Apostila 24

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O CAMINHO DA REDENÇÃO - I


A apostila anterior mostrou que os desejos incontidos são a causa primeira de toda dor vivenciada na Terra. Não só a apostila anterior mas, também, na apostila 04 ficou demonstrado o quanto é pernicioso ceder, incontinente, a todo desejo que desponte na alma.

Entretanto, como o viver na Terra tem como escopo a evolução da criatura, e como a meta principal de cada existência é a de corrigir as vivências anteriores naquilo que nelas houve de equivocado, vamos, nesta apostila, em continuidade, comentar os apontamentos de Charles W. Leadbeater, contidos em seu livro Os Mestres e a Senda.

Falávamos sobre “As Quatro Nobres Verdades”. Vimos três delas. Veremos nesta a quarta.

O Caminho que conduz à Cessação da Tristeza

O comum da vida tem sido o constante mergulho no oceano das ilusões. Estas, como visto nas três verdades anteriores, são as causadoras das tristezas, pois geram as ansiedades. Sendo assim, a enunciação da quarta verdade se torna uma alvissareira notícia. Cessação da Tristeza.

Será isso possível ? A quantos milênios caminhamos em busca dessa resolução ?

Místicos, filósofos e alquimistas têm queimado as pestanas no intento de construírem sistemas com os quais possam transferir à grande massa humana os roteiros que levam a tão encantador destino. Entretanto, essa mesma grande massa não os ouviu, como ainda não os ouve. Por isso, em nossos dias, a dor torna-se mais acerba, pois ao invés de condutas que possam cessá-la, ampliam-se os desejos e as paixões desenfreadas, o que faz as pessoas se tornar mais sofridas.

Ao tocar nesse ponto, não quer dizer que tenhamos a pretensão de, como nossas anotações, atingir e motivar a grande massa. Até que seria muito bom, porém, nos falta capacidade para tanto. Procuramos, com elas, apenas lançar algumas sementes a mais e, quem sabe, dar as mãos aos que estejam dispostos a percorrer a vida no sentido do bom senso.

Vamos, então aos escritos de Leadbeater. Ao comentar essa quarta verdade ele o fez, como também nas anteriores, baseando-se na visão atemporal do senhor Buda. Como essa quarta verdade representa uma longa jornada a ser percorrida, visto que a humanidade distanciou-se muito dos objetivos primordiais da vida, para tornar mais compreensivas as instruções, o grande Avatar dividiu a descrição em oito partes. Que assim estão:

“O primeiro passo nesta Senda é a Reta Crença (...)
Há verdades fundamentais que numa ou outra forma os instrutores religiosos e as escrituras ensinam continuamente aos homens, )...) Um destes fatos é a eterna Lei de Causa e Efeito.”

A linguagem do grande místico – Buda – interpretada por Leadbeater quer dizer que em todas as escrituras que fundamentam as diversas religiões, em todas elas estão contidas essências irremovíveis. Uma dessas essências é a tão nossa conhecida Lei de Causa e Efeito, popularmente chamada de Lei do Carma. Sendo uma verdade fundamental, sua ação se torna inevitável e, se a memória humana não fosse tão curta, cada pessoa teria presente na lembrança as ações de atos praticados e neles identificaria os conseqüentes efeitos que a cada momento presente os vivencia.

Prossigamos:

“Se um homem vive sob a ilusão de que pode fazer tudo quanto lhe agrade e que nunca recairão nele as consequências de seus atos, muito certamente não deixará de notar que alguns destes atos lhe acarretam, por fim, infelicidade e sofrimento. (...) Disto se infere que ele há de conhecer algo destas leis capitais da natureza, (...)” [página 288]

Nas figuras a seguir ilustramos os dois trechos acima. Na 24A o ato de semear o Amor e na 24B semeando Dor.



Ilustram, então, o fundamento da Lei de Causa e Efeito. A reta Crença, portanto, nada mais é do que ter a absoluta certeza de que do quê se faz se colhe. A partir dessa certeza, o ser de bom senso dimensionará suas ações, pois sabe que delas virão os efeitos que moldarão os cenários da sequência de sua vida. Sabe que o quê lhe acontece, no presente, não são ocorrências aleatórias, mas bem determinadas situações que refletem o passado.

Se for atencioso para com todas as situações que venha a vivenciar, compreenderá que a Natureza é regida por leis perfeitas e imutáveis, às quais todo o cosmo está vinculado. Compreenderá, então, para os casos de sofrimento, de onde lhe vem a dor. Compreenderá, também, para os casos de alegria, que ali está a resposta cósmica pelos seus atos de humanismo e solidariedade. E por certo, dessa compreensão, partirão renovados esforços por controlar seus desejos.

A seguir vem a segunda parte:

Reto Pensamento é o segundo passo (...)
Exige que pensemos no bem e não no mal; que reservemos sempre no fundo de nossa mente pensamentos nobres e formosos, (...) definido, não vago nem difuso. (...) que ele seja exato, isto é, que expresse unicamente o verdadeiro. (...)”
[páginas 289 e 290]

Pensamentos nobres e formosos, esse é o reto pensar, diz o instrutor. Para nós que já estudamos o pensamento, tanto na série Mediunidade quanto nesta, ficou visto que ele possui forma, cor e odor. Disso há de se compreender que pensamentos nobres e formosos têm forma, cor e fragrância agradáveis de serem vistas e sentidas. Em contra partida, os pensamentos maldosos possuem formas e cores desagradáveis e são mal cheirosos. Além disso, em nenhuma hipótese o pensamento deve ser malicioso ou maledicente. “Expressar unicamente o verdadeiro”.

