Apostila 37
MEDIUNIDADE - ATIVIDADES - II
27ª Parte
Depois de vermos na apostila 36 uma resumida descrição
do mecanismo da fenomenologia da incorporação, podemos
prosseguir abordando, desta vez, a questão:
Influência do Espírito do Médium Na
Comunicação
Como ficou visto na figura Fig-36C, apostila 36, a consciência
do médium continua ligada ao corpo Físico através
do conjunto Astral/Mental e do cordão de Prata, acompanhando,
por isso, todo o ato mediúnico, e podendo nele interferir. Se
o médium não for suficientemente treinado, ou se não
confia no comunicante, sem dúvida interferirá na comunicação.
Vejamos alguns tipos de interferências por parte do médium.
1° - Médium Inibido - Como ele estará acompanhando
o raciocínio do comunicante, poderá se sentir pouco à
vontade - envergonhado - perante às outras pessoas que estiverem
no recinto, em vista da maneira de expressão, tão diferente
da sua, com que o comunicante esteja se apresentando. Assim acontecendo,
automaticamente procurará mudar palavras e gestos. Essa reação
dificultará a espontaneidade do comunicante, podendo até
interromper a comunicação que se desenvolvia.
Solução - Vencer a inibição lembrando
que ali onde se desenvolvem os trabalhos mediúnicos todos são
amigos. Mais do que isso, que todos reconhecem naquelas diferenças
a ação de outra inteligência através de seu
corpo. Se por ventura houver descrentes entre os presentes, não
se importar com a curiosidade destes. Agir sempre com naturalidade e
educação.
2º - Opiniões Próprias - São os médiuns
em cuja vida particular não admitem ser contrariados. Acompanhando
o pensamento do comunicante poderá acontecer deste transmitir
alguma instrução que contrarie a opinião do médium.
Por causa disso o medianeiro se sentirá ferido em seu orgulho
e interporá um fim às comunicações daquela
entidade, dando margem ao início do processo das mistificações.
Solução - Desfazer-se do orgulho pessoal. Sem dúvida
é um dos esforços mais difíceis de serem empregados,
pois toda uma extensa lista de renúncias deve ser posta em prática.
Entretanto, o médium deve lembrar que o instrumental mediúnico
que possui existe para auxiliá-lo a corrigir-se do isolacionismo
a que se impôs. Situação resultante dos maus convívios
em vidas passadas, quando, prevalecendo de alguma posição
mais destacada, postou-se à força, sobre seus semelhantes.
Tais atitudes criaram-lhe um casulo, no qual sua consciência está
encerrada. Deve, portanto, compreender que a mediunidade atual lhe foi
concedida com o fito de, no trabalho assistencial, fazê-lo tolerante
com as ponderadas opiniões dos mentores e com isso romper-lhe
a couraça do orgulho.
3º - Preconceitos de Ordem Geral - E´ o médium
que em virtude de sua educação familiar e religiosa se
vê impedido de, espontaneamente, entregar-se à faculdade
que possui. Naturalmente nesse tipo se enquadram as pessoas recalcadas,
lutando interiormente em conflitos infindáveis. Sentem essa irrefreável
força do despertamento mediúnico agindo de dentro para
fora, mas para não contrariarem as diretrizes da religião
que professam por herança, preferem continuar sufocando a voz
da consciência, mesmo que sob o peso de enormes sofrimentos e
desajustes. Situações dramáticas poderiam ser evitadas,
principalmente em famílias católicas e evangélicas,
se não houvesse tanta intransigência contra a faculdade
mediúnica. Casos em que às vezes culminam em tratamentos
psiquiátricos, que em tudo só maltratam a pessoa na qual
se manifesta a faculdade, como também intranquiliza toda a parentela.
Solução - Procurar entender que todo e qualquer
preconceito é fruto de mentes fechadas, sabendo que uma mente
fechada é o caminho certo para a ortodoxia e o fanatismo. Circunstâncias
absolutamente contrárias à própria Lei de Evolução.
Compreender que a mediunidade, quando bem
exercida, é o maior instrumento para romper as barreiras impostas
pelos preconceitos, pois ela dilata as percepções, permitindo
melhor ver a própria razão da vida terrestre, e o continuar
desta na ambiência espiritual. Com a mediunidade, quando bem exercida,
repetimos, expandem-se horizontes, e as fronteiras do fanatismo e da
ortodoxia desaparecem. Salientamos que quando bem exercida, porque quando
usada em associações com espíritos irresponsáveis,
o reflexo será o agravamento, ainda maior, dos impositivos do
fanatismo e da ortodoxia.
4º - Animismo - No fenômeno do animismo a consciência
do médium exerce a sua própria vontade, impondo-a sobre
a influência da vontade do comunicante. De princípio não
há nada de errado com a ocorrência anímica. E´
que dentro da linha dos fenômenos psíquicos, chamados de
mediunidade, existem dois tipos: a) - fenômeno anímico;
b) - fenômeno espírita. No primeiro caso é o próprio
espírito do médium exteriorizando recursos de seu depósito
consciencial; no segundo caso é o pensamento de outra inteligência
que se manifesta.
