Apostila 47
MEDIUNIDADE - TEORIA E PRÁTICA
37ª Parte
"Sono é um desdobramento,
mais ou menos inconsciente, é uma porta que libera o espírito
algumas horas, (...) Se quereis ter sonhos mais lúcidos,
lembranças mais vivas do encontro com entidades elevadas
no mundo espiritual, começai a reformar a vossa mente."
(Miramez - Livro: Horizontes da Mente, páginas 194 e 195)
A apostila anterior tratou das questões relacionadas ao desgaste
físico do médium, dando ensejo a que se falasse sobre
o repouso que, na oportunidade comentamos apenas ligeiramente. Para
definir os aproveitamentos possíveis nas horas de sono veremos
nesta sobre
VIDA DURANTE O SONO
O ser encarnado vive uma vida onde dois ciclos se alternam. Um ciclo
de consciência, quando está acordado, e um outro de inconsciência,
quando está a dormir. Naturalmente que as duas classificações
usadas acima, consciência e inconsciência, são apenas
forma de expressão. Definem o estado de observação
em que se encontra o indivíduo, e não uma realidade total,
pois, na verdade, o Ser nunca está inconsciente. O que muda entre
o estado de vigília e o estado de sono é a dimensão
perceptiva. Sobre isso é nosso estudo desta apostila.
Iniciamos dizendo que as horas consumidas a dormir são tão
importantes quanto o são os alimentos. Essa observação
quer dizer que, assim como cuidadosamente selecionamos os alimentos
de cada dia, também igualmente devemos nos preparar para dormir,
pois, nessas horas coisas inacreditáveis poderão vir a
acontecer. Tanto obteremos delas um repouso reparador como um distúrbio
organo-emocional, tudo dependendo de como passamos as horas da noite.
A
explicação para esse fato pode ser assim comentada: A
figura 47A está dividida em duas partes. Acompanhemos.
Quadro 1 - Um indivíduo em atividade durante as horas
do dia. Devido às restrições que o corpo Físico
impõe à percepção da consciência,
esta, ou o Eu, simbolicamente na
figura, se mostra pouco radiante.
Quadro 2 - O mesmo indivíduo, à noite, dormindo.
Nesta faixa o Eu, sempre situado
em seu plano natural, o Monádico, se mostra bem radiante, simbolizando
que as percepções através de corpos sutis se tornam
mais abrangentes. Observar que nesta faixa 2
da figura, se mostra desdobrado o Cordão de Prata em virtude
do desacoplamento do corpo Astral do corpo Físico, o que não
acontece na ilustração da faixa 1.
Mas seguindo em nossa exposição, e ainda com foco na
figura 47A, como ficou visto na apostila 11, o indivíduo possui
vários corpos, situados, cada um num plano específico.
Durante o dia seus diversos corpos se acham acoplados ao corpo Físico.
Por isso, todas as atenções, ou estado de consciência,
se voltam exclusivamente para as atividades da vida humana.
À noite, cansado, busca o repouso. Ao relaxar os músculos
e o sistema nervoso central, afrouxam-se, também os laços
energéticos que prendem os demais corpos ao corpo físico.
Daí vem o sono. Durante este os sentidos físicos ficam
inativos. A consciência que depende deles, principalmente do corpo
Físico, para o contato com o mundo, não os tendo, volta
sua atenção para o plano imediatamente seguinte. Isto
é, para o corpo Astral no plano Astral. Ali, desprendido do Físico,
desperta o corpo Astral a oferecer à consciência condição
de percepção em outra dimensão.
Nessa alternância e interação ocorre o repouso
necessário ao corpo Físico, enquanto que ao mesmo tempo
a consciência participa de ações no plano Astral.
Em síntese, esta é a visão que temos na ilustração
da figura 47A. Atividade humana, quadro 1,
e atividade extra-humana, quadro 2.
Essa nova visão relacionada ao sono veio da constatação
de que a fase do sono, conquanto semelhante a uma preparação
para a morte está, todavia, cheia de vida. Recordem os sonhos
e observem como eles são cada vez mais vívidos, nos quais
se vê em múltiplas atividades.
Essas recordações mostram, comparativamente, que as aptidões
e dinamismo na vida Física também aumentam, numa clara
relação com as experiências oníricas. Logo,
constata-se, o sonho não é apenas a imaginação
fantasiosa num dormir, é um reflexo "censurado", ou
velado, de atos reais desse momento do dormir. Venham de onde viver,
ocorram onde tenha ocorrido, são acontecimentos reais.
