Apostila 03
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Deste tema já temos duas apostilas nas quais traçamos
um panorama geral do que podemos chamar de "assim tem sido o transcurso
da vida na sociedade humana da Terra".
Sendo bem isso o que desejávamos saber, ficamos, entretanto,
presos num meio termo, pois a curiosidade nos impele a conhecer detalhes.
A visão panorâmica está boa, mas... queremos saber
um pouco mais. E´ o que procuraremos fazer a seguir.
Todavia, para bem compreendermos todo o encadeamento de acontecimentos
e conseqüências precisaremos, antes, definir alguns pontos
de referência, deixando bem claro o que significam. Esses pontos
de referência são as balizas da vida na Terra. As Leis
divinas e inderrogáveis. Por eles todas as criaturas, sem exceção,
são regidas, e o percurso evolutivo que fazem tende, cada vez
mais, para o equilíbrio entre estes referenciais. Eles são
a Reencarnação, o Carma e o Dever.
Reencarnação - São os ciclos de vivências
na Terra onde o espírito usa, para cada vez que aqui vem, um
novo corpo humano. Estes ciclos são intercalados por períodos
existenciais em planos extra-físicos. A função
primordial da reencarnação é propiciar ao indivíduo
uma seqüência de estágios. Nesses estágios
ele aprenderá sobre controle das emoções e manuseio
das energias nesta dimensão em que elas se encontram no mais
compacto adensamento. Este ciclo que é chamado de evolução
Humana que, cosmicamente falando ainda é uma sociedade primitiva,
capacita-o a ser promovido aos níveis da evolução
Super-Humana, onde as sociedades vivem ambientes harmoniosos. Uma vez
merecida a promoção cessa a obrigatoriedade de retornar
a planos como os nossos. Reencarnação, portanto, é
a viagem evolutiva através do tempo.
Carma - Também conhecido por Lei de Causa e Efeito. O
carma é a inevitável impulsão que leva o Ser à
reconstrução dos atos passados impensados, ou ao desfrute
compensador pelos atos bons realizados. Também pode ser entendido
como sendo a construção do futuro tendo como base os efeitos
de antigos atos vividos no agora que, por sua vez, se tornam as novas
causas. Portanto, a preparação do futuro. O carma não
é fatalista e sobre isso falaremos mais à frente.
As religiões orientais, especialmente as da Índia, desmembram
o significado da palavra Carma em três ramos, a saber:
- Pralabh Karma - é o que devemos
viver numa encarnação. E´ o programa de vida, dos
objetivos que trouxeram o indivíduo a este novo renascimento.
Se este programa for muito austero, e como não é fatalista,
pode ser aliviado através do uso da paciência e da sabedoria.
- Kriyaman Karma - é aquele que,
por nossa própria vontade e nossa liberdade de escolha, construímos
nesta vida. Isto é, nossos atos de agora. Logo, se nossas atitudes
forem de descaso para com a justiça e o amor, evidentemente,
que estaremos criando dívidas para as vidas seguintes.
- Sinchit Karma - São os resíduos
de programas de vida não resolvidos no todo e que por isso vão
se acumulando. Afinal, compreende-se que seja quase impossível,
numa só vida encarnada, liquidar todas as dívidas pretéritas.
Assim, numa vida na Terra, temos a confrontar com o Pralabh Karma somado
com alguns resíduos de vidas mal resolvidas no passado. Portanto,
podemos chamá-lo de carma de reserva, ou carma adiado. Apenas,
adiado. Nos depararemos com ele em vidas seqüentes.
Dever - São as responsabilidades intransferíveis.
Responsabilidades que cumpre serem atendidas em cada nova encarnação.
Contudo, apesar da obrigatoriedade, ressalva-se o livre-arbítrio
do indivíduo, com o qual ele decide por cumprir ou não
seus deveres.
Esses três pontos, como toda e qualquer forma de energia no cosmo,
interagem dentro de uma estrutura de forças cuja resultante final,
extraída de cada ato, direciona ao equilíbrio do conjunto.
Esse equilíbrio do conjunto pode ser no sentido de harmonia ou
de desarmonia. Quanto a isso, cosmicamente, não importa. Importa
que tenha de haver o equilíbrio estrutural e, por essa razão
quando os atos são desastrados a resultante é a dor. Vejamos
isso em exemplos e figuras, considerando casos em que o indivíduo
encarna para resgatar carma negativo.
