Apostila 23

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O ÓDIO E O AMOR - III


Nas duas últimas apostilas analisamos os danos causados pela força destrutiva do ódio, contrapondo, logo a seguir, comentários sobre o poderio reconstrutor contido no Amor.

Como comentamos na apostila 21, muitas pessoas não se dão conta de que em suas mãos existem, simultaneamente, esses dois poderes. As mãos podem ser instrumentos de degeneração quanto de regeneração. Não se apercebendo dessa dualidade, provocam destruições sem medida, enveredando por labirintos dos quais, depois, não sabem como sair. Isto é, não sabem como repensar e compensar o desacerto produzido.

Se nos pedirem provas de tudo que temos comentado, isto é, de que somente no uso do sentimento de Amor é que as pessoas se transformam para os estados de harmonia interior, nossa resposta será uma só: - Submeta-se à mesma experiência, pois só a vivendo será possível compreendê-la.

Exigir provas palpáveis para questões de ordem espiritual, é o mesmo que exigir que se contenha o vento num dia de tempestade. Provas laboratoriais, ou documentais, para situações como essas são simplesmente impossíveis, pois não se trata de fatos físicos, embora venham de acontecer no âmbito de uma vida física, mas se trata de transcursos ao nível da alma. Portanto, só a vivência própria fundamentará a certeza. Uma vez a certeza definida, se torna, então, ato comprobatório, pois a pessoa notará em si a mudança transcorrida.

Desta forma, a tão sonhada paz de espírito na qual o indivíduo substitui todos os seus impulsos de ódio pela resignação emoldurada pelo amor, se tornará fato corrente em sua vida. Seu esforço compensou a vitória alcançada. Descobriu que o caminho da vitória é a confiança, a coragem e a renúncia.

Creiam, ou esperem, por mais algum tempo... Quanto ? Cada um é que decide por si mesmo.

Na sequência de nossos comentários passaremos agora ao que chamaremos de roteiro regenerador. Os passos direcionadores à Grande Luz.

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Enriquecendo os esclarecimentos da apostila 21 usamos das valiosas informações de André Luiz, retiradas de seu livro Ação e Reação, psicografado pelo inesquecível Francisco Cândido Xavier, onde ele identifica causas e define efeitos de infaustos acontecimentos que se prolongam por muitas vidas futuras. Enfim, forças destrutivas.

Nesta, como estamos falando da força recuperadora, pois já estamos nos aproximando do final de nossas anotações desta série, usaremos de um outro conjunto de informações. Exatamente aquelas que postas lado a lado com as informações de André Luiz, reproduzidas na apostila 21, dão à pessoa vivamente interessada as balizas que a direcionarão no rumo ascensional.

O autor dos trechos que reproduziremos a seguir é o experimentadíssimo teósofo Charles W. Leadbeater, que os fez constar em seu livro por título Os Mestres e a Senda. A edição pertence à Editora Pensamento. O capítulo é o XIV que, por sua importância, mereceria ser reproduzido na íntegra. Todavia, não possuímos autorização do editor para efetuar tão extensa reprodução. Nos contentaremos, assim, a citar apenas alguns trechos, afim de não ferir os direitos de autoria.

Dentro desta limitação, contudo, procuraremos mostrar que o objetivo das instruções é dar um roteiro seguro e coerente.

Este roteiro se inicia no que o autor chama de “AS QUATRO NOBRES VERDADES”, e ele o faz citando uma orientação do senhor Buda.

1 – A Tristeza e Sofrimento
2 – A Causa da Tristeza
3 – A cessação da Tristeza
4 – O caminho que conduz à cessação da Tristeza.

Segundo Leadbeater, estas são as Quatro Nobres Verdades na visão do senhor Buda. Para nós que nas precedentes apostilas analisamos tantas ocorrências que culminam com acontecimentos angustiantes e entristecedores, nada mais oportuno que confrontar esses tópicos com os fatos.

Primeira Verdade - Em seus comentários, sempre baseados na visão do grande Avatar, ele ensina que um dos motivos incursos na primeira verdade, e que fazem ocorrer a tristeza na vida física, é a opressão em que o espírito se sente vivendo na limitação da matéria física. – Figura 23A -

Enquanto que nos planos superiores de vivência o espírito se encontra sem limites à sua expansividade, na vida física ele fica quase que totalmente impedido de usar seus ilimitados poderes. Algo como se fosse um afunilamento o oprime no corpo físico que lhe dá a personalidade. Isso o confrange, o entristece. Nesses momentos, a personalidade humana refletindo aquela tristeza extravasa angústia ou depressão, sem, contudo, atinar com o que, ocultamente, lhe acontece.

