Era Uma Vez____________________________________
Assim começavam todas as histórias de
antigamente, aquelas que se contavam às crianças.
Era delicioso ver aqueles rostinhos, de olhares fixos
e lábios entreabertos, expectantes, ansiosos pelo desfecho final.
Como eram lindos aqueles rostinhos, e como era tão
aconchegante ver pais e mães a fazerem essas tertúlias,
como se fossem avezinhas juntando seus filhotes sob suas asas.
Mas, tudo era uma vez porque, agora, os pais e mães
não contam mais estórias – até a palavra
teve sua grafia mudada – não contam mais estórias
a seus filhos. Não lhes sobra tempo para isso porque, uns, têm
de trabalhar de sol a sol pelo sustento do lar, e outros, os abastados,
têm nos filhos apenas companhias na casa e, para essas companhias,
acham que basta um receptor de televisão no quarto que as crianças
estarão satisfeitas.
Não sabem, esses infelizes pais que estão
aprofundando, ainda mais, o abismo entre eles e os filhos. Um abismo
formado pela socialização dos costumes comandada por grupos
econômicos que outra coisa não tem em mente a não
ser lucros.
E para consegui-los sacrifica-se, finalmente, a célula
mater da sociedade: a família.
Uma espécie de câncer estar enfraquecendo
o corpo familiar das pessoas. Estas não estão percebendo
e, em nome de uma exibição social, dão vazas às
sugestões que a elas são importas pelo sistema que aí
está, e que assoma a regência dos povos.
Nesse andar, as crianças estão se tornando
as maiores vítimas, pois, indefesas ainda, não encontram
nas pessoas de seus pais o ESCUDO que deveriam ser, a protege-las contra
esse vírus terrível que se chama status social.
Caríssimos, estão vocês à
borda desse abismo. Só mais um passo em falso e rolarão
encostas abaixo, e não cairão sozinhos. Nesta queda também
ouvirão os gritos lancinantes de seus filhos a dizer:
“- Por que ?, pai, por que ?, mãe.”
Ismael
19.06.2009