Nosso Planeta
Queridos Amigos:
Venho falar de partilha, de colaboração, de fraternidade,
de vida comunitária.
O mote para este tema foi o abrangente retorno que chega até
nós pela divulgação do trabalho da “Horta
do Namasté”.
Creio que todos nós, e no profundo do nosso ser,
ouvimos o chamado da Terra.
Terra é: Segurança
Terra é : Alimento
Terra é : Perenidade.
Na sabedoria dos povos antigos, encontramos que através
da Terra se remediavam todos os males, desde os físicos, aos
morais e emocionais. Em algumas tribos índias quando uma pessoa
está em estado de desgosto por perda de alguém, isola-se,
dormindo ao relento, e em meditação, entrega o seu desgosto
ao vento, partilha a sua dor com a terra.
O nosso Planeta é uma Entidade Viva, com uma
multiplicidade de funções que permitem aos Seres que nele
habitam, a vivencia e conclusão da missão que se propuseram
nesta encarnação.
Entre essas funções, as duas que considero
mais importantes são as de que a Terra é celeiro, e é
escola.
Creio que todos concordam que a maior parte de nós
não fomos bons administradores desse celeiro, nem tiramos o melhor
aproveitamento desta escola.
Dos três conceitos referenciados, o da Perenidade
é ilusório.
Por diversas vertentes científicas, por múltiplos
canais metafísicos, sabemos que o Planeta Terra não é
perene.
Este corpo vivo saturou, enfraqueceu, adoeceu, devido
a todos os excessos cometidos, especialmente nos dois últimos
séculos. Curiosamente, é o espaço temporal que
muitos de nós consideram o período de ouro da “evolução”
da humanidade.
Tal como ocorre noutras posturas de vida, a nossa interacção
com a Terra está sob a alçada da Lei Universal de Causa
e Efeito.
Assim “iremos colher o que plantamos”,
pela acção, pela reacção ou até pela
inacção que tivemos, permitimos, ou deixamos de ter.
Meus amigos, por séculos entregamos a nossa responsabilidade
individual a outros.
Por conformismo, comodismo, fomos fechando os olhos aquilo a que a nossa
biologia apela, ou seja, á terra.
Na busca de melhorias de vida abalou-se dos campos,
das aldeias, e rumou-se ás cidades, onde, em meio duma selva
de betão*, apenas se encontrava o vazio.
Os cortes de laços sociais, o ser-se continuamente
um estranho no meio de muita gente.
Mas as escuras forças da ilusão eram tão
espertas, que continuamente nos subjugavam com os brinquedos modernos.
Em especial os da electrónica (tal como muitos pais fazem para
“acalmar” as crianças),
e com toda uma panóplia de coisas materiais, que pelas matérias
utilizadas na sua construção ou manutenção,
são autênticos massacres dos meios naturais do planeta.
De forma subliminar e pelos mais diversos meios, televisão, outdoors,
e outros, fomos sendo formatados, de forma a pensar que essas coisas
eram indispensáveis a um bom viver, e pior ainda, a que a falta
delas nos desvalorizava, pessoal e socialmente.
- Chegamos ao limite de avaliar e julgar os nossos
semelhantes pelas suas posses de mais ou melhores carros, casas, roupas
etc.…..
- Chegamos ao limite do esquecimento da nossa Essência
Divina
- Chegamos ao limite do desvirtuar a razão da
nossa estadia aqui, no Planeta Escola.
Como em todo limite, não podemos ir mais alem,
assim, iniciamos o caminho de retorno.
Este retorno, é feito de reencontros e um dos
mais significativos é o nosso reencontro com a Mãe Terra.
Com iminentes mudanças sociais e até geográficas,
mas a generosidade da Terra continua latente, a subtilização
da nossa forma de estar, o respeito pelos ciclos da terra e pelas necessidades
dos outros, podem levar-nos a esse relacionamento harmonioso, saudável,
em que abundância seja de, e para todos.
A experiencia da pequena “Horta do Namasté”
(vide link ao final), ideia surgida e implementada num grupo de amigos,
é apenas um exemplo do muito que se pode fazer em autentica fraternidade.
Lembrem que somos apenas os administradores daquilo
a que chamamos nosso.
- Criar espaços comuns de trabalho – Recriar
os sistemas de aldeia comunitária -
- Aproveitar de forma total e consciente os recursos
existentes – Reformular móveis, roupas e outros –
Reconhecer e eliminar o desperdício – Implementar um sistema
de trocas – Apresentar ás Juntas ou Câmaras propostas
de exploração de áreas publicas para áreas
de cultivo –
Estas são apenas algumas, das muitas ideias que
podem nascer e crescer, num meio onde a energia comum seja de tolerância,
de cooperação e de amor incondicional.
Namasté, e o meu abraço de Luz e Paz
A.
O título deste trabalho é uma homenagem ao Planeta
Terra, e também a um filme com o mesmo nome, que recomendo a
todos.
*Betão - Concreto – mistura de cimento, pedra brita e
areia – usada na construção de estruturas de edifícios.
Horta do Namasté -
http://ahortadocoracao.blogspot.com/