Apostila 38
MEDIUNIDADE - ATIVIDADE - III
28ª Parte
Encerramos a apostila 37 com a análise do tópico Animismo,
questão que gera discussões e provoca inseguranças
nos médiuns, deixando-os sob forte pressão de desconfianças
psíquicas.
Para esclarecimento de tão equivocado conceito emitimos a seguir
alguns comentários numa tentativa de eliminar tais dúvidas.
Esses comentários se prolongarão pelas apostilas 39 e
40.
O mais prejudicial dos acontecimentos é que a palavra animismo,
de tanto ser usada indevidamente, acabou virando sinônimo de mistificação
e maus costumes mediúnicos, sendo, por isso, usada como base
para críticas infundadas e mordazes. Esse procedimento, a crítica
mordaz, tem destruído no nascedouro grandes valores mediúnicos,
pois os médiuns iniciantes ao serem alvo de tais comentários,
oriundos de diri-gentes pouco esclarecidos, e também de pouco
tato, ficam receosos com essa taxação. Confundidos e inseguros,
se fecham num impedimento que bloqueia toda a evolução
mediúnica pela qual deveriam passar.
Conforme bem esclarece o mestre Léon Denis, em seu livro No
Invisível, no início de toda mediunidade a percentagem
maior do conteúdo de uma transmissão pertence ao espírito
do médium. Só com o decorrer dos treinamentos é
que o novato irá aprender a silenciar a sua própria voz
interior, pois saberá dis-tinguir das suas as idéias provenientes
de outras consciências.
Se assim todos compreendessem não mais haveria as críticas
ferinas, e em seu lugar viriam as orien-tações ao iniciante
para ajudá-lo a vencer o difícil período do rompimento
das indecisões. Mais tarde, quando bem treinado, durante o ato
mediúnico, o ex-aprendiz saberá como calar a voz de seu
porão de recursos inconscientes e canalizar, com a fidelidade
que lhe for possível, a mensagem do comunicante.
Ainda como justificativa para a aceitação da interferência
anímica, lembramos que os fenômenos catalogados de projeção
da consciência, bilocação, bicorporeidade e desdobramento
da personalidade, são efeitos anímicos, pois neles quem
age é o espírito de um encarnado. Isto é, do próprio
médium. Apesar disso são plenamente aceitos em todos os
estudos da fenomenologia psíquica. Como se nota, tudo é
uma questão de visão, razão porque nenhuma crítica
destru-tiva merece os fenômenos gerais da mediunidade, tais como
psicofonia, psicografia, clarividência, etc, se nestes ocorrerem
escapes anímicos.
No geral podemos dizer que para bem compreender as dificuldades inerentes
ao ato mediúnico é preciso vivê-los. Não
basta analisá-los apenas teoricamente, e das conclusões
imaginadas traçar paradigmas. Nosso entendimento pessoal, adquirido
pela vivência própria nesse campo, é o de que nenhum
pesquisador está em condições de analisar, e tecer
conclusões sobre a mediunidade se não vivê-la em
si mesmo. Tão complexo e profundo é o fenômeno.
Temos visto inúmeras literaturas que tratam do assunto, porém,
só encontramos respaldo coincidente com o que pessoalmente temos
vivenciado naqueles livros cujos autores foram, ou são médiuns.
Os demais, por mais ilustre seja seu autor, são meras especulações
literárias. Aliás, sobre isso Confúcio tem um ótimo
ensinamento, quando diz:
"Os ignorantes têm idéias
formadas sobre todos os assuntos; os inteligentes têm idéias
formadas sobre aquilo que conhecem; os gênios duvidam de algum
modo dos conceitos estabelecidos."
O que tiramos do ensinamento de Confúcio é que a cautela
é a melhor ferramenta para se lidar com a arte dos relacionamentos.
Jamais ter nossos pés fixamente fincados naquilo que nos parece
o certo. A própria evolução da vida, e a história
da humanidade, mostram que conceitos arraigados já fizeram hediondas
crueldades.
A
base de nossa opinião acima citada pode ser demonstrada pela
figura ao lado. Inevitavelmente, a quase totalidade de todas as comunicações
mediúnicas são, na realidade, Anímico-Mediúnicas.
