Apostila 34
MEDIUNIDADE - TEORIA E PRÁTICA
24ª Parte
MEDIUNS INCIANTES - V
Nosso estudo vem tecendo algumas considerações com o
fito de estabelecer a segurança operacional do médium.
Na apostila anterior apresentamos duas recomendações que
intitulamos de o Primeiro e Segundo Passos, dessa infinita jornada de
aperfeiçoamento. São eles, o descobrir de sua aptidão,
aprimorando-a simultaneamente com a faculdade intuitiva, e o dedicar-se
ao estudo.
Passemos,
agora ao Terceiro Passo. Este é o não ter pressa.
O vôo da águia, velocíssimo, exemplificado na apostila
31, se refere tão somente à questão de direcionar-se
a um objetivo. Contudo, este pode muito bem ser atingido ao ritmo do
andar de uma tartaruga. Deixamos a figura ao lado para fixação
da idéia. Aqueles que puderem ir mais depressa, porém
com sensatez, que o façam. Apenas não se deixem mover
só pelo interesse da pressa. Afinal, lembramos, desde o nascimento
todas as pessoas são médiuns. O que se aprende nas escolas
orientadas, especialmente pela Doutrina Espírita, são
os modos de bem viver com essa faculdade. Além disso, e isso
deve ficar bem claro, o fato mediúnico não deve ser tratado
com afoiteza.
Vimos na apostila 33 que motivos elevados são a razão
da mediunidade na Terra. Também as apostilas precedentes mostraram
a complexidade que é a criatura chamada de o Ser Humano. E o
estudo cujo tema é - "A
Criatura", demonstra a gigantesca estrutura organizacional
da vida no Universo. Pois bem, e no meio de tudo isso somado se insere
a mediunidade. Ora, por dedução inequívoca, mediunidade
não é um brinquedo, embora muitos assim a tratem. Todavia,
aqueles que têm a felicidade de receberem as orientações
límpidas e próprias de núcleos espiritualistas
sérios, e de literaturas confiáveis, como as que citamos
em nossa bibliografia, não podem alegar ignorância a respeito.
Por tal motivo é que o evolver mediúnico deve ser metódico
e na razão direta da possibilidade de cada um entendê-lo.
Isso nada mais é que uma vinculação ligada ao tempo.
Isso também significa que uns evolverão mais ligeiros
que outros, o que não deixa de ser um fator natural. Mas, para
aqueles insatisfeitos, como consolação, podemos dizer
que todos são criaturas eternas e, se nesta vida terrestre não
lograrem maior êxito, por certo o atingirá em vidas futuras.
O importante é não perder de vista o objetivo, não
permitir atropelos, e não se deixar desanimar pelos resultados,
às vezes indefinidos que acontecem de início. Ninguém
se torna médium adestrado e experiente sem trilhar a vivência
de longos anos.
No livro Mecanismos da Mediunidade, à página 133,
seu autor, André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido
Xavier, e editado pela Federação Espírita Brasileira,
tece oportuno comentário sobre as dificuldades iniciais de todos
os médiuns. As torturas por que passa deixando-o indeciso de
continuar, ou não, na marcha da preparação psíquica.
Neste período, como recomenda André Luiz, deve-se ter
sempre presente a consciência de si mesmo, entendendo que também
é um espírito e que, como tal, cabe-lhe aperfeiçoar-se
pela aquisição de virtudes e conhecimentos maiores. Mesmo
que não venha a se dedicar integralmente à meta mediúnica.
Essa orientação de André Luiz que nós interpretamos
no parágrafo anterior, e que todos devem procurar ler na íntegra,
resume os tres passos comentados. Mas há um outro passo ao qual
queremos nos referir. Exatamente sobre o que se encontra interpretado
na orientação de André Luiz. Ou seja, ter a consciência
de si mesmo. Podemos chamar de o Quarto Passo. O interessado
compreendendo o alto significado da mediunidade, deve acatar a responsabilidade
que implicará na sua vivência daí para frente. Conscientizar-se
que, como canal de ligação com os outros planos de existência,
jamais será a mesma pessoa de antes.
