Apostila 25
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O CAMINHO DA REDENÇÃO
- II
Estamos nos aproximando do final desta série. Como nela se faz
uma análise dos descaminhos e da reconstrução da
vida, propositalmente guardamos para este encerramento as orientações
que, se seguidas, soerguerão os caídos. Aqueles que se
acham trilhando pela contra-mão da evolução, traçando-lhes
um novo significado para suas existências.
Estas orientações, como já informamos nas apostilas
23 e 24, estão sendo extraídas do livro Os Mestres
e a Senda, de autoria de Charles W. Leadbeater. Prosseguindo
na descrição do que ele chamou de “O Caminho que
Conduz à Cessação da Tristeza”, caminho este
dividido em oito partes, todas elas inspiradas nas orientações
deixadas pelo senhor Buda, passemos à sexta parte.
“O sexto passo é o Reto
Esforço (...)
Não devemos satisfazer-nos com o ser passivamente bons ou contentar-nos
com a abstenção do mal, pois que se nos exige é
a positiva prática do bem. Quando o senhor Buda expôs este
ensino, começou por dizer: “Cessai de praticar o mal.”
Mas a seguir acrescentou: “Aprendei a praticar o bem.” [página
293]
Diz um ditado popular que “quem não ajuda não deve
atrapalhar”. Já outro diz que “não atrapalhando
já está ajudando”. Ambas as formas de pensar expressam
apenas a inequívoca má vontade por engajar-se na corrente
da solidariedade cósmica. Mas é bem isso o que se vê
na forma acomodatícia em que a humanidade vai moldando a vida.
Talvez o “cada um por si”. Isso demonstra o desconhecimento
de que todos, e tudo, estão encadeados no universo. Significando
que, se um só elo dessa corrente deixar de produzir a parte que
lhe cabe para com o Reto Esforço, todo o encadeamento sentirá
o fracasso.
Usando de outras palavras: se desejamos a paz, não a obteremos
se apenas ficarmos a esperar que outros a construam. Devemos levar nossa
contribuição para a formação desse edifício
empregando, por nossa parte, o esforço que nos compete. Isto
é, “Aprender a praticar o bem”.
“Reta Memória ou Reta
Recordação, é o sétimo passo (...)
Antes de tudo significa auto-recordação, isto é,
que devemos a todo instante lembrar-nos quem somos, qual é nossa
tarefa, qual é nosso dever, (...)” [página
294]
Reta memória é o ato de definir a vida. Enquanto caminhamos
motivados por dúvidas somos aquele ser confuso contaminando os
outros com nossa própria confusão. Quando temos a certeza
do que fazemos, porque o bom-senso das observações nos
conduziu por nos adequar aos passos descritos, então a definição
da vida será uma só, pois uma só ela é.
E será a reta recordação de tudo isso a condutora
das decisões. Não mais as tortuosas ideologias criadas
pelos homens, mas a compreensão da parcela da imutável
verdade cósmica que se tenha alcançado. Será esta
a grande parceira da reta recordação que nos diz: “-
Defina-te, não oscile entre interesses imediatistas”.
Ao ouvir essa recomendação uma pergunta nos assalta:
O que, então, esquecer; o que, então ser lembrado ? A
resposta vem da página 295 do citado livro, num belíssimo
poema cujo autor não foi indicado por Leadbeater:
Esqueçamos as coisas tristes que
nos vexaram e humilharam,
As esperanças que, embora há muito acalentadas, nos
foram negadas;
Esqueçamos.
Esqueçamos as pequenas banalidades
que nos atormentaram,
Os erros maiores que por vezes ainda nos pungem;
O orgulho com que algum soberbo nos desdenhou; Esqueçamos.
Esqueçamos as faltas e falhas
de nosso irmão,
O ceder às tentações que o assediam
E que ele, quiçá, embora inúteis sejam as mágoas,
não pode esquecer.
Mas bênçãos, múltiplas,
e passados merecimentos,
Palavras amáveis e atos caridosos – uma multidão
incontável,
O pecado vencido, a retidão triunfante, Recordemos sempre.
O sacrifício do amor, o generoso
dar
Quando os amigos eram poucos, o aperto de mão quente e forte,
A fragrância de cada vida de santo viver, Recordemos sempre.
Todas as coisas que foram boas, verdadeiras
e graciosas,
Todo bem que haja triunfado sobre o mal,
Tudo quanto o amor de Deus ou do homem haja tornado precioso, Recordemos
sempre.
Acreditamos que seja dispensado qualquer acréscimo de comentário
ao texto do poema. Em linguagem simples e concisa estão as preciosas
recomendações.
E agora, a última parte, a parte oito:
“Reta Meditação
ou Reta Concentração (...)
Meditação no sentido de ter as coisas espirituais no funda
da mente, (...) de maneira a colocá-las em primeiro lugar quando
nossa mente se desocupe de outra coisa. (...) aonde quer que vamos estamos
rodeados de hostes invisíveis, de anjos, de espíritos
da natureza e de seres humanos que já deixaram seus corpos físicos.
A condição da Reta Concentração nos atrairá
todas as melhores dessas várias ordens de seres, (...)”
[páginas 295 e 296]
As pessoas estão sempre e continuamente a pensar. Variam os
pensamentos conforme variem as atividades de cada momento. O instrutor
ensina que a Reta Concentração é aquele ato de
só pensar no bem. Isto é, nos intervalos entre atividades
absorventes da atenção, tais como os cuidados do lar e
os fazeres profissionais, nos intervalos dessas atividades o pensamento
deve convergir, quase automaticamente, à ocupação
idealística de um bem coletivo.