Isto é, a comunicação final é produto da
mistura que se origina no espírito da entidade comunicante que,
ao passar pelo centro consciencial do médium, de lá arrasta
algo que este também possa fornecer.
O adestramento, como dissemos acima, é que levará ao
aperfeiçoamento, mas, em hipótese alguma o novato deve
se intimidar pelos resultados iniciais. Bem como seus orientadores devem
armar-se de boas maneiras para lidar com seus tutelados.
São do conhecimento público os casos de exteriorizações
anímicas que ocorreram nos médiuns Francisco Cândido
Xavier e Divaldo Pereira Franco, quando em seus períodos iniciais
na mediunidade. No entanto, Francisco Cândido Xavier, enriqueceu
o mundo com a mais fantástica fenomenologia psicográfica
que já se viu, legando-nos centenas de obras de inequívoca
sublimidade e autenticidade espiritual, e Divaldo Pereira Franco continua
nessa mesma jornada, também trazendo à Terra os ensinamentos
das esferas su-periores.
Imaginem que prejuízo não teria sido para o conhecimento
da vida além da morte, se os dois tivessem sido vencidos pelo
chavão do animismo. Realmente Confúcio está certo
!
Mas abramos espaço para aprender com André Luiz sobre
a questão animismo. De seu livro Nos Domínios da Mediunidade,
psicografado por Francisco Cândido Xavier e editado pela Federação
Espírita Brasileira, extraímos trechos que falam num trabalho
socorrista onde, como solução, foi usada a análise
do passado. O tema aborda a situação de uma jovem que,
quando em transe, exteriorizava um tipo personificado diferente do comum.
Tratando dele, o livro diz assim:
"Mediunicamente falando, vemos aqui um
processo de autêntico animismo. Nossa amiga supõe en-carnar
uma personagem diferente, quando apenas exterioriza o mundo de si mesmo
(...)" ( Página 212 ).
Informamos que a ocorrência acima é comum naqueles casos
onde se manifestam, desajustadamen-te, personalidades cujos modos são
diferentes dos modos do encarnado. Distingui-las, se é a exclusiva
exteriorização mutante do próprio médium,
ou se é uma personalidade exterior que dele se aproximou, é
muito difícil. Para se ter certeza, só mesmo com o auxílio
de mentores incorporados e dirigindo os trabalhos, ou de médiuns
desdobrados que, por suas presenças no Astral, poderão
descrever com autenticidade o realismo do acontecimento.
Quando um fato como esse acontece em trabalhos de desobsessão,
não ocorre a costumeira transfe-rência de entidades do
suposto obsidiado para os médiuns auxiliares, porque se trata
do desdobramento da personalidade do paciente em outra própria
sua, vindo do porão da consciência.
Alertando quanto à inconveniência das críticas
que se levantam sobre animismo, André Luiz aconselha e esclarece,
ainda à página 212:
"Muitos companheiros (...) vêm
convertendo a teoria animista num travão injustificável
(...) Portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras <<mistificação
inconsciente ou subconsciente>> para batizar o fenômeno.
Na realidade, a manifestação decorre dos próprios
sentimentos de nossa amiga, arrojados ao pretérito, de onde recolhe
as impressões deprimentes de que se vê possuída
(...)"
Arrojar-se ao passado é o ato representado pela figura Fig-37A,
apostila 37, na qual falamos sobre o porão da consciência.
Estoque multi-milenar que todos os Seres carregam em si. Por essa razão,
e dei-xando de lado a possibilidade de animismo, mesmo nos casos de
obsessão autêntica, torna-se difícil livrar a vítima
do algoz porque ela mesma, a vítima, fornece de si, do porão
de sua consciência, parte do material que facilita a formação
daquela simbiose. Aliás, como bem todos sabemos, nosso passado
é a luz ou a sombra na vida atual. Por isso, é comum,
nas sessões de desobsessão, mesmo nos casos autênticos,
se exteriorizarem nas falas e gestos das vítimas, além
da revolta do obsessor, também, "pedaços conscienciais"
do obsidiado.
