Apostila 32
MEDIUNIDADE - TEORIA E PRÁTICA
22ª Parte
MEDIUNS INICIANTES - III
A apostila 31 comentou sobre a concentração mental e sobre
as dificuldades psíquicas e orgânicas que atingem a todos
os médiuns, mas que nos iniciantes podem tomar até a característica
de dramáticas. Como finalização da apostila dissemos
que tais desconfortos estão relacionados com a sintonia mediúnica.
E´ o que comentaremos nesta.
Por sintonia deve ser entendido como sendo a percepção
do médium. Esta sensibilidade pode ser de dois tipos, a saber:
1) - percepção grosseira, apropriada para contatos apenas
com entidades menos evoluídas; 2) - percepção refinada,
que permite relacionar-se com seres mais sublimados. Logo, disso tudo
se deduz que compete aos interessados sublimar seus sentimentos, pois
que, pertinente a eles, será a qualidade de caráter das
entidades contatadas.
Para se atingir esse domínio não basta apenas a prática
da concentração. E´ preciso, como se fosse um instrumento
de uma orquestra, afinar-se ao tom do Maestro. Afinar-se psiquicamente.
Afinar significa ajustar a sintonia. Vejamos a sintonia.
Como
exemplo de comparação temos a figura 32A, ao lado, mostrando
um aparelho de rádio. Todas as ondas de rádio, dentro
do alcance das emissoras, estão propagando-se pela camada atmosférica
da Terra. Para não se misturarem, cada uma delas possui uma característica
que as individualiza. Essa característica é determinada
pela quantidade de vibrações por segundo de tempo que
cada uma contém. A tais vibrações é dado
o nome de ciclos por segundo. Tecnicamente, para a mesma designação,
é usado o termo Hertz por segundo, em homenagem ao nome do cientista
que estudou o fenômeno da propagação das ondas.
Assim, cada onda que se propaga é identificada por essa quantificação
vibratória. Se tal não fôra haveria uma imensa confusão,
e as emissões de rádio, televisão e telefonia,
se misturariam, tornando impossível ouvir ou assistir aos programas.
Todavia, apesar dessa individualidade de cada onda, a antena receptora
de rádio ou TV não distingue essas diferenças e,
igualmente capta todas as ondas que chegam até ela. Na figura
do rádio vemos que as ondas "A" - "B"
- "C", igualmente tocam a antena. Para que o aparelho
receptor possa reproduzir com clareza o programa da emissora que se
deseja ouvir, existe nele um dispositivo que seleciona dentre todas
as ondas captadas, aquela a ser transformada em som ou em imagem, quando
se tratar de televisão.
Esse dispositivo de seleção que tecnicamente se chama
circuito de ressonância, tem, como indicador, o "ponteirinho".
À medida que o ouvinte faz mover o ponteirinho, aciona, também,
o mecanismo do circuito ressonante que, altera sua capacidade de sintonizar
as várias ondas. Digamos assim, altera a "abertura",
(lembrem-se dos chacras), que permitirá a passagem de uma onda
mais larga ou de uma onda mais curta. Isto é, uma onda com poucos
ciclos por segundo de outra com maior quantidade de ciclos.
Façamos um exemplo para melhor compreensão. Digamos que
o ouvinte queira sintonizar uma emissora cuja freqüência
é de 780.000 ciclos por segundo. Em seu rádio ele posicionará
o ponteiro na marca de 780 kilohertz. Mas se quiser ouvir outra emissora
de freqüência de 997.000 ciclos por segundo, deverá
levar o ponteiro até a marca de 997 Kilohertz. Fazendo essas
variações o ouvinte passa por todas as ondas que estiverem
tocando na antena de seu rádio. Entretanto, só ouvirá
uma por vez.
Esse dispositivo selecionador é, na realidade, um freio de ondas.
Sua função, além de selecionar as ondas é,
também, de convertê-las de radiofônicas em ondas
audíveis ao ouvido humano. Como o ouvido humano só tem
percepção para ondas dentro da faixa que vai de 16 até
20.000 ciclos por segundo, a frenagem que o dispositivo aplica é
brutal. Por exemplo, a onda emitida pela primeira emissora do nosso
exemplo, chega ao aparelho com a intensidade de 780.000 ciclos por segundo,
enquanto que o alto-falante do radio vai reproduzi-la, no máximo,
em 20.000 ciclos. Uma frenagem, portanto, de 760.000 ciclos.
Assim, pois, todas as ondas locais tocarão a antena, mas o aparelho
só converterá em som audível a onda que seu circuito
ressonante selecionar. No exemplo de nossa figura, a onda escolhida
foi a "B". As demais continuam tocando a antena mas
não são, dada a escolha feita, reproduzidas no alto-falante.
Esse é o processo chamado de sintonia radiofônica, ou,
escolha radiofônica.
A
mediunidade tem tudo em semelhança com o funcionamento do rádio.
Por isso, nos servindo do exemplo comentado acima, podemos dizer que
o médium é um aparelho receptor de ondas. Não de
ondas radiofônicas, mas de ondas mentais, cujo princípio
emissor e receptor têm absoluta similaridade com os do rádio.
Aliás, a recepção de ondas de qualquer espécie
só se torna possível quando o emitente e o receptor igualam
suas vibrações. Nesta outra figura, 32B, vemos um médium
cercado por tres entidades. Todas elas emitindo suas ondas mentais.
