgavam
estarem isentos. Notam que as tarefas diárias de atender aos
compromissos da vida lhes são impostas da mesma maneira que o
é a todos os seres viventes no planeta. Que sua evolução
é obra exclusiva de suas mãos. Isto é, ele mesmo,
como de resto todas as pessoas, é que terão de construir
essa evolução com suas próprias mãos e com
recursos intelectuais de que seja possuidor. Portanto, constata, um
pouco entristecido o novato: A faculdade mediúnica, ao invés
de repouso e glórias sociais, até lhe trouxe mais tarefas.
Exige-se mais empenho e horas que antes eram consumidas em despreocupações,
agora precisam ser preenchidas com estudos, meditações,
mentalizações e buscas de si mesmo, no interior de sua
alma. Contudo, ainda cabe informar que os mentores espirituais, ao que
o acima exposto possa fazer imaginar, não tolhem a vontade pessoal
do indivíduo. Orientam-no, mas não fazem dele um autômato,
como, também, não poderão afastá-lo das
lutas indispensáveis e necessárias à evolução
como ser cósmico.
2 - Estudo - Falamos em estudos e podemos acrescentar que o
conhecimento adquirido no campo da paranormalidade é instrumento
insubstituível ao exercício seguro e eficiente da mediunidade.
A esse respeito, numa dada época de nossa vivência neste
campo, disse-nos um de nossos mentores: Uma
verdade mal compreendida causa prejuízos maiores que a ignorância.
(Quem proferiu essas palavras foi o orientador espiritual por nome JOÃO
PEDRO, um dos participantes espirituais do grupo, à época)
- Como a mediunidade é uma faculdade de difícil compreensão
e análise laboratorial, haja visto que até hoje os cientista
e os estudiosos do campo psíquico ainda não chegaram a
um acordo sobre ela, ao vivente de suas influências recomenda-se,
pois, o estudo para que possa sentir-se confiante do que faz.
3 - Entusiasmo - O início da experiência mediúnica
é cheio de novidades sedutoras. Imaginem: fazer contato com seres
que habitam outras dimensões cósmicas ! Que emocionante
! E´ como pensar em seres extraterrestres e seus discos voadores.
E o iniciante pensa: Devo ser mesmo muito importante
por ter o poder de fazer isso.
Preso desse entusiasmo pensa até em arrojar-se em propagandas
de metas assistenciais para as quais se sente atraído. Quer,
urgentemente, ver-se lançado na baila dos trabalhos mediúnicos,
entre pessoas que o venham consultar. Nessa afoiteza sente até
desgosto pelos trabalhos pessoais de sustento da família e de
si mesmo. Acha que essas obrigações lhe tomam muito tempo.
Tempo que poderia estar, prazenteiramente, ao contato mediúnico
com os mentores espirituais.
Pois bem, como tudo na vida, esse entusiasmo também deve ser
comedido. Regrado. Nem poderá viver só a trabalhos mediúnicos
como, também, deve entender que os mentores têm suas obrigações,
lá nas dimensões onde habitam, não podendo, por
isso, estar permanentemente ao lado dele. Principalmente para atender
caprichos de entusiasmos que se revelam mais como vaidade do que como
dedicação consciente e responsável.
Logo, sensatamente, deve condicionar-se a se organizar para o atendimento
de todas as suas obrigações pessoais. Nem negligenciar
a faculdade mediúnica, mas também, não fazer dela
a desculpa para voltar as costas ao trabalho de sustentação
da existência. Cada situação a seu tempo. Cada situação
ao seu momento.
4 - Maior Obstáculo - Em todas as atividades da vida
existem os fatores que nos facilitam, como existem os que nos dificultam.
Na atividade mediúnica não é diferente. Nela, também
existem as facilitações como as causadoras de dificuldades.
E´ sobre estas que queremos lançar nossas observações.
Para tanto, partimos informando que o maior fator causador de dificuldades
dessa atividade está dentro do próprio médium.
Por favor não se assustem com essa informação.
Ela é a mais autêntica verdade, como veremos a seguir.
Reportemo-nos à apostila número 01 quando dissemos que
um determinado ponto deveria ficar comum entre todos os que estudam
a mediunidade ou que dela fazem parte. Referíamo-nos à
reencarnação, e reencarnação é
sinônimo de viver muitas vidas nesta habitação terrestre.
Muitas vidas onde o que muda é a personalidade e seus feitos
existenciais, mas que, todavia, é sempre o mesmo indivíduo,
na sua mais intrínseca forma de ser. Isto é, em
espírito. Assim sendo, este mesmo espírito, acumula
em si, como pode ser visto mais detalhadamente na série A
CRIATURA, acumula em si toda a bagagem de seus feitos existenciais
transcorridos com todas as personalidades que já tenha manifestado
na forma física planetária.
No arquivo cósmico de sua existência, ou dando nome a
esse arquivo, arquivo Akásico, estão, segundo a segundo,
cronometrado e catalogado, cada um de seus feitos. Portanto, lá
estão os feitos de sua participação na história
desta humanidade terrestre. E... convenhamos, a história da humanidade
terrestre é bem escassa de feitos gloriosos, não obstante,
farta de feitos aterradores. E... convenhamos mais uma vez, se os feitos
aterradores são os de predominância sobre os quase inexistentes
feitos gloriosos, então a dedução nos leva a concluir
que contribuímos muito mais para a destruição do
que para o bem coletivo da humanidade.