Como reação, alguns pacientes, inconscientemente, se
retraem, impedindo até a liberação do obses-sor
que os incomoda. Isso parece paradoxo, qual seja, o enfermo não
querer se livrar da doença, todavia, o inconsciente possui labirintos
escuros que não os quer, naquele momento, ver iluminados. Cada
um sabe lá de si.
Voltemos a André Luiz, no mesmo livro e, agora, à página
213, quando, com sensível compreensão e respeito, diz:
"A idéia de mistificação
talvez nos impelisse a desrespeitosa atitude (...) Por isso, nessas
circunstân-cias, é preciso armar o coração
de amor, a fim de que possamos auxiliar (...) Um doutrinador sem tato
fra-terno apenas lhe agravaria o problema (...)"
Nas instruções de André Luiz vemos quão
é difícil corresponder eficazmente com humanitária
solução aos trabalhos desobsessivos, principalmente quando
este é efetuado na modalidade em que, há um só
tempo e lugar, estarão presentes a vítima e o algoz. Se
é que, sem cometer injustiças, podemos chamá-los
por esses nomes. De seus depósitos conscienciais poderão
se alijar palavras e gestos tão estranhos que con-fundirão
até ao mais experiente dos doutrinadores. Sendo assim, mais do
que nunca, a ordem nos trabalhos deve andar par-e-passo com os Mentores.
Reproduziremos, a seguir, outro trecho que não só torna
mais clara a temática que estamos analisan-do, como nos mostra
que em muitos momentos de cada dia podemos deparar com fatos semelhantes,
onde pessoas tidas por normais se manifestam de formas diferenciadas
nessas oscilações personalísticas. Tudo isso vindo
da bagagem contida nos porões da consciência, que, embora
sendo manifestação de personalidade de outra época,
pode se tornar tão autêntica que os circunstantes não
percebem as diferenças.
Vejamos isso na citação de André Luiz:
"Quantos mendigos arrastam na Terra o
esburacado manto da fidalguia efêmera que envergaram ou-trora
! Quantos escravos da necessidade e da dor trazem consigo a vaidade
e o orgulho dos poderosos senhores que já foram em outras épocas
! (...) quantas almas conduzidas à ligação consangüínea
caminham do berço ao túmulo, transportando quistos invisíveis
de aversão e ódio aos próprios parentes, que lhes
foram duros adversários em existências pregressas !"
(Página 214)
Em tais casos, como os citados por André Luiz, o "tampão"
do "porão da consciência" não está
tão bem fechado, deixando, de lá, escapar, em nudez total,
o que lhes vai no âmago.
Nessas situações reconhece-se o valor da leitura da aura.
Ela, como vimos no estudo da Aura, revela o conteúdo consciencial
de seu portador.
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Paramos por aqui nesta apostila, mas a análise não termina.
Continuaremos na próxima.
Bibliografia:
Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - capítulos
17, 18, 19 e 20 - Livraria Allan Kardec Editora.
Léon Denis - No Invisível - capítulo 5 -
Federação Espírita Brasileira.
André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Nos Domínios
da Mediunidade, capítulos 5, 6 e 22 - Mecanismos da Mediunidade
- Missionários da Luz, páginas 14 e 17 - No
Mundo Maior, páginas 66, 67, 72 e 98 - Evolução
em Dois Mundos, páginas 66, 67, 69 e 98 - Todos editados
pela Federação Espírita Brasileira.
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito
e Alma - Editora Pensamento.
Hermínio Corrêa de Miranda - Diversidade dos Carismas,
volumes I e II - Editora Arte e Cultura Ltda. - Alquimia da Mente
e A Memória e o Tempo, editados por Publicações
Lachâtre Editora Ltda.
Edgard Armond - Mediunidade - Editora Aliança.
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier - Roteiro - Federação
Espírita Brasileira.
Miramez/João Nunes Maia - Segurança Mediúnica
- Médiuns - Editora Espírita Cristã
Fonte Viva.
Lancellin/João Nunes Maia - Iniciação, Viagem
Astral - Editora Espírita Cristã Fonte Viva.
Waldo Vieira - Projeciologia - capítulos 67, 130, 315,
371, 372, 391, 404. Editado pelo autor.
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Outubro de 1995
Revisão em Janeiro de 2007