Astros da Noite____________________________________
Durante as horas do dia o céu se mostra
quase vazio. Não fosse a presença do Sol, e nuvens, às
vezes esparsas, e estaria, mesmo, mostrando só o pano azul de
fundo.
Mas quando o astro Rei se esconde na linha do
horizonte, e o azul de fundo é gradualmente tingido de cinza,
passando a seguir ao negro, então o cenário da abóbada
celeste se transfigura.
Inicia-se por aparecer incontáveis pontos
de luz, as Estrelas. Luzentes, ponteando por todos os lados, elas enfeitam,
maravilhosamente, toda a superfície que os olhos humanos possam
alcançar.
E, em ciclos certos, também se mostra
à visão dos homens o astro magno da noite, a Lua. E que
espetáculo ela proporciona aos terráqueos.
Vem aparecendo timidamente por algumas noites,
depois, já mais desinibida, apresenta-se belamente arredondada,
numa esfera brilhante quase a rivalizar com o Sol em luminosidade para,
então, voltando à timidez anterior ir se encolhendo, encolhendo,
até ficar apenas um filete que, já na noite seguinte,
não mais se mostrar.
Este é o espetáculo do teatro celeste
visível às horas da noite.
Mas... e vocês terráqueos, têm
observado esse trânsito noturno ?
Não, não têm.
Não mais erguem os olhos aos céus.
Estão eles imantados à vida no solo da Terra. Apenas sabem
que quando as luzes da cidade se acendem é porque o céu
se mostra escuro.
Meus caríssimos, esse comportamento demonstra
o quanto estão alienados da vida cósmica.
Comparando-se, seria como residir numa casa possuidora
de inúmeros cômodos, todos interessantes e variados, mas,
por se ter imposto restrição própria, somente conhecem
e usam um desses cômodos.
Não se deixam nem levar pela curiosidade
de dar uma olhadinha no cômodo mais vizinho ao que estão.
Uns poucos se aventuram e adquirem aparelhos que lhes apuram a visão,
e de onde estão assestam os olhos ao cômodo vizinho, ou
mesmo aos mais distanciados.
São aqueles que, insatisfeitos com a vida
confinada num único cômodo, têm o desejo de se lançarem
na aventura de ir aos outros cômodos.
Mas estes são muito poucos, proporcionalmente
ao número de habitantes que a Terra possui.
Meus amigos, já passa da hora de voltar
a olhar o céu noturno.
Atentem que até os sistemas de medida
do tempo e localização geográfica na face da Terra
iniciou-se pela observação dos Astros da Noite.
Noite após noite, os antigos habitantes,
- aqueles, sim, olhavam o céu noturno – invariavelmente,
todas as noites, iam demarcando posições e observando
que alguns dos pontos luminosos observados se moviam mais rápidos
que outros e, dessas observações, vieram as formas de
marcar o tempo, e a correspondente posição geográfica
na face da Terra.
Embora vocês já possuam sofisticados
aparelhos de acompanhamento à navegação aérea
e marítima, contudo, continua indispensável conhecer do
posicionamento dos Astros da Noite.
Mas não é só por isso que
seus interesses devem se voltar aos Astros.
O interesse maior é o de reconhecer que
se encontram confinados apenas num pequeno cômodo da imensa Casa
Cósmica, e se perguntarem: “- Estamos, como
seres pensantes, sozinhos nos Universos, ou existem outros habitando
muitos daqueles pontinhos de Luz ?”
Parece uma pergunta sem substância, desinteressante,
contudo, ao pensarem nela estarão ativando seus centros de imaginação
que, por decorrência, abrirão seus canais de fluxos mentais
entre o que são, como seres humanos, e o que são em essência,
isto é Espíritos.
Espíritos, os verdadeiros habitantes do
cosmos, aqueles que podem, isto sim, transitar por todos os cômodos
da imensa casa, e não só desfrutar do confinamento terrestre.
Aventurem-se. Lancem seus olhos ao infinito e
estarão dando asas aos seus Espíritos.
Libertem-se do confinamento.
Ismael
21.06.2009