Apostila 36
MEDIUNIDADE - ATIVIDADES - I
26ª Parte
Podes ouvir e conversar com
as pessoas que procuram conforto e saúde, porém
não deves alimentar o mesmo desequilíbrio nas tuas
emoções. (...) Seja qual for a situação
dos nossos irmãos que sofrem, não devemos sofrer
com eles. Bastam-nos os nossos fardos; (...)
(Miramez - espírito - Livro: Segurança Mediúnica
- pág 18)
Psicografia de João Nunes Maia - Editado por Editora Espírita
Cristã Fonte Viva
Depois de vencida a fase tormentosa do início do despertamento
mediúnico, conforme foi analisado na apostila 35, e restabelecida
a harmonia do novato, inicia ele o exercício rotineiro da sua
faculdade. Agora é mais um nessa enorme fileira dos que se prestam
a intermediar o mundo dos invisíveis. Ver-se-á, por isso,
guindado a uma função específica, de acordo com
as suas possibilidades cármicas.
A adoção dessa atividade específica estará
vinculada a duas situações condicionantes.
a) - Influência do espírito do médium sobre o trabalho
que executa.
b) - Influência do meio onde o médium desenvolve seu trabalho.
Antes, porém, de analisarmos separadamente cada uma dessas circunstâncias,
verifiquemos sobre o mecanismo de funcionamento da mediunidade, para
que mais fácil se torne a compreensão do que virá
depois. Para tanto, estaremos nos inspirando no capítulo 6 do
livro Espírito, Perispírito e Alma, de autoria
de Hernani Guimarães Andrade, editado pela Editora Pensamento,
e também no capítulo 6 do livro Nos Domínios
da Mediunidade, de autoria de André Luiz, espírito,
pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, e editado pela Federação
Espírita Brasileira.
Na apostila 17 mostramos tres modalidades sobre o estabelecimento da
comunicação mediúnica. A seguir, dando seqüência
à figura Fig-17B, daquela apostila, ilustraremos como esse contato
se dá no fenômeno da incorporação.
A
figura 36A apresenta os dois personagens do ato incorporativo. A entidade
comunicante e o médium encarnado. Nas duas laterais da figura
são mostrados os corpos desdobrados que os dois, respectivamente,
possuem. Ao centro da figura, os vemos com seus corpos acoplados. Também
no conjunto central da figura vemos o comunicante emitindo suas ondas
de influência sobre o encarnado, como medida preparatória
para levá-lo ao estado de transe.
Nos médiuns iniciantes, esse contato inicial funciona de forma
semelhante ao sugestionamento hipnótico, onde a entidade submete
à sua vontade a vontade do médium. Nos médiuns
adestrados essa aproximação dispensa esse expediente.
O médium possuidor de maior treino, e dotado de suficiente confiança,
sem relutar, entrega seu corpo ao comunicante. Portanto, a figura demonstra
a primeira fase da incorporação, com a aproximação
da entidade comunicante, e a emissão de sua influência.
A figura ainda mostra que no conjunto de corpos da entidade comunicante,
existe um elemento que chamamos de corpo Vital. Nos estudos precedentes
não fizemos referência a ele, porém, esclarecemos,
ele se comporta, no plano Astral, de forma
análoga ao funcionamento e utilidade do Duplo Etérico
no plano Físico. Energiza o corpo Astral. Por ocasião
da preparação de uma encarnação ele se dissolve.
Situação idêntica acontece quando o indivíduo,
por evolução, se livra do corpo Astral, transferindo-se
em definitivo para o plano Mental.
Esta
outra figura mostra a segunda fase da incorporação. Nela
vemos: sob o efeito da influência da entidade, os corpos Astral
e Mental do médium - C - se deslocam, separando-se do
corpo Físico. Todavia, através do cordão de
Prata, - D - todo o conjunto se mantém interligado.
Essa separação quase não é sentida pelo
médium treinado, porém no iniciante causa, às vezes,
desfalecimento. Também, a separação citada deixa
vago o corpo Físico, em disponibilidade para ser ocupado pelo
corpo Astral - B - da entidade. Por outro lado a figura mostra
o corpo Astral da entidade deslocando-se do que podemos chamar de sua
base vital - A - , ou seja, do conjunto formado por seus outros
corpos, que continuam interligados pelo cordão de Ouro
- E - Sobre essa movimentação, André Luiz,
à página 54 do citado livro, descrevendo o que acontecia
com a médium por nome Eugênia, assim fala:
"Notamos que Eugênia-alma afastou-se
do corpo, mantendo-se junto dele, à distância de alguns
centímetros, (...) enquanto que (...) o visitante (...) inclinando-se
sobre o equipamento mediúnico (...) se justapunha, à maneira
de alguém a debruçar-se numa janela."
Nesta
outra figura temos a terceira fase da incorporação. Vamos
primeiro descrever as partes do desenho.
A - E´ a base Vital do comunicante.
B - Conjunto incorporado, composto pelo corpo Físico do
médium, e seu Duplo Etérico, e o corpo Astral do comunicante.
C - Corpos Astral e Mental do médium, distanciados da
sua base física.
D - Cordão de Prata do médium interligando
sua base física aos corpos Astral e Mental.
