Páginas que Iluminam

 
 

 

 

Vida Para Além da Vida

Tenho plena consciência do quanto este tema é difícil de assimilar para muitos, no entanto, a integração dele nas nossas vidas, a reconciliação com o limite temporal do nosso corpo físico é fundamental, quer para a vivencia plena da Vida, quer para a vivencia plena da Vida Para Alem da Vida

Comecemos por falar na Tanatofobia, esclareço que esta é uma palavra composta por Tanatos – Divindade grega considerado o Deus da morte – e fobia, que como sabem, é o medo irracional de alguma coisa.

É minha intenção através deste trabalho, e baseada no meu percurso pessoal, contribuir de alguma forma para a anulação ou diminuição daquilo a que se chama o “maior medo do homem”, e aliviar essa pesada carga de negatividade, incertezas e terrores que desde sempre acompanharam uma parte da humanidade, e que se deve ao medo da morte!

Estado, ao que eu prefiro chamar, vida para além da vida.

Quero realçar que fundamento toda a minha argumentação, na convicção de que somos seres espirituais a ocupar temporariamente um corpo físico, e assim, com total certeza da reencarnação! E apenas como complemento á minha convicção faço uso dos ensinamentos de:



Krishna, que dizia: "Na sua nova existência, o homem recupera novamente toda a organização espiritual que tenha adquirido nas vidas passadas, e assim fica preparado para continuar os estudos e as tarefas que conduzem à perfeição. Depois de muitas vidas em que acumulou sabedoria, o sábio a Mim se dirige, realizando a sua união Comigo, compreendendo que o homem é idêntico ao Universo e que tendo alcançado o Supremo Conhecimento, vivem unidos Comigo, entrando em Meu Ser."

Ou as palavras de Maomé o profeta:
"Tu que fazes entrar a morte na vida e a vida na morte...",

Ou as palavras de Jesus:
“Quem vive em Mim (em consciência) nunca morrerá”

Ou ainda quando São Francisco de Assis, dizia :
Ӄ morrendo que se nasce para a vida eterna".



Com isto, não faço obviamente apologia a nenhum culto mórbido, mas sim, que podemos e devemos desenvolver a consciência de forma a entender as “leis “ da morte e que essas mesmas leis far-nos-ão voltar à existência física, enquanto estivermos ainda presos ao circulo de nascimento e morte, à Roda de Sansara.

O nosso corpo físico, é o meio de transporte do nosso espírito.
As suas “limitações” são o meio que nos obriga a abandoná-lo periodicamente.

Servimo-nos desse corpo num tramo do nosso percurso evolutivo, enquanto vamos formatando um estado espiritual harmonizado com aquilo que realmente somos.

É como se caminhássemos para uma meta programada através dos muitos corpos que progressivamente ocupamos; a “embalagem” que deixamos para trás, é um ciclo da nossa marcha, na construção de um patamar, que seja compatível com a nossa essência espiritual.

Durante esse processo, vivenciamos períodos de mais consciência e menos consciência, semelhantes aos de sono e vigília, que experimentamos diariamente.

Ao período de mais consciência, chamamos vida, ao período de menos consciência, chamamos morte. No entanto, quanto mais mergulhamos na inconsciência, mais morremos, quer ocupemos corpos físicos ou não.

Assim, se ainda não reunimos as condições de construir o nosso veículo espiritual na presente encarnação, teremos de nos livrar, mais cedo ou mais tarde, desse veículo físico, que aos poucos se vai cristalizando, com limitações de vária ordem e impedindo que a nossa verdadeira natureza se desenvolva e se expresse plenamente.

Quando tivermos que abandonar esse corpo, em consonância com as leis cósmicas, passaremos por um estado de letargia, de menor consciência, vulgarmente chamado de morte, ao que os adeptos da conscienciologia chamam “período intermissivo”, os Budistas chamam de bardos e os Espíritas de reciclagem no Astral…

Por menor consciência, quero referir que não temos lembrança desses períodos, que no entanto e segundo o grau evolutivo de cada pessoa, considero serem de plena lucidez, quer na avaliação do percurso realizado, quer na preparação do retorno se a nossa mônada o considerar ainda necessário.

São vários os motivos que criaram no ser humano esta fobia, o medo da morte esteve sempre presente em várias culturas, tendo acompanhado o homem através dos séculos, perturbando a sua mente e ameaçando a sua harmonia.

Este medo, é uma característica marcante das sociedades materialistas, formadas por indivíduos fortemente aferrados a bens materiais e cheios de superstições, fomentadas normalmente pelas religiões.

É natural, que os seres "vivos", busquem a vida e evitem a morte, mas o horror à morte, sentido pelo homem da actualidade, foi artificialmente desenvolvido e vem sendo manipulado na nossa sociedade, de forma a subjugar os indivíduos a condicionamentos religiosos, dando assim um enorme poder aqueles que os manipulam.

Todos sabemos que dinheiro, poder, pessoas queridas, bens materiais, tudo isso será deixado para trás com a morte. Portanto, todos aqueles que procuram um elevar de consciência, devem investigar, esclarecer e aceitar esta questão fundamental, para o seu total equilíbrio e harmonia, para terem paz de espírito, tranquilidade, e uma existência mais feliz.

Devemos ainda considerar a tanotofobia como o medo que gera todos os demais medos, criando no ser humano uma enredada teia de limitações e bloqueios.

Sabemos que dois conceitos fundamentais acompanham a nossa ascensão, o medo ou o amor – também neste aspecto, o da partida, vamos actuar com amor, pois só esse nos eleva a outro patamar de consciência.

Sem esquecer outras vias, é no entanto através do Budismo que encontramos uma autêntica forma de estar (em vida) com relação à morte.