No
mínimo sentirá uma transcendente divisão dentro
de si. (Ver apostila 5 do tema A Criatura). Algo como se duas forças
oposta o puxassem para lados contrários. Nossa figura ao lado
ilustra o efeito. Surgem, então, alguns conflitos, e o viver,
às vezes, se torna inquietante. Essa sensação de
dupla vivência demonstrará que agora, além de ser
um encarnado com as preocupações de cada dia, seja junto
à família ou junto ao trabalho, também participará
um tanto quanto do mundo dos desencarnados, tangenciando, por isso,
outras perspectivas mais abrangentes.
Nesse transformismo que de início, repetimos, traz considerável
desconforto e desconfianças, paulatinamente o fará sentir-se
como cidadão do Universo, integrante de uma humanidade inteira,
e não tão somente de um aglomerado familiar. Aos poucos
a sensação de divisão vai desaparecendo, e uma
outra normalidade de vida começa a se formar. As diferentes atividades
se acomodam umas com as outras, e o tempo para elas, no início
difícil de ser organizado, vai se conciliando por si mesmo. Sobra
tempo para tudo, constata-se.
Tudo é só uma questão de paciência e perseverança,
pois, como ensina Emmanuel, nossa força mental é atuante
e nossos pensamentos devem ser objetivos, razões pelas quais
a abordagem do campo do psiquismo deve ser feita com responsabilidade.
(Livro Roteiro - página 155 - psicografia de Francisco Cândido
Xavier - Editado pela Federação Espírita Brasileira).
Sendo assim, quando a pessoa se sente envolta por esse halo de compreensão,
acaba por concluir que diante da obra da Criação, e temporariamente
encarnada na Terra, como médium, é apenas um instrumento.
Um nobre instrumento, se consciente, racional e gentil colaborador for
com a evolução cósmica.
Isto é o Médium !
Mas, apesar dos quatro tópicos comentados a respeito da ordem
das coisas incidentes sobre a segurança do médium, fica
uma pergunta a ser respondida, qual seja: Por que a disciplina ?
Resposta: 1º - O médium não é uma criatura
excepcional ou privilegiada. E´ tão comum quanto todas
as demais. Como elas também está seguindo um roteiro evolutivo.
Uma trajetória que partiu da simplicidade e do desconhecimento
e que a leva de
encontro à complexidade e ao domínio sobre todas as coisas.
Só disciplinando-se caminhará sem desvios nessa estrada.
2º - Na idade evolutiva em que se encontra a grande maioria das
criaturas terrestres, o predomínio sobre elas ainda é
o das sensações animais. (Vide apostila 21, folha 3, figura
21E, do estudo dos Chacras). Recordemos, também, que são
essas mesmas criaturas, cheias de vícios comprometedores, que
habitam os planos espirituais inferiores, situados mais próximos
à face da Terra. Como mediunidade é basicamente sintonia,
(vide apostila 32), e sendo o médium, no caso, pouco definido
nas suas preferências, dada as próprias sensações,
ele só conseguirá atrair e sintonizar-se com os espíritos
viciosos.
Reportando-se a esta delicada questão, interpretamos outro trecho
de Emmanuel, quando ele diz que ""Mais
de dois terços dos médiuns do mundo jazem, ainda, nas
zonas de desequilíbrio espiritual, sintonizados com as inteligência
invisíveis que lhes são afins."" (Livro
Roteiro - página 148). Esta é uma informação
que não pode ser menosprezada, pois é dada por alguém
de muita significação nos meios espiritualistas, e que,
do mundo espiritual, acompanha a senda de nós, os médiuns
na Terra.
3º - Para deixar, ou se livrar, do círculo vicioso exemplificado
nas respostas 1º e 2º, acima, só existe a condição
de auto disciplinar-se, conforme recomendado, pois soltando-se das amarras
da ignorância e da falta de objetivo elevado, angariará
a simpatia de entidades nobres, e estas o impulsionarão sempre
de forma crescente.