Assim entendido, passa o indivíduo a observar melhor seu sono,
descobrindo que poderá aproveitar aquelas horas de descanso físico
usando-as em atividades reais no plano Astral, ou em outros. Portanto,
convicto de que não são meros sonhos, conforme a acepção
da palavra, durante o sono.
Essa resolução faz com que o sono deixe de ser considerado
apenas uma peça de afastamento das atividades, e se transforme
numa mudança de cenário onde as mesmas atividades, do
período de vigília, possam continuar a ser executadas.
Dessa constatação, como dissemos, temos a seguinte escala
de aproveitamento das horas de sono, cuja gradação indica
claramente o nível evolutivo do indivíduo.
HOMEM, PSIQUICAMENTE, POUCO DESENVOLVIDO
Tendo
o corpo Astral toscamente desenvolvido, o que significa sm recursos
para mais liberdade no plano Astral, permanece a consciência quase
inativa. O corpo Astral permanece a flutuar ligeiramente sobre o Físico,
enquanto este dorme. Interligados pelo cordão de prata, assim
ficam os dois corpos durante o tempo em que durar o sono. E´ isso
que nos demonstra a figura 47B.
O indivíduo dessa categoria, mesmo que deseje se afastar do
corpo físico não conseguirá porque ainda não
aprendeu a usar o corpo Astral como veículo independente para
a consciência, como também ainda não descobriu proveitos
naquele plano.
HOMEM, PSIQUICA E, MEDIANAMENTE DESENVOLVIDO
Na
figura 47C vemos o indivíduo que possui o corpo Astral um pouco
mais trabalhado. Agora não permanece inativo enquanto seu corpo
Físico dorme. Sente que uma corrente invisível o atrai
para algum ponto específico. Ainda não sabe identificá-la,
mas é a sua própria corrente mental que arrasta seu corpo
Astral para aqueles pontos de interesse.
Esses pontos de interesse que mais lhe chamam a atenção
geralmente são aqueles mesmos que durante o dia lhe prenderam
a vontade. Isso significa que a Consciência, usando o corpo Astral,
se dirige, durante as horas de sono, para os mesmos pontos dos interesses
que a atraíram durante o dia. Desta forma, embora livre do corpo
Físico, continua, contudo, ligada à problemática
da vida Física, o que não lhe permite ver, e ou participar,
da intensa vida no plano Astral.
Numa pessoa assim, embora o desejo seja ir além, o corpo Astral
quase nunca consegue sair do quarto onde o corpo Físico repousa.
HOMEM, PSIQUICAMENTE, BEM DESENVOLVIDO
Agora,
nesta nova cena, figura 47D, temos o indivíduo que consegue realizar
proezas no mundo Astral. Não fica apenas restrito ao interior
de seu quarto, como antes. Tornou-se co-participante de atividades,
boas ou más, no plano Astral. Não esqueçam
que psiquismo desenvolvido não é sinal de pureza espiritual.
No que concerne aos momentos úteis, ele encontra com amigos
e com eles troca idéias. Encontrando seres mais evoluídos
recebe deles avisos e instruções, como, também,
participa de serviços em benefício dos menos evoluídos.
Poderá fazer amizade com pessoas encarnadas de outras partes
do mundo e que, igualmente a ele, estão adormecidas fisicamente
naquele momento.
Dessas amizades desfrutar da ampliação de seus conhecimentos,
como, por exemplo, um médico que durante o sono vá visitar
hospitais em outras partes do mundo e se ambientar com a solução
de algum caso que está sob sua responsabilidade, como pessoa
física, onde trabalhe. Ao voltar ao corpo Físico terá
na forma de intuição a referida solução.
Todavia, não podemos nos iludir e nos maravilhar com o aspecto
do sono de uma pessoa assim. Naturalmente irá, também,
travar contatos com todas as espécies de influências existentes
no plano Astral. Não só as benéficas, mas também
aquelas que intentam prejudicar. Indiscutivelmente, porém, são
oportunidades que se pode usar para vencer muitas dúvidas que
nos atormentam, tais como as de superstição, que impedem
a liberdade da alma.
HOMEM, PSIQUICA E ALTAMENTE DESENVOLVIDO
Nesta
categoria, como a figura 47E, sem exagero, ilustra, pelo grau de liberdade
do corpo Astral, poderá percorrer distâncias astronômicas
durante suas horas de sono físico. Não só isso,
mas por ser o plano Astral o verdadeiro mundo das sensações,
tal pessoa sentirá toda a intensidade de sua força interior,
sem a interferência cerceadora das distorções provocadas
pelo corpo Físico.