Essa é a bagagem que cada ser traz dentro de si, reencarnação
após reencarnação. Essa é a bagagem que,
ainda hoje, é posta sobre os ombros de toda a sociedade para,
nos feitos de agora, transformar-se a maneira de ser e de viver. Este
é o grande obstáculo, ou seja, o personalismo antigo,
insuflando suas tendências, querendo voltar a predominar sobre
a vontade de agora, nesse viver por atingir outro degrau superior da
escada da evolução cósmica. Neste cenário,
o médium, mais do que qualquer outra pessoa, sofre isso na pele.
Sofre porque seus canais intermediadores com seus outros corpos são
mais fluentes que os das pessoas que podemos chamar de comuns, ou de
não médiuns.
Como veremos a seguir na próxima apostila, esses mesmos canais
levam-no de encontro com sua própria consciência, e, por
conseguinte, com seu arquivo Akásico, pondo-o frente-a-frente
consigo mesmo. Pior, pondo-o frente-a-frente consigo mesmo, mas com
a exigência de que faça uma arrumação geral
em toda sua casa interior, pois essa é a primícia da faculdade
mediúnica. Ou seja, facultar-lhe contato com as outras dimensões,
não só cósmicas, mas também de si mesmo,
para, com esse instrumental, contribuir para a reorganização
de sua existência individual e da vida coletiva de toda a sociedade.
Não se lhe pede ser um super-homem, mas se lhe pede não
deixar de dar sua contribuição possível. Essa é
a escolha, esse é o obstáculo.
5 - Grupos Associativos - Até aqui falamos do indivíduo,
o Médium. Agora será bom que falemos do ambiente onde
este indivíduo irá aplicar seus recursos psíquicos.
- Como ponto de partida serve o que ficou escrito no item 4, acima,
quando demos ênfase à reencarnação. - Isto
quer dizer que em qualquer grupo associativo irão se juntar indivíduos
reencarnados, carregando em seus ombros suas respectivas bagagens existenciais
cósmicas.
Isso implica dizer que se algum desses foi provocador de discórdias
nesse passado da história de nosso planeta, aquelas pessoas com
as quais ele se associa, em sua maioria, também o foram. Como
podemos afirmar isso ?, perguntará alguém.
Afirmamos porque uma das mais importantes leis que regem a convivência
entre os seres é a que diz que Semelhante atrai Semelhante.
Logo, se as tendências pouco edificantes daquele indivíduo
vierem à tona de sua consciência, querendo saltar para
as ações da vida atual, as outras pessoas do grupo, por
similaridade, também sentirão a mesma pressão psicológica.
Daí, os confrontos personalísticos que fazem eclodir desencontros
de idéias a provocar dificuldades para o Grupo se manter coeso.
Um exemplo: No seio das famílias reencarnam espíritos
cujo fim é reorganizarem estilos de vida provenientes de desencontros
comuns deles mesmos em outras existências. Quase sempre se igualam
nos infortúnios. Passem a observar esse matiz.
Pois bem, também assim a experiência nos tem revelado
que nos grupos associativos juntam-se pessoas de iguais deveres reorganizativos
para com os feitos coletivos da humanidade. E´ quando, então,
começam a emergir as diferenças pessoais, a intolerabilidade.
E´ quando surgem as dissidências.
Portanto, ao se dirigirem a algum grupo com o desejo de a ele se associarem,
lembrem-se que ali já se acham pessoas que chegaram antes de
vocês, e que, por serem predecessores, já estão
estabelecidas em suas idéias. Recomenda-se, como meta de um bom
viver, que o novato no grupo seja comedido em seus entusiasmos e em
suas idéias renovadoras, mantendo-se observador antes de pô-las
à mostra. Se não atentar para essa norma incorrerá
no risco de despertar desafetos de outras existências que ali,
quase certo, estão ocultas nas personalidades que o precederam
na formação daquele grupo.
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Acima estão registradas algumas orientações que
nos parecem adequadas para estas nove primeiras apostilas. Assim fizemos
para, de início, solver as dúvidas mais comuns de todos
os iniciantes. Evidentemente que são informações
incompletas, mas nas apostilas seguintes desta mesma série, e
nas séries que se seguirão a esta, estaremos analisando,
tanto quanto nos seja possível fazer, todas as questões
relacionadas à mediunidade, ao psiquismo e à vida como
um todo.
Assim, pois, com esta apostila encerramos a série introdutória.
Na próxima apostila, a de número 10, será iniciada
a análise da faculdade mediúnica em todos os seus aspectos.
Bibliografia:
Autor - Livro - Editora
Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - Livraria Allan Kardec Editora
Aureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - Federação
Espírita Brasileira
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier - O Consolador - Federação
Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Nos Domínios
da Mediunidade - Federação Espírita Brasileira
Miramez/João Nunes Maia - Segurança Mediúnica -
Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Miramez/João Nunes Maia - Horizontes da Mente - Editora Espírita
Cristã Fonte Viva
Miramez/JoãoNunes Maia - Médiuns - Editora Espírita
Cristã Fonte Viva
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Maio de 1995
Revisão em Outubro de 2005