Eliminar dos costumes pessoais a ociosidade mental, pois esta será
uma porta aberta a todo tipo de contaminação. E´
a isso que o autor se refere acima ao dizer que vivemos cercados por
seres invisíveis. Além disso, como vimos nas apostilas
que tratam da sintonia psíquica, todas as pessoas se acham envoltas
pelo halo das presenças espirituais que as rodeiam. Só
a reta concentração, que é produto direto da adequação
aos sete passos referidos, garante que de todas as possíveis
influências espirituais que envolvem a Terra, venhamos a ser parceiros
apenas das nobres, e consequentemente, a Cessação das
Tristezas.
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Acima, portanto, embora resumido, fica concluída a descrição
do grande roteiro cuja premissa é a Cessação da
Tristeza.
A este roteiro descrito desde a apostila 23, podemos juntar as reflexões
contidas na apostila 02. Pela figura dos doze passos, inserida naquela,
pode-se visualizar essa grande transformação a se efetuar
em todas as criaturas. E´ o indescritível esforço
por reconstruir a própria vida.
Ao se esforçar por cumpri-lo não se promete ao executante
a isenção de trabalhos e lutas na vida, todavia, sem nenhuma
dúvida, garante-se adquirir uma compreensiva resignação
para com todos os acontecimentos. Substitui-se a revolta interna por
um apaziguamento incompreensível a muitos, não obstante,
real.
Entrementes, não desconhecemos que, para uma pessoa inserir
tal roteiro em sua vida, cumprirá, para faze-lo, empenhar esforço
diuturno consigo mesma, em razão de que a raiz de todas as nossas
tristezas estão fincadas no amado de nossa alma. Tendo-as alimentado
com equívocos por incontáveis milênios, se robusteceram,
e agora, vigorosas, nos envolvem como um cipoal. Para que os traumas
não se façam mais violentos, ao encararmos o roteiro que
se expôs, devemos ir vagarosa, porém sem recuos, cortando
cada ramo que nos sufoca.
A liberdade, portanto, já está entrevista. Resta apenas
caminhar em sua direção. Mas isso depende exclusivamente
da vontade de cada um.
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Com esta apostila damos por encerrada esta série. Nossos escritos,
como de costume, sempre modestos, mesmo porque de nós mesmos
pouco podemos oferecer, objetivaram mostrar que o destino do imortal
SER está em suas mãos.
Tal qual para tomar sob sua responsabilidade a direção
de um carro precisa-se conhecer dos seus riscos, também ao homem
compete aprender a dirigir sua vida. Notadamente, porque estamos de
tal maneira habituados a nos deixar levar pelas ondas ilusórias
criadas pela sociedade mercantilista, ondas vertiginosamente alteradas
a cada virada do ponteiro das horas, que já não nos importamos
em saber para onde estão nos levando.
Esse estado de omissão consigo próprio condena-nos a
um sacrifício coletivo em benefício exclusivo das corporações
industriais. Isto é, condena-nos a um sofrimento cuja extensão
ainda não é conhecida pelo homem desta civilização.
Ingênuos, temos sido ! Não vemos que no sistema em que
vivemos a tristeza que nos assola, resultante do estado de ansiedade
imposto à sociedade, tem que ser mantida, pois se o homem atingir
uma satisfação plena e integral, começará
espontaneamente a renunciar aos bens materiais, e isso gerará
a falência mercantilista.
Logo, a ordem implícita das corporações é:
mantenha os homens escravos da ansiedade, criando-lhes, a cada momento,
supérfluas necessidades sempre crescentes, e nossas corporações
serão cada vez mais poderosas.
Desta forma, se almejamos a felicidade, comecemos por reconstruí-la,
individualmente, em nós mesmos, pois não a iremos encontrar
enquanto permitirmos ser cegamente conduzidos. Por isso, alhures afirmamos:
o caminho da vitória é a confiança, a coragem e
a renúncia.
Todavia, esse despertar não ocorre sem traumas. Habituados que
está à renúncia de si mesmo, quando deseja seguir
por outras metas, a pessoa esbarra com a cristalização
de seus atavismos. Surgem, então, as lutas internas.
Sobre essa força de transformismos, traumática, inicialmente,
mas gratificante ao final do processo, estão os comentários
na série O Inevitável Despertar.
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E das palavras do mestre Jesus extraímos o seguinte trecho,
que em síntese nos diz do angustiar pelo dia de amanhã.
“Olhai para as aves do céu,
que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial
as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que
elas ? E, quanto ao vestido, por que andais solícitos ? Olhai
para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham
nem fiam; e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua
glória, se vestiu como qualquer deles.” [Mateus
6:26 e 6:28-29]
Se conseguirmos inserir em nossas vidas uma pequenina parte desses
tão simples, porém conclusivos preceitos, estaremos superando
as etapas que nos prendem à Terra e nos aproximando da Grande
Luz. Como vencedores, os obstáculos ficarão para trás.
Assim, pois, anima-te viandante do infinito, sua destinação
é a LUZ !

Bibliografia:
Charles W. Leadbeater – Os Mestres e a Senda
– capítulo XIV – Editora Pensamento
Observação: As palavras grifadas assim estão no
original de Leadbeater.
Apostila Escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Maio de 1998
Revisão em Dezembro de 2008