Nessas condições irá sentir com mais vivacidade
a afeição, a devoção, quanto, também,
o sofrimento, o pavor e a luxúria, se estas forem as situações
do momento. Nesta categoria exemplificada pela figura 47E, a pessoa
já tem sob inteiro controle a sua força de vontade, mesmo
que não a use para atos benéficos, mas sabe que sua mente
poderá ter domínio sobre os acontecimentos com que se
deparará, bastando usar seu pensamento para mudar as situações.
Pode-se dizer que para uma pessoa nessas condições, já
não existe o intervalo entre a consciência física
e a consciência astral. A todo momento sua vida tem uma só
e mesma continuidade. E´ o estado de consciência contínua,
como assim denominou dr. Waldo Vieira, que será melhor visto
no tópico Projeção da Consciência, apostila
48.
SITUAÇÃO DA HUMANIDADE ATUAL
A maioria das pessoas de nossa atual sociedade já tem consciência
integral quando no corpo Astral. Entretanto, em muitos casos, não
sabem usá-lo como veículo independente para seu Eu
maior. A dificuldade em usá-lo como veículo independente
no plano Astral, não é pelo fato de não saber como
fazê-lo, mas porque, durante milhares de anos, o Ser se acostumou
a movimentá-lo apenas sugestionado pelas impressões recebidas
através do corpo Físico. Isto é, não sabe
controlar suas vontades transpondo-as aos interesses Astrais enquanto
dorme, deixando prevalecer aquelas que lhe motivaram as ações
durante o dia.
Para superar esse atravancamento os Mentores instruem alertando-nos
para aprendermos a mudar nosso padrão vibratório, e o
centro de nossos interesses, desviando-os dos dominós constrangedores
do plano Físico. Inicialmente é tão suficiente
interessar-se pelos assuntos transcendentes como forma de nos deixar
atrair pelos demais planos de existência. Fazendo-o, principalmente,
nos momentos que antecedem a hora do repouso.
A partir disso, estarão à espera, daqueles que o desejarem,
as cidades repletas de vida, de trabalho de evolução e
ordem, existentes nos planos além do Físico. Comunitariamente,
elas são compostas com escolas, centros de pesquisas, núcleos
hospitalares, unidades industriais, zonas de produção
agrícola, residências familiares e parques de lazer. Isso
evidencia que a vida é um continuar, ininterrupto.
Portanto,
num entrelaçamento também ininterrupto, as atividades
das horas do dia, quando conscientemente voltadas ao Todo existencial,
nos direcionarão às atividades nas horas da noite, no
Astral. E uma vez nelas, quando aproveitadas para o bem comum, o indivíduo
se sentirá possuidor de novas têmperas, mais fortes, que
o ajudarão a melhor suportar as horas do novo dia que despertará.
Entretanto, para que assim aconteça, depende da capacidade de,
quando for dormir, saber afrouxar seu corpo Físico, concedendo-lhe
um sono profundo e reparador. Deixando-se prender, excessivamente, pelas
preocupações do dia, estas aumentam a tensão mental
causando insônia ou inquietação. Observem que as
crianças e os animais caem instantaneamente no estado de sono
porque não têm, sobre si, as tensões sociais que
sobrecarregam os adultos.
As tensões, quanto mais crescentes, se tornam idéias
fixas, impedindo o indivíduo de ter acesso aos planos espirituais
durante o sono. Nestes casos, se não houver o esforço
de relaxamento, o sono, quando sobrevier, será agitado e fragmentado,
pois tanto o corpo Astral como o Mental, continuarão ressoando
na mesma freqüência de quando o corpo Físico está
acordado.
O processo mais indicado para iniciar o relaxamento do corpo Físico,
visando a liberdade dos demais corpos, distanciando-o das preocupações
do dia é: uma leitura edificante antes de se preparar para deitar,
e idealizar o propósito de, durante o sono, manter contato com
os seus orientadores espirituais. (Ver apostila 50).
Bibliografia
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Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Questões
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Gabriel Dellanne - A Reencarnação - capítulo
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André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Libertação
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André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Os Mensageiros
- capítulo 3 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco Cândido Xavier - Conduta Espírita
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Lawrence e Phoebe Bendit - O Corpo Etérico do Homem -
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Charles W. Leadbeater - Auxiliares Invisíveis - Editora
Pensamento
Victor Bott - Medicina Antroposófica - volume 1 capítulo
5 - Associação Beneficente Raphael
Shirlley Maclaine - Minhas Vidas - Capítulo 24 -
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Fevereiro de 1997
Revisão em Abril de 2007