E - Cordão de Ouro interligando a base vital do
comunicante com seu corpo Astral.
Portanto, o que a figura mostra, embora de forma simples, é
como ficam integradas, no fenômeno da incorporação,
as partes do médium e as do comunicante. Quando há total
confiança por parte do médium, seu afastamento permite
que o acoplamento do comunicante seja completo. Todavia, nos médiuns
iniciantes, esse afastamento, por vias da desconfiança, é
apenas parcial.
Devido a isso o acoplamento também não se completa no
todo. Não ocorre o perfeito acoplamento necessário ao
bom resultado do fenômeno. Neste caso, o comunicante terá
que se esforçar muito mais para fazer-se compreendido, pois a
interferência do médium é bloqueante. Seu pouco
afastamento causa impedimento à aproximação total
do manifestante, e prejuízo aos resultados finais.
Entretanto, é importante que esclareçamos que em quaisquer
das duas circunstâncias, acoplamento completo ou parcial, o controle
da comunicação sempre estará sob o domínio
do médium. A qualquer momento, quando ele assim o quiser, poderá
interferir no andamento do processo de comunicação, pois,
por mais afastado que esteja, consciencialmente em seu conjunto Astral/Mental,
continuará, porém, interligado à base física
pelo cordão de Prata, e por este fazer a censura e controle
da comunicação.
Para comprovar a existência desse controle que pode ser exercido
pelo médium, reproduzimos abaixo outra citação
de André Luiz, do mesmo livro Nos Domínios da
Mediunidade, agora á página 55.
"Observei que leves fios brilhantes ligavam
a fronte de Eugênia, desligada do veículo físico,
ao cérebro da entidade comunicante, (...) Embora senhoreando
as forças de Eugênia, o hóspede enfermo do nosso
plano permanece controlado por ela, (...)"
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Com a exposição contida nesta apostila, ficou bastante
evidente que ao médium compete desenvolver domínio sobre
sua faculdade. Esse domínio deve ser exercido com base na confiança
de sua habilidade, que se adquire com treino e vivenciamento. Sem essa
confiança ele estará sempre tropeçando nos empecilhos
que a si mesmo cria.
Esses empecilhos podem ser assim enumerados:
1. Confundir comunicantes levianos por mentores sérios;
2. Acreditar em toda e qualquer comunicação;
3. Não saber como lidar com os vários tipos de comunicante
e, por isso, se prender a um só tipo de manifestação;
4. Sofrer constantemente com os fluidos pesados dos manifestantes doentes
ou desajustados, sem saber como desses fluidos se livrar, sem magoar
o manifestante;
5. Oferece, ao comunicante, poucos conhecimentos próprios que,
se mais fossem, em muito facilitariam a comunicação.
Como se adquire essa confiança ?, perguntarão.
a) Fazendo uso dos tres pontos básicos que, por sua abrangência,
norteiam a todos os Seres, quais sejam: Conhecimento, Compreensão
e Fraternidade.
b) Resignando-se ao fato de que somente pela somatória dos muitos
anos de vivência mediúnica, associada aos pontos básicos
acima enumerados, poderá sentir-se suficientemente médium.
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Na apostila seguinte veremos a questão da influência do
espírito do médium na comunicação.
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Para nossa reflexão, reproduzo abaixo trecho de Léon Denis,
contido em seu livro No Invisível, á página
67, editado pela Federação Espírita Brasileira,
que assim diz:
"A mediunidade é uma delicada
flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções
e assíduos cuidados. Exige método, a paciência,
as altas aspirações, os sentimentos nobres, e, sobretudo,
a terna solicitude do bom Espírito que a envolve em seu
amor, em seus fluidos vivificantes. Quase sempre, porém, querem
fazê-la produzir frutos prematuros, e desde logo se estiola e
fana ao contacto dos Espíritos atrasados." (Grifo
nosso)
Bibliografia:
Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - capítulos
17, 18, 19 e 20 - Livraria Allan Kardec Editora
Léon Denis - No Invisível - capítulo 5 -
Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Nos Domínios
da Mediunidade, capítulos 5, 6 e 22 - Mecanismos da Mediunidade
- Missionários da Luz, páginas 14 e 17 - No
Mundo Maior, páginas 66, 67, 72 e 98 - Evolução
em Dois Mundos, páginas 66, 67, 69 e 98 - Todos editados
pela Federação Espírita Brasileira
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito
e Alma - Editora Pensamento
Hermínio Corrêa de Miranda - Diversidade dos Carismas,
volumes I e II - Editora Arte e Cultura Ltda. - Alquimia da Mente
e A Memória e o Tempo, editados por Publicações
Lachâtre Editora Ltda
Edgard Armond - Mediunidade - Editora Aliança
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier - Roteiro - Federação
Espírita Brasileira
Miramez/João Nunes Maia - Segurança Mediúnica
- Médiuns - Médiuns - Editora Espírita Cristã
Fonte Viva
Lancellin/João Nunes Maia - Iniciação, Viagem
Astral - Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Waldo Vieira - Projeciologia - capítulos 67, 130, 315,
371, 372, 391, 404. Editado pelo autor
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Outubro de 1995
Revisão em Janeiro de 2007