Figura
03A
Quadro A - A pessoa, durante todo seu trajeto de vida, não
dá atenção aos compromissos, ou ao Dever. Para
ela, compromissos são circunstâncias que não lhe
ocupam as preocupações. Seu gráfico existencial
indica que muito pouco da linha cármica se cumpriu, e o fator
Dever foi abandonado logo nos primeiros anos de vida. Nessa característica
tem-se o agravamento do Carma, acumulando-o para outra existência,
e uma sobrecarga do Dever que se mostrará mais contundente noutra
encarnação.
Quadro B - Neste exemplo o gráfico mostra que a pessoa
demonstrou certo interesse pelas questões da vida. Atendeu solicitações
cármicas ultrapassando a média de seu programa de vida.
Porém, por algum tempo depois, deixou-se levar por algum tipo
de relaxamento e os esforços anteriores foram substituídos
pelo descaso. Sendo assim, também ficou incompleto o atendimentos
aos Deveres relacionados àquela existência.
Quadro C - Aqui já temos um exemplo em que a pessoa bem
cedo em sua existência direciona atos e atitudes dentro de seu
programa cármico, demonstrando a aceitação com
o cumprimento de uma larga faixa de seus Deveres. Este exemplo demonstra
que quanto mais cedo a pessoa começar o cumprimento, ou aceitação,
de sua programática cármica, menores serão ao agravamentos
para futuras encarnações, pois que muito de seu Pralabh
Karma foi cumprido nessa vida.
Quadro D - Este é o exemplo de grande equilíbrio
para com a vida. O entendimento de que o viver não é só
o passar do tempo, mas o seguir de um programa existencial previamente
traçado que, em seu bojo, traz Deveres a serem atendidos. Ao
final da existência vê-se que todo o programa cármico
foi cumprido, bem como os Deveres atendidos. Casos excepcionais estes
? Talvez. Entretanto, muitos são os exemplos que a história
da humanidade nos conta, de Seres que legaram ao mundo suas sacrificiais
dedicações à harmonia geral. E os encontramos nos
ramos das religiões e das ciências, onde pugnaram pelo
bem da sociedade.
André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier,
no livro Evolução em Dois Mundos, à página
58, classifica os cálculos que determinam esses gráficos
programáticos de cada encarnação como sendo a Geometria
Transcendente, onde para defini-los é "aplicada
aos cálculos diferenciais e integrais das questões de
causa e efeito."
Isso quer dizer que cada um dos pontos enumerados acima, qual sejam,
duração da encarnação, o que o indivíduo
carmicamente vai encontrar no cenário da vida, e suas obrigações
para com a existência, são definidos através de
cálculos efetuados pela mais alta matemática, onde se
mensuram as circunstâncias que interagem ao caso.
Dessa forma, esses pontos referenciais, que em verdade são Leis
imutáveis, não exercem suas pressões aleatoriamente
sobre o indivíduo. A incidência dessas pressões,
agradáveis algumas e desagradáveis outras, dependendo
das circunstâncias de cada momento da vida, como se viu pelos
gráficos acima, fica na dependência dos atos que o espírito,
seja em vida na Terra ou no ambiente extra-físico, tenha praticado.
Como determinante dos atos, ou seja, para que estes venham a acontecer,
três poderosíssimas forças interagem num só
momento. Dessa ação conjugada dão ensejo às
pressões que as citadas leis fazem incidir sobre as criaturas.
Essas forças são: Pensamento, Desejo e Vontade.
E´ de substancial importância compreender dessas forças,
pois são elas que, num dado momento da viagem cósmica,
por descuido, fazem o indivíduo mergulhar no obscurecimento das
decisões. E´ o passo 3, figura 02A, da apostila 2. Também
estender um pouco mais nossa reflexão sobre aquela primeira pergunta,
e que já fizemos uma sucinta análise na apostila 2. A
pergunta é: "Sendo filha da Perfeição por
que a Criatura se perdeu no Dédalo da vida humana ?"
Vejamos cada uma dessas forças separadamente.
Pensamento
Na
figura 03B vemos o centro consciencial e os corpos que este utiliza.
Esta representação nos é velha conhecida, pois
repetidamente a temos usado nas outras séries de apostilas, principalmente
na séria Mediunidade.