Duas situações são fundamentais para essa forma de estar ainda que em contextos diferentes, mas que se complementam.

A primeira dessas situações, é a de que todo ser deve sentir desde muito jovem, que a impermanencia é o mais certo da nossa vida e tendo isso como um princípio, devemos praticar constantemente o desapego entre outras posturas e formas de estar positivas.

Desapego é um conceito que nós ocidentais, não abarcamos completamente o significado, pelo contrário, há quem associe esta palavra a falta de interesse, ausência de amor e cuidados, alienação nos relacionamentos familiares. No entanto, é precisamente o contrário de tudo isto, quem consegue praticar um total e sereno desapego, são pessoas que, interiorizaram já a sua célula divina, assumindo como prioridade de vida, uma postura correspondente aquilo que somos, ou seja, seres Espirituais e Imortais. Nesta forma de ser, já nada existe no plano material, que crie dependências ou apegos.

No entanto, a maior parte da humanidade vive ainda e apenas, as ânsias provocadas pela compra da casa, férias com os amigos, o carro ultimo modelo, o ritmo de vida torna-se febril, abafamos os nossos medos cercando a nossa vida de bens e mais bens, coisas e mais coisas, até que nos tornamos escravos de tudo isso, e todo o nosso tempo e energia se exaurem simplesmente para manter essas coisas.

Essas vidas tornam-se desperdiçadas na busca de banalidades que, ao não preencherem satisfatoriamente a nossa Alma, nos afastam ainda mais dessa realidade concreta que é a impermanencia e a sempre eminente passagem a outro plano.

No que toca a sentimentos e emoções, a pessoa que pratica o desapego é aquela que está completamente nutrida de amor, amor espiritual, amor incondicional, no entanto e por norma o nosso amor é mais emocional que espiritual, amamos na carência, ou seja, alimentamo-nos do sentimento de que amar é sentir necessidade de receber o amor do outro, dando assim um valor excessivo a alguém, simplesmente porque nos faz falta.

Como dizia Robert Sardello num dos seus livros
“ No amor espiritual, o bem da pessoa a quem amo, vive dentro de cada pensamento que me vem, ainda que a distância seja infinita e perene entre nós”.

Intelectualmente, não é muito difícil compreender que para aceitar a vida, temos de aceitar a morte, mas emocionalmente rejeitamos essa premissa, e isso porque não nos sentimos preparados para deixar algo do qual ainda nos sentimos carentes! Dito de outra forma é exactamente porque sentimos falta de vida, na nossa actual vida, que não nos sentimos preparados para a deixar!

Isto recorda-me uma conversa que tive recentemente com uma pessoa, em que abordamos este tema, como resposta á minha pergunta se tinha medo da morte o que essa pessoa me disse foi: não, mas tenho medo de deixar de viver…..Só após alguma reflexão cheguei á conclusão que não é a mesma coisa, que a vida desta pessoa ainda que recheada de vivências e prazeres efémeros, aprofundou ainda mais o seu desejo de viver, porque vive em carência de algo que desconhece, que não encontrou ainda na sua forma de vida actual.

Ainda que possa parecer um paradoxo, são as pessoas que viveram vidas plenas em amor e entrega, em que elas próprias são amor incondicional, são essas que demonstram a maior paz quando enfrentam o seu próprio processo de morte, porque a satisfação interna é tão grande, que a aceitação do desenlace é completa e serena.

Aceitar, estudar e até preparar a nossa morte (como ocorre em alguns povos), não significa desistir da vida, bem pelo contrário e como disse anteriormente, devemos saturar a nossa vida de experiências e vivências que nos tragam a tal paz de espírito, a tal plenitude, porque intuitivamente sabemos que enquanto separarmos a vida da morte, estaremos sempre presos ao medo de viver ambas experiências.

E refiro-me entre outras situações, aos milhões de pessoas que vivem constantemente sob o medo de adoecer, e de acidentes. Fazem desses medos autênticos muros limitadores das suas vidas. Com o tempo e de forma inconsciente, esses medos tornam-se na sua natureza, desaproveitando esta dádiva evolutiva maravilhosa, e vivendo constantemente num mórbido medo de viver, pelo medo que têm de morrer.



Kryon, numa das muitas abordagens a este tema diz:
“É verdade que qualquer Ser Humano é biologicamente único, o que significa que nenhum voltará a ter uma expressão exactamente igual à que teve, após ter partido. Esta é a razão principal do lamento, quando um ser humano desencarna.
Quem não compreende o funcionamento do processo da aprendizagem terrena, sofre terrivelmente com a partida de um ser amado. Para estes, não há objectivo, nem esperança e tampouco paz. Já quem está em equilíbrio e iluminado, quem compreende completamente o que ocorreu na morte, convinha que fizesse uma cerimónia – não de lembrança vazia e mórbida, sem esperança ou objectivo – mas sim de celebração da vida do indivíduo que acabou de partir. Compreender intuitivamente que a «vida» continua após a morte, é intrínseco à vossa «programação» e está impressa no nível celular! Vocês dispõem desta verdade para que possam ter paz no momento da morte humana.”



Assim meus amigos vamos promover a VIDA em:
- União sem apego
- Fraternidade plena
- Caminhos de auto-conhecimento,
E chegado o momento de retorno, sentir apenas o doce cansaço do viajante, que anseia feliz o regresso ao lar.

Deixo-vos com estas belas frases do pesquisador Wagner Borges:

“Somos Espíritos Imperecíveis – Somos essência espiritual que não morre.
Não somos humanos, estamos humanos por enquanto, e como tal, vamos aproveitar para encher o corpo de luz, porque nada no Universo nos pode apagar.”


Um abraço pleno de harmonia e paz.
A.