Portanto, todo candidato a médium deve se perguntar, num exame
de auto reflexão: Com quem desejo sintonizar e passar a vivenciar
minha faculdade mediúnica, pois estou consciente de que não
vivo sozinho ?
A
figura ao lado representa a grande interrogação na vida
de todo médium. Com que qualidade de entidades sintonizar ? "A",
"B" ou "C" ? Para dirimir essa dúvida foi
que comentamos tudo o que ficou acima, com a clareza que nos foi possível,
para bem definido ficar que a disciplina, na ordem dos interesses, é
a componente que falta à criatura humana. Tão displicente,
anda, ultimamente. Ela, a disciplina, é o dispositivo SELETIVO
que permite ao médium "escolher" a emissora mental
que deseja
sintonizar. Revejam as apostilas 31 e 32, quando comentamos sobre dispositivo
de sintonia, lembrando que como o médium não possui um
sintonizador como o existente no rádio, o fator disciplina substituirá
a falta daquele, e o fará sentir-se seguro e feliz.
E´ neste sentido que a figura 34C procura elucidar, respondendo
à pergunta: Com quem desejo sintonizar ?
Complementando, não poderíamos deixar de reproduzir alguns
trechos de autoria do mestre Léon Denis, contidos em seu livro
No Invisível, editado pela Federação Espírita
Brasileira, a quem agradecemos a gentileza pela permissão de
fazê-lo.
Léon Denis, gigante pesquisador da filosofia Espírita
e dos cuidados pessoais do médium, assim escreve:
"Uma multidão de espíritos
nos cerca, sempre ávidos de se comunicarem com os homens. Essa
multidão é sobretudo composta de almas pouco adiantadas,
de Espíritos levianos, algumas vezes maus (...) Muitas decepções
e dissabores seriam evitados se se compreendesse que a mediunidade percorre
fases sucessivas, e que, no período inicial de desenvolvimento,
o médium é sobretudo assistido por espíritos de
ordem inferior, cujos fluidos, ainda impregnados de matéria,
se adaptam melhor aos seus (...) Nessa fase de prova e de estudo elementar,
deve sempre o médium estar de sobreaviso e nunca se afastar de
uma prudente reserva. Cumpri-lhe evitar cuidadosamente as questões
ociosas ou interesseiras, os gracejos, tudo em suma que reveste caráter
frívolo e atrai os Espírito levianos." (páginas
60 a 62)
Temos a certeza que o conteúdo das citações de
Léon Denis, citadas acima, é o bastante para levar a uma
longa reflexão sobre o tema que estamos estudando, com o fim
de despertar um ideal sublime como meta condutora da humanidade.
Conhecendo das reais, e inegáveis, dificuldades que envolvem
o exercício da mediunidade, tanto quanto a sua importância
como instrumento para ascensão espiritual de uma humanidade -
e não só a do médium - é que todos os grandes
orientadores, pertencentes às sérias ordens espiritualistas,
e especialmente os citados nas folhas desta apostila, compuseram volumosos
livros visando, unicamente, alicerçar o médium com recursos
que diminuam tais dificuldades.
Bibliografia:
Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - capítulos
17, 18, 19 e 20, editado pela Livraria Allan Kardec Editora.
Léon Denis - No Invisível - capítulo 5 -
Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Nos Domínios
da Mediunidade, capítulos 5 e 22 - Mecanismos da Mediunidade
- Missionários da Luz, páginas 14 e 17. Todos editados
pela Federação Espírita Brasileira.
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito
e Alma - editado pela Editora Pensamento.
Edgard Armond - Mediunidade - Editora Aliança.
Hermínio Corrêa de Miranda - Diversidade dos Carismas,
volumes I e II - Editora Arte e Cultura Ltda.
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier - Roteiro - Federação
Espírita Brasileira.
Miramez/João Nunes Maia - Médiuns - Segurança
Mediúnica - Editora Espírita Cristã Fonte Viva.
Lancellin/João Nunes Maia - Iniciação - Viagem
Astral - Editora Espírita Cristã Fonte Viva.
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Junho de 1995
Revisão em Janeiro de 2007