O reverso dessa situação ocorre nos momentos de sonhos agradáveis em que a pessoa se vê até voando, ou nos momentos de meditação, quando atinge lampejos de plenitude espiritual. Isto é, de maior liberdade espiritual. Nesses momentos sente vibrações docemente suaves. Todavia, basta que esses breves momentos passem para que volte a sentir as compressões do ambiente físico e o retorno das tristezas.

Segunda Verdade - Como causa da tristeza, e apontando a segunda grande verdade, o autor destaca o desejo. Assim ele se expressa: “Se um homem não deseja riquezas nem honras nem posição nem poderes, permanecerá tranqüilo, quer essas coisas lhe venham ou não.”


A figura 23B exemplifica a questão dos desejos desmedidos, fontes de violentas revoltas e desdobramentos de angústias. O desejo não satisfeito leva a pessoa a se revoltar contra a “sorte”, contra a vida, e se indispor com amigos, parentes e colegas de serviço. E´ o caminho para se tornar uma pessoa indesejável. Seu estado consciencial é, permanentemente, atribulado, confuso, amargo.

Entretanto, existem aquelas pessoas que não se deixam dominar por desejos descabidos.

Uma pessoa desse porte – figura 23C - não padece de ansiedades, mesmo que, como prossegue Leadbeater, “...como humano deseje isso ou aquilo, mas moderada e brandamente, (...).” Estará sempre equilibrada com o padrão de vida que lhe é possível na encarnação que se encontra. Não há revolta social e se sente agradecida por tudo àquilo que lhe vem ao alcance. Até mesmo do pouco que possua, procura dividi-lo com os menos favorecidos. Compreende que a vida deve ser um constante estender de mãos, onde todos se apóiam mutuamente.

Também encontramos em Emmanuel, espírito, idêntica citação, quando diz: “Simplificai vossos hábitos e reduzi as vossas necessidades.” Este trecho está contido no livro Roteiro, à pagina 169, psicografado por Francisco Cândido Xavier e editado pela Federação Espírita Brasileira.

Tudo isso se torna irrefutável quando, ponderando sobre a primeira verdade, vemos que acontecendo de um espírito vivendo mergulhado no oceano de inquietantes e impossíveis desejos só poderá ter como resultado a constante ansiedade geradora de tristezas.

Terceira Verdade – A terceira Verdade fala da Cessação da Tristeza. Este sim, um ponto alvissareiro. Mas, como conseguir essa realização com a qual todos sonhamos ?

Leadbeater, em ligeira instrução diz: “Vivemos no mundo, mas não temos que viver segundo o mundo nem ser do mundo até o extremo de nos causar inquietudes, turbulências e tristezas.” [Grifos do original]

Em outras palavras, significa que apesar de estarmos na vida física, isso não quer dizer que nossos procedimentos tenham de ser iguais ao comum da massa turbulenta e inquietante que assola o planeta. Muito menos sermos escravos dos ditames propalados pela mídia, que direcionam as pessoas para o mesmo padrão de comportamento, anulando a individualidade.

Por exemplo, pergunte a si mesmo: - por que tenho de me submeter ao uso do ácido alcoólico, destruindo as células de meu corpo e o meu equilíbrio psíquico, só pelo fato da sociedade admitir que é uma droga permissível ?, e dele faz uso exageradamente ? Simplesmente para seguir a corrente de desvairados que se comprazem, por alguns minutos, em destruir seus próprios lares ?, e depois caírem em profundas e desconcertantes tristezas ?

Não !, essa bdeve ser a resposta. A Cessação da tristeza só pode seguir outra linha. Se acima ficou explícito que o desejo imponderado é a mola propulsora da tristeza, então, o controle dele, anulando seus impulsos, é o único modo possível de fazer cessar as angústias que minam a confiança na vida.

Isso nos parece lógico e óbvio, todavia, veremos essa descrição de forma mais extensa na próxima apostila quando, ainda no uso das anotações de Leadbeater, analisaremos a quarta verdade: O Caminho que Conduz à Cessação da Tristeza.


Bibliografia:

Emmanuel/Francisco Cândido Xavier – Roteiro – página 169 – Federação Espírita Brasileira
Charles W. Leadbeater – Os Mestres e a Senda – capítulo XIV – Editora Pensamento


Apostila Escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL

Abril de 1998
Revisão em Dezembro de 2008