Como terceira parte temos:

Reta Palavra é o passo seguinte (...)
Falar sempre de coisas boas, porque não nos incumbe falar das faltas do próximo. (...) Se não for hipócrita nossa afirmação de fraternidade (...) nos aperceberemos de que não temos o direito de descobrir as faltas ou vícios de ninguém (...). As palavras têm de ser amáveis, convenientes, discretas e jamais néscias.”
[página 291]

As palavras e os gestos são as exteriorizações dos pensamentos. Se os pensamentos, ao idealizarem ações más tomam formas desagradáveis e se tornam asquerosos, evidentemente que o efeito provocado por eles quando acompanhados de palavras que os revelem ao mundo exterior será muito mais desastroso.

As asquerosas formas pensamento que infestam a psicosfera do planeta é que são os vetores que destroem a integridade das pessoas. Como focos virais contaminam uma pessoa aqui, outra ali, e estas, dando guarida aos sugestionamentos que se deixaram ser alvo, multiplicam seus efeitos vetorizando-os a outras pessoas.

Como medida profilática o nobre Avatar recomendou vigilância mental usando-se, apenas, do Reto Falar. Na apostila 08, desta série, comentando sobre ideoplastia, vimos os riscos e efeitos advindos de uma contaminação mental.

Passemos à quarta parte:

“O passo seguinte é a Reta Ação (...)
Se pensarmos sempre no bom, não poderemos falar do mau, porque a palavra é expressão do pensamento; e se pensarmos e falarmos retamente, nossas ações não poderão deixar de ser da mesma reta qualidade. A ação deve ser pronta, e contudo bem considerada. (...) Sobretudo que a ação seja sempre inegoísta. (...)”
[página 292]

Uma reta ação só poderá advir de um reto pensar, assim ensina o trecho acima. Conhecendo o que seja contaminação mental, ou influências mentais, cabe ao estudante do oculto precaver-se contra as dissimuladas sugestões que lhe chegam de anônimas origens, não dando abrigo a elas.

O que se observa, também, dos três tópicos; Reto Pensamento, Reta Palavra e Reta Ação, é que estes têm a seguinte sequência: pensar, falar e agir. Uma sequência de retos procedimentos, o que não deixa de ser uma lógica. Se a pessoa só pensa para o bem; se sua expressão verbal exprime o bem; seus atos só poderão materializar o bem. Tudo o que fizer será agradável, gracioso, e terá por objetivo um proveito orquestrado pela fraternidade. Jamais exclusivista. Inegoísta, como está referido.

Passemos à quinta parte:

“Quinto passo – Reto Meio de Subsistência (...) - Reto meio de subsistência é aquele que não prejudica a nenhum ser vivente.” [página 292]

Essa é uma questão muito delicada, pois subsistência, na sociedade humana, é o meio de obter ganho financeiro com o qual se possa manter a vida própria e a de quantos de nós dependam. Todavia, verifiquemos: na era atual onde tudo é permitido, os parâmetros de honesta subsistência, e compatíveis com os direitos dos outros igualmente viverem, estão inteiramente distorcidos.

Tudo vai sendo permitido, e aceito, como fato normal. As pessoas vão perdendo o escrúpulo em relação aos semelhantes. Longe, portanto, está a sociedade desse preceito do quinto passo, pois pouco se importa em causar desgraças aos semelhantes, desde que com isso aufira grandes rendimentos.

Vejam, por exemplo, os grandes atos de corrupção financeira, as investidas das grandes corporações, sejam elas as indústrias alcooleiras, as de tabaco, as difusoras televisivas e mais nefastamente os grupos do tráfico de drogas. Um conjunto que causa profundos danos nos indivíduos e, por repercussão, às suas famílias. Seguindo-se a esta vem a indústria do lazer, inteiramente degenerada na atualidade, promovendo o desregramento sexual e o crescimento da violência.

Enfim, como meio de subsistência, pode-se dizer que vivemos uma era de canibalismo. Seres que se destroem mútua e coletivamente. Difícil será, à sociedade, adequar-se ao quinto passo. Talvez, venha de ser essa inadequação o empurrão que arrojará toda essa raça ao fundo abismo de dores a se estender por milênios incontáveis, até que se encontre novamente o elo perdido do caminho da redenção.

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Ainda faltam analisar mais três partes do grande caminho. Todavia, dada à profundidade das orientações que elas encerram, que convidam a reflexões sinceras e demoradas, interromperemos nesta quinta parte nossas anotações desta apostila.

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Observação: As palavras grifadas, apresentadas acima, assim estão no original.


Bibliografia:

Charles W. Leadbeater – Os Mestres e a Senda – capítulo XIV – Editora Pensamento


Apostila Escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL

Abril de 1998
Revisão em Dezembro de 2008