A antena psíquica do médium, como a do rádio, vai
captar todas as tres emissões. Quanto a reproduzi-las dependerá
de sua capacidade ressonante, ou, capacidade de igualar suas vibrações
às do emitente. Dentro desse princípio que é regido
por lei quântica, pois só os iguais se entendem,
o médium só conseguirá reproduzir as ondas mentais
das entidades que lhe são afins. Incontáveis ondas mentais
existem em torno de todos os médiuns, como de resto, em torno
de todas as pessoas, mas alguns, pelo despreparo, só conseguem
reproduzir uma ou no máximo duas dessas ondas. Essa é
a razão porque alguns médiuns não saem da repetitividade.
Faltam-lhes treino e versatilidade.
As antenas psíquicas do médium são os seus chacras,
principalmente o Coronário e o Frontal, cujos vértices
terminam nas glândulas epífise e pituitária, respectivamente.
Este conjunto estamos mostrando na figura 32C, ao lado.
Sendo que, conforme vimos no estudo das glândulas, apostilas
26, 27 e 28, a epífise, ou pineal, é a transdutora¹
das ondas mentais recebidas. Comparada ao rádio, ela vem a ser
o circuito ressonante que permite selecionar as ondas mentais e convertê-las
para o nível das sensações físicas. (¹Transdutora
= transmite traduzindo).
Tornando mais claras nossas informações, vamos nos servir
de uma citação de André Luiz, contida no livro
Evolução em Dois Mundos, páginas 66 e 67,
psicografado por Francisco Cândido Xavier e editado pela Federação
Espírita Brasileira, na qual, falando da epífise, assim
está:
"(...) é aí que a epífise
começa a consolidar-se por fulcro energético de sensações
sutis para a tradução e seleção dos
estados mentais diversos, nos mecanismos da reflexão e do pensamento,
da meditação e do discernimento, prenunciando as operações
da mediunidade, consciente ou inconsciente, pelas quais Espíritos
encarnados e desencarnados se consorciam uns com os outros..."
(Grifos nossos).
A descrição de André Luiz mostra que o desempenho
ordenado da epífise é fundamental ao perfeito e constante
estado de equilíbrio emocional do SER encarnado. Mesmo que deste
se exclua a faculdade mediúnica, pois não é só
a isso que ela se presta. Diante dessa complexidade que nela se encerra
podemos dizer que ela é o elo ainda incompreendido entre o homem
espírito e o homem humano.
Mas as informações de André Luiz não param
ali. Falando dos chacras o nobre instrutor espiritual assim acrescenta
à página 69 do mesmo livro:
"Através deles, [dos
chacras] o encéfalo, conservando
consigo o centro coronário e o centro cerebral, registra excitações
inúmeras, para que as faculdades de percepção
e seleção, atenção e escolha se consolidem."
(Grifos nossos) [Centro coronário e centro cerebral, termos que
André Luiz usou para se referir aos chacras coronário
e frontal)
Os dois trechos reproduzidos acima dão a certeza de que, na
figura 32C se representa o circuito ressonante do SER encarnado. Ali
está o conjunto seletor e tradutor de ondas mentais. Por conseguinte,
a trilha por onde escoa a radiação fenomênica chamada
de mediunidade.
Como essa função tem sido tratada com pouco interesse,
mesmo nos meios mediúnicos, pois raros são os estudiosos
que se dão ao trabalho de esmiuçar a fundo essa via de
contato com o mundo oculto, recomendamos a leitura da página
98 do mesmo livro, Evolução em Dois Mundos, na
qual André Luiz positiva com sua afirmação que
na preparação da tipologia humana os chacras, coronário
e frontal, foram posicionados de forma associativa para o fim precípuo
de comando sincronizado à função de sintonia mental,
além de outras.
Sabendo que para que ocorra perfeita sincronia de trabalho entre dois
distintos dispositivos seja necessário, e indispensável,
que ambos estejam funcionando a contento, deduzimos que manter o controle
emocional, naquelas bases orientadas na apostila
23, é que resultará nesse sincronismo a que se refere
André Luiz. Logo, conclui-se, ainda mais, que tudo depende da
vontade pessoal daquele que a isso vier a se dedicar.
- - - o O o - - -
Com a exposição que apresentamos nesta apostila nos parece
que ficou demonstrado o mecanismo sintonizador e seletor utilizado,
digamos assim, inconscientemente, pelos médiuns.
Diante do intrincado do fenômeno mediúnico, sempre considerávamos
que no organismo humano deveria haver algum dispositivo que a isso proporcionasse
o funcionamento. Mas qual seria esse mecanismo, e onde se situava ?
Seria o cérebro, puramente, ou algum órgão junto
dele associado ? Eram as perguntas que de muito nos fazíamos.
Com a leitura dos livros citados na bibliografia a seguir encontramos
as respostas e traduzindo-as para nossa linguagem pessoal criamos a
presente apostila.
Continuaremos na próxima.
Bibliografia:
Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - capítulos
17, 18, 19 e 20, editado pela Livraria Allan Kardec Editora.
Léon Denis - No Invisível - capítulo 5 -
Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Nos Domínios
da Mediunidade, capítulos 5 e 22 - Mecanismos da Mediunidade
- Missionários da Luz, páginas 14 e 17. Todos editados
pela Federação Espírita Brasileira.
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito
e Alma - editado pela Editora Pensamento.
Edgard Armond - Mediunidade - Editora Aliança.
Hermínio Corrêa de Miranda - Diversidade dos Carismas,
volumes I e II - Editora Arte e Cultura Ltda.
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier - Roteiro - Federação
Espírita Brasileira.
Miramez/João Nunes Maia - Médiuns - Segurança
Mediúnica - Editora Espírita Cristã Fonte Viva.
Lancellin/João Nunes Maia - Iniciação - Viagem
Astral - Editora Espírita Cristã Fonte Viva.
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Junho de 1995
Revisão em Dezembro de 2006