A
figura ao lado mostra o que acontece na manifestação anímica.
Cada criatura hoje na Terra é um SER multi-milenar. Isto significa
que no substrato de sua memória perene - revejam a apostila 15
- se encontram armazenadas incontáveis e diferentes experiências
de vidas. Para igualar com a figura, podemos chamar a esse substrato
de porão da consciência. Por conseguinte, o porão
de cada SER se encontra repleto de informações e aptidões.
Todavia, a cada reencarnação, o porão passa
por um processo de tamponamento, ou bloqueio, que impede ao SER o livre
acesso a ele. Dessa maneira, forçado por esse esquecimento compulsório,
a pessoa tem a impressão de que esta é a primeira vivência
na Terra. Como se estivesse surgindo agora, novinho em folha, no cenário
cósmico. Porém, com a evolução psíquica
do SER, esse bloqueio, de forma natural, vai se tornando menos rígido
e, em algumas circunstâncias permite que o dono "visite",
e veja, o conteúdo do próprio porão. E´
isso o que a figura está representando. Nela temos a representação
de uma pessoa postada na data do ano de 2006. A seus pés, simbolicamente
empilhadas, vemos as eras de vivências humanas passadas. Seu estoque
de experiências. No alto da figura está seu Centro Consciencial,
regente da vida, aquele do funcionário eficientíssimo
que vimos na apostila 30. Por um estímulo provocado por agentes
exteriores, acontecendo na atualidade, e que sejam de inteira significação
com algum fato arquivado no porão, o Centro Consciencial
acionará uma espécie de "elevador" que, subindo
ou descendo o profundo poço, completará o acesso às
lembranças da era respectiva. Uma viagem ao túnel do tempo.
Pelo "elevador", e transitando pelo Centro Consciencial, chegarão
à personalidade física, atual, as lembranças que
poderão vir na forma de intuições, visões,
sonhos ou comportamentos. Na figura, nosso personagem recorda ocorrências
do ano 500 a.c., correspondendo à posição em que
se encontra o "elevador".
Esse é o mecanismo funcional do sistema. Suas variantes, que
significam o grau de esquecimento, dependem da estrutura psíquica
de cada SER. Todavia, um fato comum quase generaliza a possibilidade
da ocorrência dessas lembranças. E´ a mediunidade.
A mediunidade, em si fornece ao praticante acesso a níveis de
sua própria consciência que antes não lhe era possível
contatar.
A conclusão é simples: O médium, antes de tudo,
é um espírito. Logo, nada mais natural que ele, ao nível
da consciência física, faça contato com níveis
do chamado inconsciente, de sua própria e total consciência.
Isto é, tenha acesso ao grande todo de seu mundo interior, obviamente
dentro dos limites que seu equilíbrio psíquico atual permita.
Para isso, nada mais propício que o momento de concentração,
durante o estímulo mediúnico. Na apostila 38 comentaremos
alguns trechos de André Luiz, contidos em seu livro Nos Domínios
da Mediunidade.
Portanto, repetimos, a manifestação anímica é
um acontecimento absolutamente natural, e até certo ponto inevitável.
Circunstancialmente, poderá estar acontecendo com aquele médium
no qual os elementos filtrantes de seus chacras, as telas Etéricas
- apostilas 21 à 25 - estejam mais dilatadas do que seria conveniente.
Com isso, um fluxo maior de suas energias conscienciais escapa atingindo
o nível da personalidade atual.
Finalmente podemos dizer que a falta de conhecimento do mecanismo de
funcionamento do animismo é que causa, nos meios mediúnicos,
a estranheza provocadora de críticas pouco fraternas e que destroem
talentos nascentes.
Bibliografia:
Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - capítulos
17, 18, 19 e 20 - Livraria Allan Kardec Editora.
Léon Denis - No Invisível - capítulo 5 -
Federação Espírita Brasileira.
André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Nos Domínios
da Mediunidade, capítulos 5, 6 e 22 - Mecanismos da Mediunidade
- Missionários da Luz, páginas 14 e 17 - No
Mundo Maior, páginas 66, 67, 72 e 98 - Evolução
em Dois Mundos, páginas 66, 67, 69 e 98 - Todos editados
pela Federação Espírita Brasileira.
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito
e Alma - Editora Pensamento.
Hermínio Corrêa de Miranda - Diversidade dos Carismas,
volumes I e II - Editora Arte e Cultura Ltda. - Alquimia da Mente
e A Memória e o Tempo, editados por Publicações
Lachâtre Editora Ltda.
Edgard Armond - Mediunidade - Editora Aliança.
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier - Roteiro - Federação
Espírita Brasileira.
Miramez/João Nunes Maia - Segurança Mediúnica
- Médiuns - Editora Espírita Cristã
Fonte Viva.
Lancellin/João Nunes Maia - Iniciação, Viagem
Astral - Editora Espírita Cristã Fonte Viva.
Waldo Vieira - Projeciologia - capítulos 67, 130, 315,
371, 372, 391, 404. Editado pelo autor.
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Outubro 1995 - Revisão em Janeiro 2007