Relembrando a série A Criatura, e acompanhando a figura,
vemos o seguinte: quando a Mônada, ou o Eu Verdadeiro, ingressou
no reino Humano observou que nas variadas modalidades de vivências
que ia passando, ora corpo físico, ora corpo Astral, ou ainda
no corpo Mental, observou que existia um elo interligando todas aquelas
fases.
Notou que em sua interação com os ambientes exteriores,
quando abandonava um corpo e utilizava-se de outro, não ocorria
interrupção de percepção. Notava que a percepção
consciencial continuava ativa e interligada à fase anterior.
Mormente quando passava de nível inferior a nível superior.
Esse elo tomou o nome de pensamento. Na figura 03B está representado
por setas passando de um plano a outro.
Seguindo o rastro desse elo descobriu-se que o pensamento é
um fluxo contínuo de vibrações da mente e que,
onde quer que o Ser esteja esse fluxo estará sempre ativo.
A respeito disso cabe aqui um esclarecimento. Ao contrário do
que muito gente imagina, o pensamento não é uma secreção
do cérebro físico. Algo parecido à secreção
biliar da vesícula, ou o muco pulmonar. Se o fosse, por ocasião
da morte do corpo Físico e sua desintegração no
túmulo, também as lembranças e pensamentos ali
se findariam. Todavia, temos constatado em inúmeras reuniões
espiritualistas que as entidades comunicantes não só se
expressam com muita inteligência como, também, recordando
acontecimentos dos dias em que aqui estiveram encarnadas.
Em razão disso deduzimos: como o pensamento é contínuo,
apesar das mudanças de estado vivencial, ele só pode ter
como fonte de origem a Consciência, pois só ela é
contínua. Os corpos são perecíveis. Ela não.
A Consciência, pois, se serve desse fluxo para interligar-se aos
seus diversos corpos para, com isso, comanda-los e fazer-se inteligível.
São, portanto, os corpos, instrumentos utilizados pela Consciência
com o fito de manifestar-se nos mundos exteriores, e evoluir.
Uma outra particularidade do pensamento precisa ser descrita. Ao dizermos
que o pensamento não é uma secreção do cérebro
físico, devemos esclarecer, também que nos planos Astral
e Mental ele tem a propriedade de moldar as matérias daquelas
regiões, tornando-se forma ou em imagem sobre o que se pensou.
A
figura 03C ilustra essa peculiaridade. Uma pessoa no plano físico,
através da voz expressa o que consciencialmente pensa. Simultâneamente,
no plano Astral ou Mental seu pensamento plasma a imagem. "(...)
os nossos pensamentos são forças, imagens, coisas e criações
visíveis e tangíveis no campo espiritual."
(Emmanuel, livro: Roteiro, página 120) Quanto mais forte
for a emissão mental em torno daquele pensamento, mais duradoura
será a forma criada. Essa durabilidade poderá ser de fugazes
segundos quanto de milênios. Depende dos poderes de quem e porque
o pensou.
Em decorrência desse instrumental, concluímos que a consciência,
considerando-se o seu atual estágio evolutivo dentro de reino
humano, para fazer-se sensível frente às outras consciências,
necessita dos dois elementos acima citados. Isto é, o pensamento
e seus corpos.
Possuindo só o pensamento, sem que houvesse a existência
dos corpos, seria como um sopro a passar, sem deixar marcas. Quase não
perceptível. Por outro lado, possuindo só os corpos mas
sem a ocorrência do pensamento, as ações iriam ser
reflexos de meros automatismos instintivos. Alguma coisa semelhante
ao que se transcorre no reino Animal.
Entretanto, juntando os dois elementos, pensamentos e corpos, num uso
simultâneo, os atos tomam a característica de individualidade,
tanto quanto, ao mesmo tempo, de auto-evolução.
Prosseguiremos na próxima apostila analisando, também,
Desejo e Vontade.
Bibliografia:
Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - perguntas 893
a 957 - Livraria Allan Kardec Editora
Annie Besant - A vida do Homem em Três Mundos - Editora
Pensamento
Annie Besant - Karma - Editora Pensamento
Annie Besant - Dharma - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito
e Alma - Editora Pensamento
Leon Denis - O Problema do Ser, do Destino e da Dor - Federação
Espírita Brasileira
Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec
Editora
Pietro Ubaldi - A Lei de Deus - Fundação Pietro
Ubaldi
Virginia Hanson-Rosemarie Stewart - A Lei Universal da Harmonia
- Editora Pensamento
Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Maio de 1997 - Revisão em Maio de 2008